Musicalizando

O Prog e a música ao redor do mundo – Parte 4: África

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Quarta parte de cinco da grande matéria do Prog e a música ao redor do mundo. Definitivamente a região do mundo no qual eu tive mais problemas, barreiras linguísticas, falta de Prog e muitos e muitos gêneros diferentes. Foi a parte mais penosa do trabalho, pela quantidade de álbuns e diferentes informações das quais tinha zero conhecimento. Ao final, acabou se tornando um artigo bem rico, mas um pouco fora do âmbito original que deveria ser o Prog.

África do Sul south_africa-svg

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Banda: Titus
Álbum: Fade
Gênero(s): Progressive Metal
Ano: 2001
Idioma: Inglês
Fonte: Youtube

Único álbum da finada banda Titus, que usa o metal progressivo com toques de metal sinfônico. Apesar deste toque sinfônico gótico, não se engane, pois está deve ser considerada uma banda de white progressive metal, visto o teor religioso de suas letras. É uma pegada bem interessante que se destaca de outras bandas do mesmo segmento white. Destaque para os leads de teclado, que possuem uma sonoridade bem distinta.

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Banda: Neblina
Álbum: Innocence Falls In Decay
Gênero(s): Progressive Metal
Ano: 2006
Idioma: Inglês
Fonte: Outros

Innocence Falls In Decay, ao que citam algumas fontes, é o primeiro álbum de metal lançado na Angola. Com um inglês impecável e uma mistura de metal progressivo com heavy metal, temos um som mais tradicional. A única desvantagem é que os angolanos resolveram apostar demais neste som tradicionais, e não saem da estrutura mais do mesmo. A banda está na ativa desde 2000, entretanto não há registros de outro álbum além do presente até então.

Argélia algeria-svg

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Banda: RiverGate
Álbum: Enter the Gate
Gênero(s): Progressive Metal
Ano: 2013
Idioma: Inglês
Fonte: Youtube

Mais uma banda que aposta no poder do metal progressivo mesclado com heavy metal, mais melódico do que nossa seleção anterior. Temos um vocal afinado, porém semelhante ao usual, assim como um som bem “padrão”. Como a banda intitula, é um som sem fronteiras, que na minha opinião, por não ter nada muito diferente, se perde nas milhares de outras bandas do gênero. Interessante mencionar que a banda formada em 2005 foi nomeada a partir da tradução do nome “Bab El Oued”, uma comunidade na província de Argel, na Argélia, e este até o momento é seu único álbum/EP.

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Banda: Lionel Loueke
Álbum: GAÏA
Gênero(s): Jazz Rock/Fusion
Ano: 2015
Idioma: Instrumental
Fonte: Spotify

Um jazz bem fusion, improvisado e contemporâneo. Este é o último álbum lançado do músico, que conta com uma carreira solo prolífica. Dos álbuns de jazz fusion que ouvi, este é um dos mais diferentes no que diz respeito às composições. São agradáveis, intrigantes e com personalidade. Além de sua formação em Berklee, Lionel possui trabalhos com Herbie Hancock e Terence Blanchard em seu currículo, dois gigantes do meio.

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Banda: Skinflint
Álbum: Nyemba
Gênero(s): Heavy Metal
Ano: 2014
Idioma: Inglês
Fonte: Spotify

O “Iron Maiden” de Botswana, como encontrei em algumas menções, imagine o som do Iron Maiden contextualizado para lendas africanas. Esta é a essência do Skinflint em poucas palavras. O baixo é bem cru, bem parecido com o inicio da carreira de Steve Harris, os vocais lembram também o inicio do Iron. Não é um som inovador, mas de qualidade. A banda que começou em 2006, está lançando seu quinto álbum, o qual não tive a oportunidade de ouvir, mas aparentemente inclui uma pequena mudança no som da banda, incluindo elementos africanos no som além das tradicionais letras sobre lendas e mitologia.

Burkina Faso burkina_faso-svg

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Banda: Tartit
Álbum: Abacabok
Gênero(s): Folk, Tuareg Music
Ano: 2006
Idioma: Tamasheq
Fonte: Spotify

Temos aqui o primeiro de muitos exemplos complicados de gêneros musicais folk elencados nesta matéria. A música Tuareg ou Tamasheq é tem como base cânticos baseados em poemas, músicas milenares árabes que tendem a utilizar uma única nota ou batida, palmas, diversos elementos únicos de madeira ou outros instrumentos locais, como o imzad, uma espécie de violino de apenas uma corda ou o tende, um tambor feito com pele de bode e por ai vai. Há divergências entre a origem do grupo, porém manterei o que minhas principais fontes colocam como correto. O grupo é composto por 5 mulheres e 4 homens. O presente álbum é o último lançado, uma vez que o Tartit evoluiu para um outro grupo, Imharhan, formado em 2008 na Argélia, que expande o conceito da música Tuareg com instrumentos eletrônicos e influências de blues e jazz.

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Banda: Khadja Nin
Álbum: Sambolera
Gênero(s): Pop, East African Music
Ano: 1996
Idioma: Francês, Bambara
Fonte: Spotify

Uma combinação de estruturas de música pop com a música tradicional leste africana, um gênero composto por influências da música árabe e indiana, com o uso geralmente de instrumentos de corda, como harpas e liras, ou diversos instrumentos de sopro como flautas e trompetes. São músicas bem agradáveis e calmas. Sobre Khadja Nin, nascida em 1959, a cantora lançou 4 álbuns, sendo Sambolera seu terceiro. Não encontrei mais nada sobre a cantora posterior a 1998.

Cabo Verde cape_verde-svg

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Banda: Os Tubarões
Álbum: Pépé Lopi
Gênero(s): Morna, Coladera
Ano: 1976
Idioma: Português (PT)
Fonte: Spotify

Aqui temos uma mistura de dois gêneros popular de Cabo Verde, Morna e Coladeira. Morna é o gênero mais popular da região, geralmente músicas lentas, usando violão como principal e outros instrumentos de corda, como cavaquinho ou viola. Já a Coladeira é uma evolução da Morna, incrementando o tempo e batida, dando um ar mais alegre e dançante à musica. No álbum de Os Tubarões, temos um pouco de cada, exatamente como as descrições de seus gêneros. A banda este na ativa entre 69 e 94, sendo este seu primeiro álbum.

Camarões cameroon-svg

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Banda: Richard Bona
Álbum: Reverence
Gênero(s): Jazz Rock/Fusion
Ano: 2001
Idioma: Donala
Fonte: Spotify

Um álbum de jazz fusion agradabilíssimo do baixista camaronense Richard Bona, cantado no idioma Donala e evocando certas influências folk de seu país de origem. Como é de se imaginar, as linhas de baixo levam os ritmos, entretanto não é sempre que o baixo está em evidência, sendo bem equilibrado. Richard Bona estudou música na Alemanha e na França, e já gravou ao lado de músicos como Pat Metheny e Lionel Loueke.

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Banda: Mounira Mitchala
Álbum: Talou Lena
Gênero(s): West African Music
Ano: 2008
Idioma: Árabe chadiano
Fonte: Spotify

Semelhante à música típica do leste africano, temos a música típica do oeste africano. Mais uma vez, é um termo genérico para falar sobre diversas tradições musicais do continente. Como instrumentos típicos, temos instrumentos de percussão, como djembe e o tambor falante, e instrumentos de corda, como a kora, o ngoni e o xalam. O som de Mounira trás estes elementos, percussão típica, a forma de cantar também é bem particular dos ritmos africanos. Em suas letras, Mounira protesta contra casamentos forçados, genocídio e guerra civil em sua região, e até mesmo outros temas como a discriminação contra pessoas que tem AIDS ou a mutilação genital feminina.

Comores comoros-svg

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Banda: Maalesh
Álbum: Yelela: Afrique du soleil levant
Gênero(s): Comorian Music
Ano: 2008
Idioma: Lingua comoriana (pendente de confirmação)
Fonte: Spotify

A música típica de Comores é uma combinação de gêneros africanos, basicamente ritmos do leste africano com música de Madagascar. Existem diversos subgêneros dentro da música de Comores, uso de instrumentos específicos como violino, msondo e oud. No caso de Maalesh, temos uma música bem tranquila, calma, instrumentos de corda e um chocalho que acompanha algumas faixas. É uma estrutura inclusive bem acessível, apesar de que o idioma pode soar estranho para os desprevenidos. Othman Mohamed Elyas, ou Maalesh, gravou seu primeiro álbum em 1998 e está na ativa até hoje.

Costa do Marfim ivory_cost_cote_divoire-svg

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Banda: Trio Ivoire
Álbum: Trio Ivoire
Gênero(s): Avant-Jazz, Mande Music
Ano: 2000
Idioma: Instrumental
Fonte: Spotify

Mande Music é um tipo de música folk herdado da cultura Mande, do oeste africano. Um dos pontos principais da música Mande é a preservação de sua cultura e tradições através das letras. Entre seus instrumentos, temos a kora, uma harpa de 21 cordas, um tipo de alaúde chamado n’goni, além de instrumentos de percussão típicos, e no caso do presente álbum, a presença de um xilofone chamado balafon, tocado por Aly Keita, que compõe o trio, somado a um piano e a percussão. Tem algumas faixas cantadas por Tata Dindin, músico de Gâmbia, para completar esta mistura de jazz bagunça (nem tão bagunça, mas ainda sim avant) e a música Mande. As músicas variam bastante, principalmente no que diz respeito a qual instrumento será o principal da canção, e quais o acompanharão.

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Banda: Mike Mushroom
Álbum: Klanggarten
Gênero(s): Electronic, Psytrance
Ano: 2010
Idioma: Instrumental
Fonte: Outros

Por conta de um agricultor chamado Mushroom Mike, e também pelo fato de que não foi a fundo, não encontrei absolutamente nada sobre este tal de Mike Mushroom, somente sua origem em uma de minhas fontes de pesquisa, se é que é real. O álbum em si é uma música eletrônica bem genérica dos anos 2000, batidas repetitivas entre uma música e outra, mixagem desinteressante e pouca criatividade.

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Banda: Nathyr
Álbum: As the Legacy Unveils
Gênero(s): Progressive Metal, Death Metal, Arabic Folk Metal
Ano: 2015
Idioma: Inglês
Fonte: Youtube

Uma mistura bem interessante que pode ser classificada por fim como Arabic Folk Metal. A banda que começou em 1997, teve uma longa jornada até 2015, no qual o presente e primeiro álbum da banda foi gravado. Definitivamente temos escalas arábicas em sua sonoridade, em um death metal bem pesado, bem grave. A instrumentação é muito interessante, uma mistura na medida que agradou meus ouvidos. O vocal, por estar bem mixado, se mistura aos instrumentos uniformemente. Uma ótima pedida para fãs de death metal.

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Banda: Awalom Gebremariam
Álbum: Desdes
Gênero(s): Folk, Tigrynia
Ano: 2007
Idioma: Amárico
Fonte: Spotify

Tigrynia se define como a música produzida na Eritrea, principalmente ao norte, e como a maioria dos casos aqui, instrumentos típicos únicos, influências histórias da música folk da região e por ai vai. A história por trás deste álbum é um pouco melancólica. Após a finalização desta gravação, tentando escapar dos tumultos políticos e econômicos de seu país, Awalon escapou da Eritrea rumo aos EUA. Por isso, não recebeu absolutamente um tostão das vendas da fita cassete e dos CDs. Nos EUA, descobri que ele passou a trabalhar em um restaurante na Carolina do Norte e não achei muita coisa depois disso. Em 2016 o músico passou suas gravações para plataformas digitais. Sua música pode ser caracterizada pelos vocais melancólicos e pela repetição instrumental na base, quase que como uma batida continua com todos os instrumentos aplicados.

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Banda: Ukandanz
Álbum: Awo
Gênero(s): RIO/Avant-Prog
Ano: 2016
Idioma: Amárico
Fonte: Spotify

Um dos maiores achados do meu ano, Ukandanz, ou uKanDanZ como algumas fontes escrevem, é uma mistura insana de músicas inspiradas no folk da Etiópia com jazz e rock, um som vanguardista que pode ser rotulado como Avant-Prog. É um Prog bagunça, mas organizando, quebrado, obscuro e enérgico, liderado pelo vocal hipnotizante de Asnake Guebreyes e acompanhado de um saxofone presente, guitarras bem pesadas e a base no baixo e bateria numa qualidade tão grande quanto. O detalhe é que este nem é o melhor da banda. O primeiro álbum é ainda mais insano e mais étnico. Vale a pena conferir ambos e esperar mais dos caras.

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Banda: Pierre Akendengué
Álbum: Nandipo
Gênero(s): Central African Music
Ano: 1974
Idioma: Myene, Francês
Fonte: Spotify

No risco de soar redundante, música típica do centro da África. Temos aqui o uso de sistemas tonais pentatônicos, instrumentos como harpa, xilofone e tipos variados de flauta, entre outros instrumentos típicos, cânticos e afins. Nandipo é o primeiro álbum da vasta carreira de Pierre Akendengué, que além de musico e compositor, é consultor cultural do governo de seu país, formado em Psicologia pela Universidade de Caen na França e possui um doutorado pela Universidade de Paris por seus estudos de religião e educação do povo Nkomi. O som de Nandipo é suave, acústico, acompanhado por uma voz tranquila e coros femininos.

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Banda: Herbie Hancock & Foday Musa Suso
Álbum: Village Life
Gênero(s): Jazz Rock/Fusion, Mande Music
Ano: 1985
Idioma: Mandinka
Fonte: Spotify

Como coloquei já na ficha do Trio Ivoire, temos aqui uma mistura da música típica Mande com instrumentação de Jazz/Fusion. Apesar do nome Herbie Hancock constar aqui, temos bem mais de Foday Musa Suso do que de Herbie. Suso toca kora, tambor falante (talking drums) e canta enquanto Hancock apenas o acompanha no sintetizador. Como sugere o nome do álbum e a capa, é um som de vilarejo, que evoca um lugar remoto, rústico, sereno. As letras do álbum falam da vida (assim como, mais uma vez, sugere o título), se aproveitando do papel de Suso como um Griot africano. Griots são historiadores e musicistas do povo Mandingo que provém conhecimento por meio oral, uma herança geralmente familiar. Não obstante, Suso é parente distante do inventor da kora, o instrumento que toca no álbum.

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Banda: Mack Porter
Álbum: Peace on You
Gênero(s): Psychodelic/Space Rock
Ano: 1972
Idioma: Inglês
Fonte: Youtube

Aqui temos um pouco mais de rock psicodélico setentista, sem nada de diferente para adicionar. É um som bem tradicional e fiel ao conteúdo da época. Em alguns momentos o músico chega a lembrar Jimi Hendrix, mas nos vocais, não na guitarra. Este é um de seus últimos discos, antes do músico sumir de cena em 74, sendo que, depois deste período, não encontrei registros sobre ele.

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Banda: Djeli Moussa Diawara
Álbum: Yasimika
Gênero(s): Mande Music
Ano: 1983
Idioma: Mandinka
Fonte: Spotify

Mais uma ocorrência da música típica Mande. Apesar de ser um EP, escolhi Yasimika dentre dos vários álbuns lançados por Djeli por ser considerado um dos álbuns mais influentes da música africana, sendo que sua segunda faixa, Haidara, está presente em centenas de compilações de músicas africanas. Djeli tinha apenas 21 anos nesta época, e a já era mestre em seu instrumento principal, a kora. O álbum é rico em texturas sonoras rústicas e acústicas, além da mistura de um coral feminino ao timbre jovem e incisivo de Djeli. Além da kora, temos outro instrumento típico da África, o balafon, que é uma espécie de xilofone de madeira, que fica na base da harmonia.

Guiné Equatorial equatorial_guinea-svg

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Banda: Las Hijas Del Sol
Álbum: Vivir Esta Loucura
Gênero(s): Folk, Pop
Ano: 2004
Idioma: Espanhol
Fonte: Spotify

Bom, este é um som que não me agradou. É bem dançante, lembra aquela banda brasileira Rouge, que já imitava bandas que nascem e morrem em todos os países. É um pop que herda influências folk de seu país, porém não acrescenta em nada. Temos aqui um pouco de influência da música latina e um poquinho de jazz, mas as músicas em si são bem simplórias e repetitivas. Como esperado, este foi o último álbum antes da dupla se desfazer com 14 anos de trajetória, ainda que, na minha opinião, durou bastante.

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Banda: Super Mama Djombo
Álbum: Super Mama Djombo
Gênero(s): Gumbe
Ano: 2003
Idioma: 6 idiomas locais além do Crioulo
Fonte: Spotify

Grupo mais famoso do gênero Gumbe, típico de Guiné-Bissau. No gênero, os vocais e uma percussão típica local são usados como principais instrumentos, além dos idiomas locais. Aqui também temos a presença da guitarra, como na faixa Dissan Na M’bera, que possui um trecho instrumental no meio da canção, com um solo bem interessante. A banda foi formada nos anos 60 quando seus integrantes eram apenas crianças. Posteriormente na década de 70 sua importância era tamanha que o grupo tocava em conjunto com os discursos do presidente Luis Cabral. O presente álbum aqui é na verdade uma compilação, um dos poucos materiais da banda de fácil acesso.

Ilhas Canárias canary_islands-svg

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Banda: Canarios
Álbum: Ciclos
Gênero(s): Symphonic Prog
Ano: 1974
Idioma: Grego, Inglês, Espanhol, Latin
Fonte: Youtube

Ilhas Canárias: território autônomo pertencente à Espanha. Baseado nas Quatro Estações de Vivaldi, o álbum dividido em quatro partes faz uma releitura da canção clássica, com a adição de órgãos e sons de teclado, transformando em uma peça típica do prog sinfônico. É interessante para uma primeira audição, mas depois disso me pareceu um pouco cansativo.

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Banda: Sotho Sounds
Álbum: Junk Funk
Gênero(s): Sotho Tswana Folk Music
Ano: 2012
Idioma: Sotho
Fonte: Spotify

Gênero musical principal do país, contempla vocalizações em coro, evocações a cultura xamânica e posteriormente cristã, geralmente acompanhado de flautas típicas da região, instrumentos étnicos e muita dança. A percussão aqui se dá através de palmas e outras improvisações ao invés de instrumentos propriamente percussivos. O som da gravação as vezes parece um pouco distante, como se todos os instrumentos tivessem sido gravados de forma amadora com um único microfone no centro de uma sala. Voltando a falar dos instrumentos, a banda cria seus próprios instrumentos a partir de materiais recicláveis, o que cria uma instrumentação diferente e crua para o som da banda. É uma experiência estranha, rústica e única.

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Banda: Kapingbdi
Álbum: African Rhythm Rock Jazz From Liberia: West Africa
Gênero(s): Jazz Rock/Fusion, Afro-Jazz
Ano: 1978
Idioma: Inglês
Fonte: Youtube

Aqui temos um som legal que posso indicar sem medo. Álbum de estréia do grupo, temos aqui um Jazz Rock/Fusion com influências pesadas de Afro-Jazz e toques de Funk (o funk da época, não o funk merda do Brasil), num som ligeiramente datado porém bem produzido e executado. Temos a presença de instrumentos étnicos em conjunto ao bom saxofone, flauta e os instrumentos tradicionais do rock. Infelizmente a banda se desfez em 85, em uma carreira curta de 9 anos.

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Banda: Sam Shalabi
Álbum: Eid
Gênero(s): Psychodelic/Space Rock
Ano: 2008
Idioma: Inglês, Árabe
Fonte: Spotify

Sonoridade bastante instrumental e experimental, passagens estranhas, improvisadas, jogadas até. É um álbum hipnotizante de tão estranho, as vezes desagradável, as vezes mágico, as vezes parece que você está sob efeito de alguma droga… É difícil de descrever esta viagem psicodélica criada por Sam Shalabi em um de seus álbuns solo. O músico também participa de inúmeros projetos, que desconheço.

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Banda: François Bayle
Álbum: Erosphère
Gênero(s): Musique concrète
Ano: 1982
Idioma: Instrumental
Fonte: Youtube

Como diz em uma fonte que encontrei, que aparenemente cita o músico como autor da definição, eroesfera é o nome que o mesmo dá para a membrana cujos nervos circundam o nosso mundo com uma rede de ondas moduladas em um número infinito de frequências, e por ai vai um monte de blábláblá sobre vibrações audíveis e mais um monte de maluquices que justificam o que representa o álbum, que é basicamente uma composição de sons já existentes dispostos da forma como o músico considera ser uma música. Sim, ele não compõe e então grava, ele grava um monte de sons desconexos e só então compõe suas músicas. Esta é a base do gênero Musique concrète.

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Banda: Vânia Fernandes
Álbum: Senhora do mar (Negras aguas)
Gênero(s): Pop, Fado
Ano: 2008
Idioma:  Português (PT)
Fonte: Spotify

Madeira: Região autônoma pertencente à Portugal. Como em outros casos, fui obrigado a recorrer a um representante do território no Eurovision. Na verdade eu não consegui nem encontrar um álbum da cantora, e sim apenas um single. O estilo da cantora envolve a soma do gênero fado, música típica portuguesa com características melancólicas acompanhadas por violões, com o pop mainstream típico da maioria dos representantes do Eurovision.

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Banda: Dick Khoza
Álbum: Chapita
Gênero(s): Jazz-Funk, Afro-Jazz
Ano: 1976
Idioma: Chiyanja
Fonte: Youtube

Dick Khoza é (ou foi, não sei se ainda está vivo) um músico nascido em Malawi, mas que passou boa parte de sua vida na Africa do Sul, que lutou para ser músico num momento em que o trabalho para os homens de sua época era praticamente e exclusivamente braçal. O músico se aproveita da repetição para criar a base de suas músicas, que em certos momentos chegam a ser repetitivas, mas sem perder a qualidade, em uma mistura de jazz e funk.

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Banda: Daniel Balavoine
Álbum: Les aventures de Simon et Gunther…
Gênero(s): Crossover Prog, Rock Opera, Chanson
Ano: 1977
Idioma: Francês
Fonte: Spotify

Talvez o único caso em que tive que apelar para um lado soturno, mas para poder incluir esse som diferenciado da curta carreira e vida do músico Daniel Balavoine. Daniel é um músico nascido na França, porém durante os últimos anos de sua vida dedicou-se a caridade na África, especialmente no país onde fez suas últimas ações, Mali. O músico morreu num acidente de avião em Mali em 1986, aos 33 anos. Sobre sua música, temos uma mistura progressiva do rock progressivo dos anos 70, uma espécie de Rock Opera e com o já citado em outros artigos aqui do blog, o Chanson. Por falta de uma boa música de Mali, que fique aqui um músico que foi (i)mortalizado lá…

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Banda: Sawlegen
Álbum: Stories from an Old Empire
Gênero(s): Tech/Extreme Prog Metal, Melodic Black Metal
Ano: 2008
Idioma: Inglês
Fonte: Youtube

Um dos representantes do “metal extremo” mais interessantes dentre os que ouvi. Temos a presença de escalas arábicas, instrumentação folk em alguns momentos, vocais limpos que se tornam guturais no decorrer do álbum, contratando e equilibrado os momentos limpos, os momentos “sujos” e os momentos étnicos. Confesso que em alguns momentos tive dúvida se o vocal era feminino ou masculino. Acredito que tenhamos os dois presentes nos momentos limpos. A presença do piano dosado na medida certa cria uma atmosfera gótica interessante para o conjunto da obra. Pelo que pude verificar a banda é relativamente recente (formada em 2004) e este, por hora, é seu único álbum completo.

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Banda: Malouma
Álbum: Nour
Gênero(s): Moorish Music, Berber Music
Ano: 2007
Idioma:  Árabe
Fonte: Spotify

Aqui temos uma mistura de gêneros, a música Moorish e a música Berber. A música Moorish é típica da Mauritânia, que consiste em músicas poéticas acompanhadas geralmente por dois instrumentos típicos, o tidinit, um alaúde de quatro cordas tocado por um homem e uma ardin, uma harpa-alaúde tocada por uma mulher. Pode-se ter um outro instrumento chamado tbal, uma percussão tocada por uma mulher. Não tenho certeza se sempre seguem isso, mas é a descrição do gênero. É um gênero bastante influenciado pela música típica árabe. Já o gênero Berber é mais abrangente, e inclui uma série de outros subgêneros do noroeste da África. Neste caso especifico, é uma forma de demonstrar uma influência mais pop/rock da música Moorish. Malouma aproveita a música para falar de temas como o papel da mulher na sociedade, direitos humanos, entre outros assuntos políticos. Além de compositora e cantora, Malouma já ocupou diversos cargos políticos em seu país, e segue lutando pelos direitos da mulher e questões do meio ambiente.

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Banda: Mikidache
Álbum: Mgodro Gori
Gênero(s): Comorian Music
Ano: 2006
Idioma: Mahoré
Fonte: Spotify

Mayotte: Território pertencente à França. Assim como em Comores, Mayotte, na mesma região temos como principal expressão musical a música comoriana, conforme descrito no álbum de Maalesh. Neste caso, temos uma abordagem mais pop, com um pouco de fusão à estruturas mainstream. Atualmente o músico tem uma carreira estável e se estabeleceu na França.

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Banda: What the fuck?
Álbum: Whip it, Dad!
Gênero(s): 2010
Ano: Indie Rock
Idioma: Inglês
Fonte: MySpace

Melilla: Cidade autônoma da Espanha. Sobre a banda, nada posso dizer, honestamente. Já foi bem difícil encontrar algum álbum que tenha sido originado em Melilla, pelo menos nos idiomas que pesquisei. Temos aqui uma vocalista feminina, com uma voz rebelde, um ritmo bem quebrado e uma instrumentação que acompanha num som que não é ruim e nem incrível. É fácil de ouvir e balançar a cabeça, ao alto e bom som. Alguns momentos exibem acordes que parecem vir de influências de músicos japonesas especializados em trilhas sonoras. A combinação de certos acordes de teclado e guitarra lembram bastante alguns grandes nomes como Nobuo Uematsu e Motoi Sakuraba, apenas lembram, enquanto algumas estruturas puxam para bandas de metal sinfônico com mulheres no vocal. Confesso que devo ouvir mais algumas vezes.

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Banda: Ghorwane
Álbum: Majurugenta
Gênero(s): Folk, Marrabenta
Ano: 1993
Idioma:  Shangaan, Ronga, Chope e outros idiomas locais
Fonte: Spotify

Gênero moderno da música folk de Moçambique. Aqui temos música orientada a guitarras ou violões, com ritmos rápidos, que fundem gêneros musicais cinquentistas da região com sons estrangeiros, toque de jazz/fusion. O nome da banda foi dado pelo presidente Samora Machel durante um festival, uma palavra que significa “bons garotos”. É o ritmo cativante, cheio de camadas, festivo e dançante. Não consegui descrever, mas há algumas notas muito interessantes de guitarra que acompanham a base de certas músicas, como a primeira faixa, Muthimba.

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Banda: SubMission
Álbum: Blind Sighted
Gênero(s): Tech/Extreme Prog Metal
Ano: 2009
Idioma: Inglês
Fonte: Outros

Vou me resumir a dizer que este álbum foi extremamente difícil de achar, e não valeu o esforço. A qualidade da gravação é amadora, as músicas me pareceram uma repetição da cena Extreme Prog Metal dos anos 90/inicio dos anos 2000, porém numa qualidade inferior. Não encontrei informações adicionais ou relevantes sobre a banda, além de que tem uma formação recente e nada mais lançado depois do presente álbum.

Níger niger-svg

niger-bombino-agadezBanda: Bombino
Álbum: Agadez
Gênero(s): Tishoumaren
Ano: 2011
Idioma:  Tamasheq
Fonte: Spotify

Também conhecido como blues do deserto ou blues Tuareg, Tishoumaren é um gênero com origem dos anos 80, orientado a guitarras elétricas e provindo da música tradicional Tuareg fundido com gêneros como blues ou jazz. Agadez é um álbum histórico para o músico, que marca o retorno a sua cidade, Agadez, em 2010, depois 3 anos de exílio por conta de um conflito no país que resultou na morte de 2 de seus companheiros musicistas. Ao contrário do motivo que o fez partir, Bombino foi convidado pelo Sultão pessoalmente para um concerto em comemoração ao fim do conflito. De uma vida de conflitos para o sucesso internacional, Bombino continua na ativa com sua “guitarra seca” e o blues do deserto.

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Banda: Blo
Álbum: Chapter One
Gênero(s): Psychodelic/Space Rock, Afro Rock
Ano: 1973
Idioma: Inglês
Fonte: Youtube

Uma das bandas precursoras do que considerado “Afro Rock”,  Blo foi uma banda de curta duração (10 anos), provinda de um projeto que fundia jazz com batidas africanas. Para o Blo, os músicos tomaram emprestado influências do rock psicodélico americano para dar um passo além. Infelizmente na época nenhum dos álbuns da banda chegou a fazer sucesso, o que cuminou em seu encerramento. O álbum acabou ganhando o status de “cult” para os colecionadores de rock psicodélico, e na minha humilde opinião, apesar de mamar bastante na influência americana, os toques africanos que se mesclam ao jazz, picados ao longo do álbum, fazem a diferença.

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Banda: Extra Golden
Álbum: Hera Ma Nono
Gênero(s): Boogie Rock, Benga
Ano: 2007
Idioma: Luo, Inglês
Fonte: Spotify

Banda formada por americanos que estudavam a cultura Benga e quenianos. Benga é um gênero popular musical do Quênia, originado nos anos 40, uma mistura de música dancante cubana com ritmos africanos. As guitarras dedilhadas, o clima de “vila” e o rock boogie compõe a sonoridade da banda. Uma curiosidade sobre a banda é a conexão deles com o ex-presidente dos EUA, Barack Obama. Em 2006, o presidente possibilitou o visto dos membros quenianos da banda para tocar nos EUA. Em homenagem, neste presente álbum há uma canção com nome Obama feita em homenagem ao ex-presidente e a ex-primeira dama, Michelle Obama.

Republica Árabe Saaraui Democrática sahrawi_arab_democratic_republic-svg

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Banda: Mariem Hassan
Álbum: El Aaiún Egdat
Gênero(s): Sahwari Music
Ano: 2012
Idioma: Hassaniya
Fonte: Spotify

Estado sem reconhecimento das Nações Unidas, sendo que boa parte de seu território pertence ao Marrocos. A música Sahwari é uma fusão de gêneros étnicos como Berber, árabe, Moorish e música típica do oeste africano. Aqui temos instrumentos étnicos como o tbal, um tambor normalmente tocado por ma mulher, e o tidinit, uma alaúde de quatro cordas tocado por um homem, entretanto podemos ter diferenças nesta formação por conta da dissolução da tradição, usando uma guitarra elétrica como instrumento de corda. Letras são cantadas no dialeto Hassaniya, refletindo tensões políticas na região.

Republica Central da África central_african_republic-svg

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Banda: Laetitia Zonzambé
Álbum: Na Bê Oko
Gênero(s): Pop, Folk
Ano: 2011
Idioma: Sango, Francês
Fonte: Spotify

Considerada a cantora mais influente de seu país, Laetitia soma influências da música popular europeia com elementos caribenhos e folk africanos para criar um som acessível, na medida da aceitação do idioma que utiliza para cantar, o Sango. Laetitia também canta em francês, inglês e em outros idiomas, porém no caso deste álbum, no caso um EP, acredito que só ouvi Sango e francês. É um som legal, vale a pena conferir até porque o EP tem 16 minutos de duração.

Republica de Maurício mauritius-svg

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Banda: Feedback
Álbum: A Moment of Transition
Gênero(s): Progressive Metal
Ano: 1991
Idioma: Inglês
Fonte: Bandcamp

Um dos poucos membros “genuínos” do Prog, especificamente do metal progressivo, temos a banda obscura Feedback. Coloquei aqui a data na qual as músicas foram originalmente gravadas, apesar de que seu lançamento só ocorreu entre 2008 e 2015. Digo isso porque não encontro a real data de lançamento do disco, então só resta supor. O metal progressivo da banda tem raízes no que imagino ser um Neo-Prog, com teclados que lembram Marillion, IQ e Arena. A base das músicas é noventista, sem muitos efeitos e interessante. É um só que infelizmente gostaria de ter acesso ao suposto primeiro álbum “Poison or Cure” (que não encontrei por ai) e um terceiro álbum que desde 2008 diz a banda estar em composição. Para o meu, e talvez o seu, azar, este não seria o primeiro hiato da banda, que começou em 1987, mas ficou entre 1998 e 2006 parada.

Republica Democrática do Congo democratic_republic_of_the_congo-svg

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Banda:Mbongwana Star
Álbum: From Kinshasa
Gênero(s): Tradi-Modern
Ano: 2015
Idioma: Lingala
Fonte: Spotify

O Tradi-Modern é um gênero bem curioso do cenário musical do Congo, uma versão eletrônica da música trance local (não confunda com o psy-trance e afins). Sua origem vem dos anos 70, entretanto as gravações deste gênero somente, a maioria delas, datam dos anos 2000 em diante. É um som tribalista e ao mesmo tempo eletrônico, com elementos artificiais criando um som tipicamente acústico. Confesso que me impressionei, a qualidade é alta e é um som bem interessante e diversificado, uma vez superada a diferença do vocal em Lingala.

Republica do Congo republic_of_the_congo-svg

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Banda: Pamelo Mounk’a
Álbum: Hosana
Gênero(s): Soukous
Ano: 1996
Idioma: Francês
Fonte: Spotify

Soukous é uma mistura de gêneros musicais, como a rumba e outros ritmos latino-americanos, com a música folk do Congo, sendo Pamelo um dos principais contribuintes para a propagação do gênero. Hosana é um EP póstumo lançado no mesmo ano da morte do músico em sua homenagem, contendo 5 faixas que ilustram o ritmo dançante e animado do soukous.

Reunião france-svg

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Banda: Aeon Patronism
Álbum: Through the Paths of Delusion
Gênero(s): Tech/Extreme Prog Metal, Death Metal
Ano: 2014
Idioma: Inglês
Fonte: Bandcamp

Reunião: Território pertencente à França. Álbum de estréia (e único álbum que encontrei) da recente banda Aeon Patronist. A palavra “recente” somada ao território ao qual ela vem pode dizer mais sobre o nada que tenho a dizer sobre ela. O som dos caras é um death metal com alguns toques progressivos que a colocam praticamente no limiar para classifica-los desta maneira. O som, apesar de amador, me agradou em diversos momentos com um instrumental bem quebrado e por vezes “retrô”, me remetendo aos bons anos da banda que começou tudo, o Death.

Ruanda rwanda-svg

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Banda: Cécile Kayirebwa
Álbum: Rwanda
Gênero(s): East African Music
Ano: 1994
Idioma:  Kinyarwanda
Fonte: Spotify

Como já mencionei no perfil do álbum da Khadja Nin, o termo música típica leste africana é um termo genérico. Cécile é uma representante de Ruanda. O nome do álbum é Ruanda, com a menção de “Música de Ruanda”, com influências da música folk local, mas sua relação com o país, especificamente com as estações de rádio local não é muito boa. Em 2013 a musicista processou as rádios por falhar no pagamento dos royalties pelo uso de suas músicas. Sobre seu som, as músicas tem texturas mais orgânicas, acústicas e minimalistas, acompanhando sua voz em cântico, com um aspecto de culto ou rito.

São Tomé e Príncipe sao_tome_and_principe-svg

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Banda: Conjunto África Negra
Álbum: Carambola
Gênero(s): Central African Music
Ano: 1983
Idioma:  Forro, Angolar, Principense (variações do Português)
Fonte: Outros

Gênero já citado no perfil do álbum de Pierre Akendengué, acaba sendo um termo genérico (assim como outros neste artigo). Como a capa de seu álbum, o Conjunto África Negra evoca uma “música de ilha” como parte de seu som dançante e alegre. A banda é uma das maiores de seu país, mais famosa fora dele e continua na ativa, para a surpresa de muitos que, na época de sua fundação, em 74, achavam que não iria para frente, por diversos fatores locais. O grupo foi para fora e com o tempo foi incorporando diferentes gêneros africanos como soukous, o dançante highlife e musica caribenha. Suas músicas são extensas (numa média de 7 minutos), marcadas pela repetição de batidas e sobreposição de ritmos.

Seicheles seychelles-svg

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Banda: Dezil’
Álbum: Black Queen
Gênero(s): Seggae
Ano: 2009
Idioma:  Francês, Inglês
Fonte: Spotify

Um reggae diferente, fundido com um gênero popular de música de Seychelles chamado Séga. Séga é um gênero de música ritualística do século 18, originada em comunidades de escravos. Pode variar bastante dependendo da região, entretanto, o ritmo é bem marcado, num tempo de 6/8, além de letras que falam sobre o dia-a-dia e até sobre as condições de seus antepassados. É uma música bem acessível, pop demais pra mim, instrumentos artificiais e vozes com efeitos.

Senegal senegal-svg

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Banda: Aiyb Dieng
Álbum: Rhythmagick
Gênero(s): Jazz Rock/Fusion, Afro Jazz
Ano: 1996
Idioma: Instrumental
Fonte: Spotify

Único álbum até então solo do baterista e percussionista Aiyb Dieng. O músico já tocou com Brian Eno, Mick Jagger e Bob Marley. Seu álbum solo soma ao Jazz Fusion suas influências do jazz africano, bem como se aproveita do seu virtuosismo percussionista para criar paisagens sonoras. Confesso que falta um pouco de sal mas tem seu mérito com a influência do jazz africano.

Serra Leoa sierra_leone-svg

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Banda: Sierra Leone’s Refugee All Stars
Álbum: Libation
Gênero(s): Folk, Palm Wine Music, Reggae
Ano: 2014
Idioma:  Inglês, Krio e mais 5 idiomas
Fonte: Spotify

Uma das atuais bandas representantes do gênero Palm Wine, que consiste na fusão da música folk da África com o calypso caribenho. Temos percussão e violões dedilhados como principais instrumentos e toques de reggae e soul. A banda foi formada em um campo de concentração na Guine durante a Guerra Civil da Serra Leoa, e após o retorno a o seu país de origem, em 2004, a banda tem cantado pelo mundo sobre causas humanitárias e ilustrando seu sofrimento como um contraexemplo de um mundo melhor. São letras otimistas, mas com um fundo melancólico em alguns de seus álbuns. Desde sua criação, a banda já tocou no SXSW, participou da trilha sonora do filme Diamante de Sangue e já trabalhou com grandes nomes como U2, Keith Richards e Paul McCartney.

Socotra yemen-svg

socotra-myke-dodge-weiskopf-socotra-soundsBanda: Myke Dodge Weiskopf
Álbum: Socotra Sounds
Gênero(s): Field Recordings
Ano: 2013
Idioma:  Instrumental (com gravações no idioma local)
Fonte: Soundcloud

Socotra: Território autônomo pertencente ao Iêmen. Aqui tive que usar do limiar da sua consideração para trazer algo de Socotra. Na falta de artistas locais, escolhi alguem que fez gravações dos artistas, pessoas, e barulhos, locais. Myke Dodge Weiskopf não é um nativo de Socotra, nem faz música nativa do país, mas seu estilo de música faz a diferença que precisava para usar como desculpa para ele estar presente nesta seleção. Field Recordings é um gênero musical que se usa exclusivamente de reproduções ou montagens de gravações feitas a esmo. Qualquer coisa serve: de pessoas declamando poemas ao som da cidade movimentada ao vento que assovia pelo deserto, e bom, é exatamente isso que você vai ter com este álbum.

Somália somalia-svg

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Banda: Waaberi
Álbum: New Dawn
Gênero(s): Qaarami
Ano: 1997
Idioma:  Somali
Fonte: Spotify

O gênero Qaarami é datado dos anos 40, como uma música popular da Somália, com uso do oud como prinicpal instrumento. Escalas pentatônicas, influências da música pop árabe, então jazz, soul e funk. A banda Waaberi, estabelecida pelo Ministério da Informação e Orientação Nacional é o principal veículo de preservação e divulgação do gênero no país. Seu som lembra outros ritmos africanos e árabes mencionados aqui. Em seu pais, Waaberi é considerado um supergrupo, pelo qual inúmeros músicos famosos locais já passaram, inclusive a primeira cantora de jazz somali, Maryam Mursal.

Suazilândia swaziland-svg

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Banda: Bholoja
Álbum: Swazi Soul
Gênero(s): Southern African Music, Soul
Ano: 2010
Idioma:  Swazi, Inglês
Fonte: Spotify

Mais uma definição genérica para diversos gêneros musicais tradicionais do sul da África, que geralmente são ilustrados por sons étnicos locais fundidos com gêneros estrangeiros, como neste caso, o soul. Bholoja, ou Mbongiseni Ngubane, é o artista mais famoso e reconhecido de seu país, com anos consecutivos como o artista mais vendido no país além de inúmeros premios locais. Seu som me lembra os álbuns solo do Sting, mas com uma mistura de diferentes estilos africanos combinados com o Soul em alguns momentos. É um álbum bem acessível e agradável.

Sudão sudan-svg

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Banda: عبد القادر سالم (Abdel Gadir Salim)
Álbum: Nujum Al-Lail (Stars of the Night)
Gênero(s): Nubian Music
Ano: 1990
Idioma:  Árabe
Fonte: Spotify

Música típica da região ao redor do rio Nilo. Tem influência principal na música árabe e incorpora instrumentos como um tipo de lira da região e um tamborim de mão chamado tar. Os ritmos usados por Salim em suas músicas são inspirados em canções tradicionais egípcias e sudanesas, e suas letras remetem a cultura local. Para este álbum, temos canções longas, mais lentas e bem trabalhadas em camadas instrumentais compostas em escalas egípcias e aparentemente árabes. Algumas estruturas de sua música lembram estruturas do Prog, o que aos meus ouvidos tornou o álbum mais atraente.

Sudão do Sul south_sudan-svg

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Banda: Emmanuel Jal & عبد القادر سالم (Abdel Gadir Salim)
Álbum: Ceasefire
Gênero(s): Nubian Music, Hip Hop
Ano: 2005
Idioma:  Árabe, Inglês, Swahali, Dinka, Nuer
Fonte: Spotify

Um blend gênero descrito no álbum anterior, a música Núbia (inclusive é o mesmo artista, Abdel Gadir Salim), com o hip hop politico de Emmanuel Jal, que além de músico é um ativista político e ator. A história do músico é bem complicada. Com a Segunda Guerra Civil Sudanesa, seu pai foi recrutado pelo exército e sua mãe morta quando ele tinha apenas sete anos. Nesta mesma idade, junto com milhares de crianças, Emmanuel foi um soldado criança usado na guerra. Aos 11 anos ele foi adotado e contrabandeado (no bom sentido) para o Quênia, onde teve uma educação decente, que serviu de base para o seu futuro como músico e ativista, usando o hip hop como forma de expressão para passar ao mundo mensagens anti tudo aquilo que sofreu.

Tanzânia tanzania-svg

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Banda: Sunburst
Álbum: Ave Africa
Gênero(s): Jazz Rock/Fusion, Afro-Rock
Ano: 1977
Idioma: Vários idiomas locais
Fonte: Spotify

Existem vários grupos chamados Sunburst, o que dificultou um pouco minha pesquisa sobre a banda, mas vamos lá. Sunburst é uma banda dos anos 70 que tentou criar um Jazz Rock/Fusion com influências africanas, mas não sobreviveu por mais do que 4 anos. Ave Africa é o resultado das gravações do grupo, que possuem membros de seis países diferentes. Cada membro adicionou suas influências folk num trabalho bem variado e interessante.

Togo togo-svg

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Banda: King Mensah
Álbum: Madjo
Gênero(s): Ewe Music
Ano: 1996
Idioma:  Ewé, Mina, Francês
Fonte: Spotify

Principal representante moderno da música Ewe, King Mensah mistura este gênero do oeste africano com diversas influências de músicas locais da região, jazz e reggae. O Ewe é um gênero complexo, orientado a percussão, com ritmos extremamente quebrados, com poliritmos em 3:2 e 3:8. Além de sua posição no gênero, King Mensah é um dos músicos mais influentes de Togo e desde 2005 tem feito vários turnês mundiais, propagando com suas letras mensagens de encorajamento aos oprimidos, órfãos e outras minorias. Seu som é bem consistente, dançante e sonoramente complexo em alguns momentos.

Tunísia tunisia-svg

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Banda: Myrath
Álbum: Legacy
Gênero(s): Progressive Metal
Ano: 2016
Idioma: Inglês
Fonte: Spotify

Metal power/progressivo com influências na música árabe, um legado que a banda trouxe de suas raízes, assim como seu nome significa (Myrath = Legado, em persa). A parte do metal power/progressivo veio das origens da banda, que foi inicialmente um cover de Symphony X. É um som que pesa bem mais para este lado tradicional no metal no qual está incluído, mas as escalas arábicas e estilização no vocal fazem toda a diferença. Uma resenha boa parte este disco pode ser lida aqui, no blog parceiro RockEmBalboa.

Uganda mexico-svg

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Banda: Vale of Amonition
Álbum: Of a Painting Grim
Gênero(s): Tech/Extreme Prog Metal, Doom Metal
Ano: 2016
Idioma: Inglês
Fonte: Bandcamp

Um pequeno single de 16 minutos e meio direto de Uganda. A banda em si tem diversos singles, demos e EPs, incluindo um álbum chamado Those of Metal Afar (2013), porém este e um outro single disponível no Bandcamp na banda foram os itens mais acessíveis que encontrei. Segundo algumas fontes a banda começou como um “blues/heavy metal” até migrar para o Doom metal. Temos um vocal grave, um som denso e obscuro, que é completado por um vocal gutural agudo. Achei o contraste legal, apesar de ser algo já feito por muitos. A qualidade da gravação é boa, produzida por um dos 3 membros da banda. Confesso que o que me atraiu primeiramente foi a capa do disco. Valeu os 16 minutos e meios gastos (pelo menos 3 vezes).

Zâmbia zambia-svg

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Banda: The Peace
Álbum: Black Power
Gênero(s): Psychodelic/Space Rock, Zamrock
Ano: 1975
Idioma: Inglês
Fonte: Youtube

Numa mistura entre o rock psicodélico de Jimi Hendrix e o funk de James Brown, define-se o ritmo africano Zamrock, do qual The Peace é um de seus principais nome. Para o país, o gênero influenciou gerações e movimentou o cenário musical local, entretanto, não há muito de interessante no sentido da inovação. Basicamente temos momentos que evocam os dois nomes anteriormente citados, mas sem o brilhantismo de cada um. Ainda sim, este é um álbum que merece seu respeito pela influência que teve em sua época.

Zimbábue zimbabwe-svg

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Banda: Otis Waygood Blues Band
Álbum: Otis Waygood Blues Band
Gênero(s): Psychodelic/Space Rock, Blues Rock
Ano: 1970
Idioma: Inglês
Fonte: Spotify

Finalizando os álbuns desta jornada imensa, temos uma banda de rock psicodélico/blues rock do Zimbábue. A banda tem um som puxado bem mais para o blues rock tradicional do que para o psicodélico, mas possui elementos que o incluem neste gênero. A banda teve uma duração de 10 anos, se dissolvendo em 1979. O mais bizarro é que o nome da banda veio da fusão de duas empresas de elevadores da época, Waygood e Otis (esta inclusive bastante presente aqui no Brasil).


Ceuta ceuta-svg

Cidade autônoma da Espanha. Não consegui informações sobre a música local, apenas uma menção da Orquesta Joven Sabor, uma banda local de música variada.

Puntlândia puntland-svg

Estado autônomo da Somália (apesar de não estar no momento procurando reconhecimento internacional como uma nação). Somente consegui encontrar artistas de Pop ou Pop Folk (misturando Pop com um ritmo estereotipado árabe/turco), como da cantora Yurub Gennyo. Alguns clipes podem ser encontrados no Youtube, porém não consegui um álbum completo.

Santa Helena, Ascensão e Tristão da Cunha united_kingdom-svg

Território pertencente ao Reino Unido. Não encontrei muitas informações sobre a música local, apenas uma menção pertinente da Gettogethers Orchestra, que toca musicas natalinas em eventos no fim do ano em Santa Helena.

Somalilândia somaliland-svg

Estado independente da Somália. Mesmo na música Pop e Folk local, não encontrei nada que pudesse ser um álbum completo para inserir aqui. Vale a pena mencionar um fato interessante sobre uma artista local, Guduuda ‘Arwo, a primeira cantora a ter sua voz gravada no país. Infelizmente sua fama e carreira em ascensão se encerrou com um infarto que a deixou paralisada até os dias atuais.

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Um pensamento sobre “O Prog e a música ao redor do mundo – Parte 4: África

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