Musicalizando

An Endless Sporadic – Magic Machine (2016): Do Guitar Hero ao complexo

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De pequenas participações em jogos como Guitar Hero e Tony Hawk, a banda fundada pelos americanos Zach Kamins e Andy Gentile, An Endless Sporadic, entrega um álbum instrumental com dezenas de camadas sonoras e diferentes em cada faixa, criando uma experiência única e orquestrada do começo ao fim, com participações especiais de músicos como Jordan Rudess (Dream Theater), Roine Stolt (The Flower Kings) e Navene-K (Animals as Leaders, Animosity).

Direto do videogame

Zach Kamins, formado em música em uma das maiores universidades de música dos estados unidos, a Berklee e Andy Gentile, compositor e músico trabalhando na Neversoft, formaram a dupla An Endless Sporadic em 2005, ano no qual tiveram sua primeira exposição na mídia em massa, mas de uma forma diferente: o jogo Tony Hawk’s American Wasteland. Em 2008, uma de suas composições, Impulse, fez parte do famoso jogo de música, 2008, o qual deu uma exposição ainda maior à dupla, que no mesmo ano lançou seu primeiro EP, Ameliorate. No ano seguinte, um álbum homônimo foi lançado, seguindo uma linha de metal instrumental. Então, 7 anos se passaram, e desta vez, sozinho, Zach Kamins decidiu seguir com o An Endless Sporadic, transformando seu estilo para um metal/rock progressivo a um nível totalmente superior.

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Individualizando os instrumentos

Magic Machine (2016) é uma mistura entre trilhas sonoras de jogos  e filmes dos anos 80 e 90 com elementos do rock e metal progressivo, de sua raiz até toques de subgêneros mais modernos como o djent. O álbum foi composto definitivamente como uma trilha sonora, mas com uma sonoridade única e não tão genérica como muitas trilhas modernas. Em cada música, Zach explora temas e instrumentos em pequenos blocos, mas mantendo uma base sólida de guitarra, teclado e bateria que está presente em quase todos os momentos.

Conceitualmente sonoro, o álbum é uma viagem que emenda em suas dez faixas sem interrupções que possam perturbar o ouvinte que gosta de uma longa experiência. Apesar das faixas se conectarem perfeitamente, podem ser facilmente identificadas por conta das particularidades exploradas em cada faixa. Como sugerem os títulos, a capa e o clipe lançado para a faixa Sky Run, estamos falando de uma viagem psicodélica espacial por diversos cenários ou diferentes mundos.

A trilha sonora de uma viagem sinfônica

A primeira faixa já tem um nome sugestivo para esta viagem, Departure, a partida ilustrada com uma música introdutória que elenca vários elementos que serão utilizados ao longo do álbum. Zach abre com uma orquestra somada ao timbre de guitarra que usou na faixa Impulse dos tempos de Guitar Hero III. Misturando elementos sintetizados e naturais, instrumentos digitais e analógicos, orientados pela guitarra e pelo piano, o clima de abertura é dramático, uma mistura de elementos de diferentes épocas sem criar uma bagunça. Em seguida, a faixa título, Magic Machine, mostra mais uma vez com maestria o trabalho de orquestração do músico, que revisita temas que apresenta durante a composição porém com instrumentos diferentes. Este é um padrão espalhado pelo álbum que o diferencia de uma trilha sonora mais genérica ou comum. Os temas não são exaustivamente abordados, porém estão presentes, as vezes até de uma forma sutil, entre um arranjo de flauta que é revisitado por um violino e em seguida por outros metais, como pode ser observado na quarta faixa, Finding the Falls. Ainda falando desta faixa, apesar de ter uma base mais agitada no metal, usa toques de jazz e vários timbres de guitarra.

Voltando um pouco, temos a faixa Galactic Tactic, que busca sons formados com ondas sintetizadas simples que remetem a jogos de nave dos anos 80, talvez uma alusão a Asteroids ou Space Invaders. Em contraste ao uso do som sintetizado retrô, a faixa tem extensos riff de guitarra com palm mute, uma das técnicas características do djent. Seguindo a sequência do álbum novamente, a quinta faixa é The Assembly, que explora um tema em formato de marcha, adicionando instrumentos a cada conjunto de compassos, criando camadas com a guitarra e o teclado.

A segunda metade do álbum é quando o rock e o metal progressivo predominam. Em Agile Descent temos um tema sombrio, com uma linha de piano menor, um ritmo mais quebrado e tenebroso. Já as faixas 7 e 8 contam com o mestre dos teclados Jordan Rudess (Dream Theater). Zach aproveita os diferentes timbres de teclado e piano de Jordan para criar a maior composição do álbum, Sky Run, uma tremenda viagem progressiva dentro da viagem que é o álbum em si.

Não obstante do progressivo de Jordan, Zach conta com o guitarrista de rock sinfônico Roine Stolt na faixa Sea Voyage. Os teclados e órgão da faixa soam como um progressivo sinfônico setentista tocado pelas mãos de mestres como Rick Wakeman. Por fim, temos a “masterpiece” do An Endless Sporadic revisitada, Impulse II, uma versão totalmente retrabalhada da faixa já citada entre as trilhas sonoras do jogo Guitar Hero III, que por si só já possuía uma base de guitarra e bateria incríveis. Zach usa a orquestra e as camadas adicionais instrumentais para nivelar a canção previamente de metal instrumental no mesmo nível das demais faixas, criando uma experiência orquestrada do começo ao fim.

Concluindo

São poucas as informações que você pode encontrar por ai sobre o An Endless Sporadic, portanto minha resenha tem como base praticamente exclusiva a descrição das peças sonoras usadas por Zach Kamins. Apesar de não gostar muito de descrever música a música (mesmo tendo usado este formato de resenha várias vezes aqui no blog), quis tentar exprimir de alguma forma as particularidades de cada música, mas mesmo assim, o resultado não me foi satisfatório. Com uma orquestração rica e complexa, fica difícil descrever o álbum sem ser genérico ou detalhista, portanto, espero que tenha deixado pelo menos uma ideia de quão incrível é esta experiência instrumental proposta por Magic Machine.


Banda: An Endless Sporadic
Álbum: Magic Machine
Gênero(s): Progressive Rock, Progressive Metal, Instrumental
Lançamento: 16 de Setembro de 2016
Duração: 70 minutos
Classificação do blog: 4.5/5

Formação:
Zach Kamins – guitarra, piano, teclado, órgão, Wurlitzer, percussão, banjo, tuba

Músicos convidados:
Jonas Reingold (Malmö)– baixo
Navene-K (Animals as Leaders, Animosity) – bateria
The Lower Animals – percussão, guitarra, marimba, glockenspiel, instrumentos de sopro
Paul Cartwright – violino, viola
Mischa Lefkowitz – violino
Matthew Cooker – violoncelo
Bradley Dujmovic – erhu
Jordan Rudess (Dream Theater) – piano, teclado
Roine Stolt (The Flower Kings) – guitarra

Faixas:
1 
The Departure
2 
Magic Machine
3 
Galactic Tactic
4 
Finding the Falls
5 
The Assembly
6 
Agile Descent
7 
Sky Run
8 Through the Fog
9 
Sea Voyage
10 
Impulse II

Site oficial/Canal oficial (Youtube)/Página Facebook

 

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