Musicalizando

Retrospectiva Musical 2017: Os melhores do ano

Pra variar, chegou (faltam 4 dias, mas tá quase). Hora das promessas, resoluções de ano novo, enfim. Na retrospectiva do ano passado eu fiz a reflexão do significado do novo ano, então desta vez vou deixar passar (mas quem quiser ler as baboseiras, o link tá aqui). Neste ano a retrospectiva vai funcionar não apenas como uma retrospectiva, mas também como um resumão de alguns álbuns que não resenhei aqui no blog. Depois que o estoque de resenhas acabou, eu postei apenas a do To The Bone e um balanço do primeiro quadrimestre, até havia me programado para escrever outras, mas a “carreira literária” veio dando uma voadora de dois pés no peito, as coisas mudaram e este não foi o melhor dos anos musicais para mim.

Sem delongas, assim como no ano passado, separo os álbuns em duas listas com os dez melhores (nada de top) lançados em 2017 e os dez melhores álbuns que ouvi em 2017 (excluindo os lançamentos), mas desta vez não vou postar as estatísticas, porque ninguém quer ler números haha.

Os dez melhores – Lançados em 2017

Steven Wilson – To The Bone

Gênero(s): Crossover Prog, Art Pop
Lançamento: 18 de Agosto de 2017
Duração: 59 minutos

Bem, apesar dos pesares e das alfinetadas nas resenhas que eu e meu parceiro RockEmBalboa fizemos (links aqui e aqui), o To The Bone entrou na lista. Entrou porque eu ouvi tanto que engoli e até curti o álbum eventualmente. Não é um álbum que chega aos pés do pico de genialidade do Steven Wilson, mas é um álbum acessível, um tipo de Prog para todos os ouvintes. Peca no quesito pop, por não ser pop o suficiente, e no quesito prog, por não ser prog o suficiente. Está em cima do muro, e por hora ainda não vingou. Vamos ver quando a turnê rolar. O ingresso para o Carioca Club (aff) já está comprado.

Satanique Samba Trio – Xenossamba

Gênero(s): RIO/Avant-Prog, Progressive Rock
Lançamento: 25 de Maio de 2017
Duração: 16 minutos

Um som muito foda e bizarro do nosso Brasil, que fui conhecer num site internacional, é mole? O Prog Archives classificou o Satanique Samba Trio como RIO/Avant-Prog e talvez a banda somente possa ser enquadrada em um gênero tão “bagunça” quanto esse. Imagine uma mistura entre Frank Zappa, Samba e um toque do capiroto, como sugere o próprio nome da banda. Agora não imagine, vá ouvir.

Samsara Blues Experiment – One With The Universe

Gênero(s): Psychodelic/Space Rock, Stoner Rock
Lançamento: 10 de Abril de 2017
Duração: 47 minutos

Falei sobre o Samsara na seleção de Quick Reviews que fiz no começo do ano, mas deixo aqui uma resenha do RockEmBalboa também. Sem dúvida o álbum mais completo da banda. Uma viagem por diversos estilos musicais psicodélicos e texturas lisérgicas.

Nine Inch Nails – Add Violence

Gênero(s): Industrial Rock
Lançamento: 19 de julho de 2017
Duração: 27 minutos

Este foi um ano de “pontos fora da curva” e o Nine Inch Nails é um deles. Um som obscuro, nervoso e denso. Texturas sujas, artificiais, que evocam em mim um sentimento confuso – agressivo e melancólico -, como se estivesse me puxando para um buraco na alma. Não é um som que eu consigo curtir sempre, mas não posso deixar de recomendar, não apenas os dois últimos EPs, mas a discografia como um todo. Uma boa garimpada pode te levar longe.

Carpoolparty – Internauts

Gênero(s): Vapordance, Vaporwave
Lançamento: 16 de Junho de 2017
Duração: 17 minutos

Completamente averso ao som do Nine Inch Nails, temos o som dançante, positivo e amoroso do Carpoolparty. Eu já havia comentado no Quick Reviews sobre o Hot Tapes, o primeiro álbum da banda, sobre a  e s t é t i c a da banda e o tipo de subgênero que ele representa dentro do democrático Vaporwave, e neste álbum o som não é diferente. Como a banda mesmo diz, é um som funky and fresh, definitivamente fresco e cheio de ginga.

Sons of Apollo – Psychotic Symphony

Gênero(s): Progressive Metal
Lançamento: 20 de Outubro de 2017
Duração: 57 minutos

Uma das surpresas do ano, na minha humilde opinião. Eu já devo ter comentado aqui (não tenho certeza) que sempre ligo o “desconfiômetro” no máximo quando se trata de supergrupos, mas depois ter feito as pazes com o Mike Portnoy, tenho acompanhado com outros olhos os inúmeros projetos que ele participa, como é o caso do Sons of Apollo. Quando ouvi o primeiro single, tive uma impressão de “muito braço de instrumento pra pouca melodia”, mas a faixa dentro do contexto do álbum fluiu diferente. Não é um som inovador. Ele mama nas influências do Dream Theater da época do Metropolis Pt.2, entre outras bandas com um som semelhante, mas sem se estender demais. É difícil encontrar um momento supervirtuoso e os músicos conseguiram criar algo sólido, fluído e consistente, diferente do que acontece geralmente com supergrupos, onde é cada um por si.

Pain of Salvation – In the Passing Light of Day

Gênero(s): Progressive Metal
Lançamento: 13 de Janeiro de 2017
Duração: 72 minutos

Comentei sobre este álbum no Quick Reviews (também teve resenha no RockEmBalboa) como o álbum que abriu o ano em grande estilo. Um som consistente, pesado aos moldes do metal progressivo moderno, e muito diferente de todos os álbuns da banda, que buscava experimentar muito e variar o estilo entre faixas. Eu havia comentado que a longo prazo ele se mostrou um pouco “enjoativo” e mantenho a opinião. Álbuns como Scarsick, onde cada faixa tem um sabor diferente, tiveram uma experiência duradoura, pelo menos comigo. Eu até havia apostado que seria o álbum do ano (para mim), mas ele perdeu a força e agora é audição esporádica.

Anathema – The Optimist

Gênero(s): Post Rock, Progressive Rock
Lançamento: 9 de Junho de 2017
Duração: 58 minutos

Seguindo uma linha que tenho lido entre grupos de discussão ser chamada de “nova onda do Prog”, o Anathema segue com seu som melancólico, em um disco que de otimista não tem nada. Não no conceito, mas na sonoridade. Usa e abusa de texturas eletrônicas contrastadas com vozes masculinas e femininas, numa harmonia que tenta tocar o coração do ouvinte e emocioná-lo. Soa como um pessimismo cheio de esperança. Em outros álbuns do Anathema, eu não senti esse toque, talvez pelo esforço de tentar emocionar a todo momento, o que é bem diferente no The Optimist. Não é a toa que os caras receberam o Prog Awards esse ano, apesar das opiniões controversas dos internautas sobre a decisão.

Heilung – LIFA

Gênero(s): Experimental Neo-Folk
Lançamento: 1 de Novembro de 2017
Duração: 76 minutos

Outro ponto totalmente fora da curva, encontrei a banda Heilung como recomendação do Youtube. A plataforma não poderia estar mais certa de que eu curtiria. Mas alerto desde já: é um som para se apreciar visualmente. A banda disponibilizou em seu canal oficial a performance do álbum LIFA, um show tribal que evoca as raízes dos povos antigos da Europa, não apenas com um som criado a partir de ossos e instrumentos rústicos, mas também pelas vestimentas, pelo ritmo e pela ambientação. Eu assisti ao show duas vezes e foi uma experiência única. Talvez por ter um ouvido que aprecia um desafio, ouvir Heilung se tornou um hábito, e eu ainda não encontrei nada no gênero folk que me atraísse tanto. Espero encontrar algo tão tribal, tão ritualístico e cheio de texturas incríveis quanto.

Lunatic Soul – Fractured

Gênero(s): Crossover Prog, Progressive Rock
Lançamento: 6 de Outubro de 2017
Duração: 55 minutos

O álbum do ano. Como mencionado na resenha do RockEmBalboa, Lunatic Soul é um som que exige dedicação, não apenas para este álbum, mas para a discografia inteira. A sutileza e a quantidade absurda de texturas exige audição atenta. É um banda que de tempos em tempos eu costumo revisitar e, no meu momento atual, o som do Mariusz Duda criou um vínculo profundo e emotivo comigo. O Fractured é um álbum carregado de emoções, perdas, ausências, letras melancólicas e um som que mescla texturas eletrônicas com a raiz progressiva do mestre Duda. Você consegue enxergar o vermelho e os cacos de vidro da capa se fechar os olhos e prestar atenção nas músicas. Sem dúvida, é um álbum que carregarei por toda a vida, junto com os demais, que finalmente tocaram o meu coração.

Os dez melhores – Ouvidos em 2017

Van Der Graaf Generator – The least we can do is wave to each other

Gênero(s): Eclectic Prog, Progressive Rock
Lançamento: Fevereiro de 1970
Duração: 44 minutos

Na terceira chance, foi, e foi com tudo. Eu já falei sobre o Van Der Graaf aqui no blog, sobre como o vocal do Peter Hammill não batia com o meu santo (como dizia minha avó), mas aconteceu. O “clique” aconteceu com a faixa Darkness, que sem dúvida é uma das músicas mais incríveis que já ouvi. Eis o grande problema em não apreciar os álbuns individualmente. Na nossa rotina do século XXI, nem sempre ouvimos música com ouvidos atentos . Às vezes a música é um plano de fundo e naquele momento pode não se ligar a você. Descartar um álbum nas primeiras audições é sacrilégio, mas é o que muitos de nós fazemos hoje. Inclusive, pequei neste ponto com a banda. Eu acostumei com o Peter Hammill nas faixas em que ele apenas complementa as texturas do saxofone e do órgão, o que acontece bastante neste álbum e no Still Life. Quanto ao restante da discografia, o vocal e algumas mudanças na sonoridade continuam sendo lombadas para os meus ouvidos, mas isso pode mudar no futuro, quem sabe?

Yes – Close to the Edge

Gênero(s): Symphonic Prog, Progressive Rock
Lançamento: 13 de setembro de 1972
Duração: 38 minutos

Creio que com a abertura deixada pelo Van Der Graaf, outras bandas de rock progressivo setentistas se tornaram mais acessíveis para mim. Da série “álbuns que descartei na primeira audição”, Close to the Edge me pareceu um álbum sem graça, mas audições posteriores mais atentas revelaram a genialidade por trás do melhor do prog sinfônico. A faixa título é uma viagem épica ao nível de Roundabout (minha canção favorita da banda), com progressões rítmicas sensacionais e um refrão que cola na cabeça. Eu já havia gostado de uma faixa (Siberian Khatru) na primeira audição, mas hoje ouço o álbum completo com facilidade.

Genesis – Selling England By The Pound

Gênero(s): Symphonic Prog, Progressive Rock
Lançamento: 13 de Outubro de 1973
Duração: 54 minutos

Genesis foi uma banda que descartei há muito tempo por conta do Phil Collins, sem uma segunda chance. Seguindo o Van Der Graaf e o Yes, os álbuns da fase Peter Gabriel (exceto o primeiro) se mostraram um melhor do que o outro, sendo que o Selling England By The Pound no topo (top não, por favor) do podium. Seria o álbum perfeito se eu pudesse trocar algumas faixas por Supper’s Ready. Difícil escolher entre este e o Foxtrot. Melhor ainda é ver os vídeos do Peter Gabriel ao vivo, encenando com suas diversas fantasias mirabolantes. Sem dúvida, é mais uma banda que visualmente é ainda melhor.

Magma – Mëkanïk Dëstruktïẁ Kömmandöh

Gênero(s): Zeuhl, Progressive Rock
Lançamento: Dezembro de 1973
Duração: 39 minutos

O Magma apareceu aqui no Blog na parte 2 da matéria O Prog e a música ao redor do mundo, representando a França com seu prog Zeuhl. Originado pela banda, é um som que não é difícil de descrever, mas difícil de engolir. Uma fusão do rock com música erudita e jazz, usando coros, orquestração intensa e ritmos de marcha, não é pra todo mundo, e eu não achava que era pra mim, até viciar na estranheza que o som causava. Uma pena que eles vieram no Brasil no Carioca Bosta Club…

Junko Ohashi – Magical

Gênero(s): City Pop
Lançamento: 1983
Duração: 46 minutos

Representando os sons pop japoneses que sempre fazem parte das minhas playlists, temos um grande nome da minha recente paixão, o City Pop, som dos anos 80 que mescla os ritmos pop japoneses da época com lounge, jazz, bossa nova e uma salada de outras coisas. A Junko Ohashi tem um pulmão de fazer inveja. O som se parece muito com aqueles encerramentos de animes antigos, como Yu Yu Hakusho. Nostalgia pura com um sabor fresco. Altamente recomendado para os fãs da cultura oriental.

Beardfish – Mammoth

Gênero(s): Eclectic Prog, Progressive Rock
Lançamento: 25 de março de 2011
Duração: 52 minutos

Finalmente, Beardfish emplacou na minha playlist. Indicação do RockEmBalboa, o álbum que foi a primeira resenha do blog levou algum tempo para cair no meu gosto. Com uma pegada que mistura Stoner, texturas a la King Crimson e um som pesadão, o Beardfish evoca os anos de origem do prog, mas sem perder a modernidade no som. A discografia dos caras é sensacional. Uma pena que a banda acabou.

Universal Totem Orchestra – Mathematical Mother

Gênero(s): Zeuhl, Progressive Rock
Lançamento: 16 de Dezembro de 2016
Duração: 53 minutos

Mais um álbum de Zeuhl aparecendo na lista de melhores do ano e mais um álbum difícil de ouvir – que para mim foi como um passeio no parque (alerta de metáfora preguiçosa) – , vide a resenha do RockEmBalboa. Aqui temos uma banda da Itália indo na contramão da forte tradição do país no próprio som, o RPI (Rock Progressivo Italiano). É um álbum recheado de texturas, um instrumental extremamente elaborado e um vocal erudito que cria um contraste estranho. Realmente, para poucos.

Lalu – Atomic Ark

Gênero(s): Progressive Metal
Lançamento: 9 de Setembro de 2013
Duração: 52 minutos

Lalu é um projeto do tecladista Vivien Lalu, um tipo de supergrupo, mas que deu certo, como o Sons of Apollo. Inclusive, a sonoridade é semelhante mas, por conta do tecladista ser o líder, você encontra mais texturas fora do prog metal “tradicional” e uma base de teclado mais presente. É um metal progressivo pesado, sem se prolongar demais, o que deixa o som mais acessível, exceto pela faixa Revelations que tem 20 minutos e não é tão acessível assim.

Myrkur – Mausoleum

Gênero(s): Atmospheric/Black Metal
Lançamento: 19 de Agosto de 2016
Duração: 27 minutos

Soca ponto fora da curva nessa maionese musical de fim de ano (sendo ponto fora da curva = bacon, e não uva passa). E soca ponto fora da curva dentro da própria banda que também é um ponto fora da curva no gênero (chega de ponto fora da curva). Myrkur é um projeto de Black metal da multi-instrumentista Amalie Bruun que mistura seus vocais etéreos/guturais e a beleza de instrumentos folk com a brutalidade do gênero. Não é comum ver mulheres no Black metal, o que me chamou a atenção para a banda, mas o álbum ao vivo Mausoleum é uma obra de arte que vai além do Black metal. Gravado em um mausoléu somente com um coral na base, Amalie eleva suas músicas a um patamar atmosférico. Aceito indicações de bandas/álbuns neste nível de beleza.

Labirinto – Gehenna

Gênero(s): Post Metal
Lançamento: 2 de Setembro de 2016
Duração: 60 minutos

Finalizando 2017, temos uma banda foderosa aqui do nosso Brasil. O som da banda Labirinto é um show de camadas e texturas, um post metal difícil de ser equiparado aqui e lá fora. E não apenas o som, mas toda a produção, desde materiais gráficos até os clipes dos caras, que estão num nível difícil de se ver por aqui. Não é a toa que os caras já se apresentaram em festivais do gênero ao redor do mundo e são mais conhecidos lá fora do que aqui. Deixo a recomendação de todos os álbuns da banda, mas especial o último, Gehenna. Tá aí um show que perdi e me arrependi profundamente.

Bom, 2017 fica por aqui. 2018 tem mais. Boas festas a todos e estamos aí!

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2 pensamentos sobre “Retrospectiva Musical 2017: Os melhores do ano

  1. Muito boa a lista dos 10 melhores de 2017… Ainda não terminei a minha, mas certamente teremos umas 4 ou 5 bandas em comum aparecendo, talvez só mude um pouco a ordem!
    O Heilung eu não conheço… Sua descrição me deixou curioso para ver o som dos caras, vou colocar na playlist.
    O Anathema me desanimou demais depois de Weather Systems, tanto que passei batido por todos os álbuns deles que vieram depois.

    Quanto aos melhores ouvidos em 2017, não esperava encontrar o Beardfish ao lado de Magma, Genesis, Yes… Sinal que você curtiu mesmo! Hahaha… Os suecos são (eram) fodas. Como você disse: Pena que acabou.
    Dos que estão aí (e que eu conheço), o UTO é o único que não me agrada… Prog demais para mim! Hahahaha…

    • Tirando o Lunatic Soul aí, eu nem coloquei nada em ordem, esse ano foi um ano difícil pra avaliar os álbuns, mas sem dúvida todos que você fez resenha eu ouvi, tanto que tem um monte de citações ao RockEmBalboa aqui (mais do que pro meu próprio blog haha), incluindo a disco do Beardfish, muito boa mesmo!

      Confere o novo do Anathema, é pelo menos interessante. Agora o Heilung, só assistindo, pra ouvir tem que ter “estômago”, tipo UTO hahahah

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