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Van der Graaf Generator – Do Not Disturb (2016): Seriam os últimos suspiros?

 

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AVISO: Fiquei sem computador na semana passada e estou sem esta semana também. Isso vai atrasar muito o andamento do blog, portanto, peço desculpas pela inconstância. Além disso, estou finalizando alguns projetos que estão me sugando a energia, portanto, assim que possível, voltamos às operações.

Depois de um hiato de quase 30 anos e com seus integrantes beirando os 70, os britânicos do Van der Graaf Generator insistem no rock progressivo mais purista, depois de seu inicio experimentando combinações entre o rock e estilos como new-age, synthpop e reggae. A banda, que recebeu o prêmio “Lifetime Achievement” no britânico Progressive Awards 2016, parece se despedir com um resumo do melhor de sua carreira.

27 anos depois

Iniciando sua carreira em 1967, o Van der Graaf Generator passou por inúmeras formações e discos que evocavam diferentes estilos da música da época misturados com o rock até sua dissolução em 1978. A banda não teve um sucesso comercial na época, assim como muitas bandas do gênero, e seguiu por 27 anos em hiato. O retorno da banda em 2005 marca também o retorno ascendente do rock progressivo dos anos 70, que atualmente tem um status de cult, também carregado pela banda. Depois de décadas de experimentação na banda e nas carreiras solos de seus integrantes, o Van der Graaf voltou com um som consistente, que não impressiona, mas agrada os que vivem na nostalgia dos tempos áureos da origem do rock progressivo.

Não perturbe!

Do Not Disturb é o 5º álbum da nova fase do Van der Graaf Generator, e profetizado por muitos como o último de sua carreira. Seu nome me trás uma sensação de uma banda que já não quer ser mais incomodada com opiniões e que está aqui para entregar o que quiser. Bom, é exatamente isso que a banda faz com este novo álbum. Apesar de ser a primeira vez que digo neste blog, sempre costumo repetir em conversas sobre bandas que possuem décadas de carreira que o comportamento mais comum entre elas é se tornar um resumo de si mesma, depois de reciclar seus pontos fortes repetidamente ao longo dos anos, e o Van der Graaf não foge a regra.

O álbum não inova, mas não desagrada. O uso extensivo do órgão, uma das marcas registradas da banda que não possui um tecladista e sim um organista, é o ponto alto do álbum, e talvez o ponto alto da banda, em todos esses anos. Hugh Banton, o mestre do órgão, faz a base do som do Van der Graaf desde os anos 60, criando uma ambientação nostálgica, natural e interessante para os tempos modernos de sons sintetizados. Em compensação, o Van der Graaf tem um ponto diferenciado, mas que me desagrada bastante, e neste álbum não é diferente também: o vocal.

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Se Hugh Banton é a base do som, Peter Hammill, único membro original do Van der Graaf, é a cara da banda. É ele que compõe boa parte do material e das letras, bem como o responsável pela salada com reggae entre outras experimentações, entretanto, seu vocal dramático com origem no coral me desagrada, a ponto de se tornar insuportável em alguns momentos. Já fui criticado por esta opinião dura sobre sua técnica, mas esta é uma questão de gosto, que pesa bastante no conjunto da obra. Por diversas vezes tentei me aproximar da discografia da banda, mas o vocal dificulta.

Há momentos, e não são poucos, em que o vocalista declama a música, ao invés de cantar. Nos momentos em que se empolga, estende demais as notas, criando uma reverberação que atravessa os instrumentos de uma forma que considero negativa. Por fim, principalmente neste novo álbum, não obstante com um Peter Hammill cantando, temos momentos com dois, em diferentes tons para criar uma harmonia que já não soa tão legal quanto 30 anos atrás.

Os últimos suspiros

A primeira faixa, Aloft, trás a tona os melhores momentos da banda, dos tempos do álbum Godbluff (1975), com um resumo de suas marcas registradas: o órgão, o vocal corista e o tom obscuro das canções. Apesar do incomodo com o vocal de Peter, foi esta a faixa que me atraiu para o álbum e me fez seguir até o fim. Uma ótima escolha para começar o álbum, mas faltou uma faixa tão boa quanto em seu decorrer para criar um contraste. Alfa Berlina é uma letra provavelmente nostálgica para a banda, que usa a figura do carro clássico da marca italiana e sons de transito para os levar direto para o passado áureo. A faixa abusa do vocal dramático de Peter para criar o ambiente noir e nostálgico. Nem preciso mencionar que esse exagero me incomodou.

Room 1210 e Brought to Book são os momentos mais interessantes do álbum após Aloft, mais uma vez, se aproveitando do resumo das marcas registradas da banda. Forever Falling soa como um rock progressivo “a la Deep Purple” enquanto Almost the Words começa como um blues que se transforma numa bagunça progressiva, que também acontece no rock abafado de (Oh No I Must Have Said) Yes, momentos em que a banda tenta inovar dentro de seu próprio resumo, mas não trás nada de novo. Diferente do álbum anterior, ALT (2012), inteiramente instrumental, somente a sombria canção Shikata Ga Nai se enquadra nesta categoria. Por fim, a faixa Go encerra o álbum num clima etéreo de despedida, como uma mensagem que indica que esta é a última música composta e gravada pelo trio. Seus membros já beirando os 70 já não tem a mesma energia e saúde de 1978, ano em que a banda parou no tempo. Mas será mesmo que este será o último suspiro do Van der Graaf?

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Concluindo

Do Not Disturb infelizmente é mais um dos álbuns do Van der Graaf Generator que passou direto pelos meus ouvidos sem ter um único momento de destaque, no máximo interessantes e agradáveis. Antes e depois de ouvi-lo, reservei pelo menos 50 horas para analisar sua discografia e encontrar pontos para me agarrar, entretanto, exceto pelo álbum Godbluff, os pontos fortes da banda para mim não superaram os fracos, e Do Not Disturb se enquadra nesta opinião. Como dizia minha vó, “quando o santo não bate, não adianta insistir”, e neste caso, o meu “santo” não bateu com o de Peter Hammill.


Banda: Van der Graaf Generator
Álbum: Do Not Disturb
Gênero(s): Progressive Rock, Eclectic Prog, Art Rock
Lançamento: 30 de Setembro de 2016
Duração: 57 minutos
Classificação do blog: 3.0/5

Formação:
Peter Hammill – vocais, guitarra, piano
Hugh Banton – órgão, baixo
Guy Evans – bateria, percussão

Faixas:

1 Aloft
2 Alfa Berlina
3 Room 1210
4 Forever Falling
5 Shikata na Gai
6 (Oh No, I Must Have Said) Yes
7 Brought to Book
8 Almost the Words
9 Go

 

Site oficial/Página Facebook

 

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3 pensamentos sobre “Van der Graaf Generator – Do Not Disturb (2016): Seriam os últimos suspiros?

  1. Ouvi um monte de álbuns lançados em 2016, mas esse passou completamente batido! Isso já deixa bem claro meu interesse pelo Van der Graaf, hahahahaha…
    Li sua resenha na esperança de me animar um pouco para ouví-los, mas pelo visto é só mais do mesmo. Vai ficar para a próxima!

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