Musicalizando

O Prog e a música ao redor do mundo – Parte 3: Asia

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Chegamos na metade da matéria, e onde as coisas começaram a se complicar, mas não a ponto de minar meus esforços como foi o caso com a África. Há predominância do metal progressivo para continente asiático e para os gêneros não-Prog, o Folk. A pesquisa aqui foi bem mais árdua do que na América e na Europa. Os frutos compensaram, ainda que não haja tanta variedade de subgêneros do Prog. Sem enrolação, vamos nessa.

Afeganistão afghanistan-svg

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Banda: District Unknown
Álbum: Anatomy of a 24 Lifetime
Gênero(s): Progressive Metal
Ano: 2014
Idioma: Inglês
Fonte: Spotify

Abrindo esta parte da matéria já com o subgênero predominante, Districk Unknown é a primeira banda de metal da região, que mistura o som o metal progressivo a elementos do Psychodelic/Space Rock, Groove Metal e Doom Metal. Infelizmente não é o tipo de linha vocal que gosto, que no caso é uma espécie de vocais gritados (harsh) bem amadores. O vocal limpo é bem árabe e interessante, se predominasse acredito que teria mais afinidade. A banda é datada de 2008 e possui apenas este álbum e um EP de 2016, entretanto há reconhecimento internacional da banda em diversos veículos e premiações de metal.

Arábia Saudita saudi_arabia-svg

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Banda: Δημήτρης Παπαδημητρίου (Dimitris Papadimitriou)
Álbum: Topia
Gênero(s): Progressive Electronic
Ano: 1982
Idioma: Instrumental
Fonte: Outros

Primeiro de muitos álbuns do compositor de trilhas sonora Dimitris Papadimitriou. Sua sonoridade deve ser interpretada como tal. O álbum possui composições semelhantes a trilhas sonoras de filmes dos anos 80, bem como alguns pontos de semelhança com outros nomes da música eletrônica da época como Kraftwerk e Jean Michael-Jarre. Infelizmente há um professor famoso com este mesmo nome e temos a barreira linguística do grego (apesar de ter nascido na Arábia Saudita) que acabaram diminuindo meus resultados. Já não foi fácil encontrar o álbum…

Armênia armenia-svg

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Banda: Zartong
Álbum: Zartong
Gênero(s): Prog Folk
Ano: 1979
Idioma: Armeno
Fonte: Youtube

Banda da época da URSS, no caso onde hoje fica a Armênia. Apesar da origem, este álbum especificamente foi gravado na França por impedimentos locais. Foi o único disco da banda, que se encerrou logo algum tempo após, segundo algumas fontes. Há presença de instrumentos étnicos, a forma de cantar típica das músicas da região, e uma mistura com elementos do Psychodelic Space/Rock pode ser identificada. As partes instrumentais são bem extensas e em alguns momentos são compostas por justaposição de camadas de texturas sonoras que se alternam. É um álbum interessante por conta das entradas da música local, que dão um sabor diferente a um som que poderia ser classificado como datado sem estes elementos.

Azerbaijão azerbaijan-svg

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Banda: Pyraweed
Álbum: Pyraweed
Gênero(s)Psychodelic/Space Rock, Stoner Rock, Doom Metal
Ano: 2015
Idioma: Inglês
Fonte: Youtube

Com quatro faixas extensas que somam elementos de Stoner e Doom no Psychodelic Rock para criar uma atmosfera lenta e pesada, o álbum do Pyraweed foi uma audição difícil para mim. Mais uma vez o vocal rouco e rasgado me incomodou nesta atmosfera exaustiva. As guitarras são bem distorcidas e graves, num ritmo de compassos bem espaçados. Neste álbum ainda tínhamos a presença exclusiva de Nijat Hasanzadeh como único multi-instrumentista, entretanto, logo após este lançamento o Pyraweed se tornou uma banda completa.

Bahrein bahrain-svg

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Banda: Osiris
Álbum: Osiris
Gênero(s)Neo-Prog
Ano: 1982
Idioma: Inglês
Fonte: Spotify

Apesar de bandas como Marillion e IQ serem consideradas as precursoras do Neo-Prog, na mesma época, em Bahrein, surgiu uma banda que com certeza só pode ser classificada como Neo-Prog. A banda Osiris tem uma sonoridade semelhante à destas bandas, apesar de haver certeza que não tiveram contato entre si. Enquanto no Marillion temos Mark Kelly como seu tecladista, o diferencial do Osiris vem da formação que inclui um tecladista principal e dois “backing tecladistas”, sendo um deles também responsável pelos pianos do álbum e o outro pelos trechos de órgão, portanto espere várias texturas de teclado combinadas ao invés de apenas uma. Não consegui maiores informações sobre a banda, se encontra na ativa ainda, mas o último álbum lançado pela banda, um ao vivo, é de 2010.

Bangladesh bangladesh-svg

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Banda: Artcell
Álbum: Oniket Prantor
Gênero(s)Progressive Metal
Ano: 2006
Idioma: Bengali
Fonte: Youtube

Álbum de metal progressivo mais levecom toques de elementos étnicos, um vocal emotivo no idioma local e composto por diversos momentos, um boa pedida para os amantes do gênero. Em alguns momentos se aproxima mais de um Crossover Prog do que de um Prog Metal, mas ainda sim no geral considerado metal progressivo. A banda é uma das maiores frentes do rock progressivo nacional em seu país, porém apenas com 2 discos lançados em 17 anos de carreira. Um dos principais motivos da fama nacional do Artcell, segundo algumas fontes, é a intelectualidade de suas letras. Não sai em uma busca mais profundas sobre este motivo, somente o fato de que o Artcell é popular com os jovens e possui diversos membros fora da banda que escrevem tais letras.

Butão bhutan-svg

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Banda: Tashi Dorji & Frank Meadows
Álbum: Number Six is Sacred
Gênero(s): Avant-Folk
Ano: 2014
Idioma: Instrumental
FonteBandcamp

Mais uma vez temos a presença do termo Avant, que faz jus ao meu conceito de Avant = Bagunça. Bom, como descrever? Improvisações, toques de free-jazz, dissonância, um violão e um baixo vertical, alguns momentos esfregando algo na corda, enfim… O álbum está disponível online e em… Fita cassete. Mais avant impossível.

Camboja cambodia-svg

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Banda: Sonny Thet
Álbum: Zauberland
Gênero(s): Prog Folk
Ano: 2005
Idioma: Instrumental
Fonte: Spotify

Nascido no Camboja e atualmente morando na Alemanha, Sonny Thet é um excelente violoncelista que participa da banda alemã Bayon, também do gênero Prog Folk. Como artista solo, ele possui dos lançamentos instrumentais que se aproveitam do melhor de sua habilidade e virtuosismo. É um álbum agradável e belo, mas é o tipo de música que sei que nem todo mundo tem paciência de apreciar hoje em dia.

Cazaquistão kazakhstan-svg

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Banda: Роман Хрусталёв (Roman Khrustalev)
Álbum: Fireborn
Gênero(s): Progressive Metal
Ano: 2015
Idioma: Instrumental
Fonte: Youtube

Por conta de barreiras linguísticas, não consegui muitos detalhes sobre Roman Khrustalev. Multi-instrumentista, aparentemente grava todos os instrumentos de seus quatro lançamentos (sendo Fireborn o melhor cotado) parcialmente virtuais, parcialmente físicos. O músico usa alguns sons de orquestra virtuais para criar uma ambientação sinfônica que achei um pouco cansativa, até pela duração do álbum de mais de 1 hora. Ainda sim, temos alguns bons momentos e solos agradáveis.

China china-svg

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Banda: 惘闻 (Wangwen)
Álbum: 岁月鸿沟 (Sweet Home, Go!)
Gênero(s)Post-Rock/Math Rock
Ano: 2016
Idioma: Instrumental
Fonte: Spotify

Até gostaria de ter selecionado alguma banda que cantasse em algum idioma local, entretanto minhas fontes apontaram para Wangwen como um álbum de peso. E sim, realmente é um tanto quanto intrigante. Formada em 1999 e influenciada pelo lado obscuro do The Smashing Pumpkins, a banda levou o conceito deste som ao extremo, criando atmosfera sonoras de momentos melancólicos a até agressivos, em composições bem longas e com texturas trabalhadas ao longo das camadas adicionadas. Com certeza é bem mais pendente para o Post-Rock do que o Math Rock. A banda também é conhecida pelo ritmo acelerado de produção, com uma média de um lançamento a cada um ano e meio mais ou menos.

Chipre cyprus-svg

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Banda: Diphtheria
Álbum: To Wait For Fire
Gênero(s): Heavy Metal
Ano: 2008
Idioma: Inglês
Fonte: Spotify

Uma banda nomeada com o nome de uma doença não necessariamente significa que seu som será doentio ou nos deixar doente com a má qualidade. Neste caso podemos chegar próximo da segunda opção. É um mais do mesmo bem previsível, gravação fraca, nada se destaca. Não há muito por ai sobre a banda, e ao que parece, ela continua ativa, apesar deste ser seu único lançamento completo depois de um hiato de longos 8 anos por conta de outros compromissos da banda.

Coreia do Norte north_korea-svg

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Banda: Akio Suzuki
Álbum: Stone
Gênero(s): Avant-Folk
Ano: 1994
Idioma: Instrumental
Fonte: Youtube

Minha primeira reação foi “OMG, um álbum da Coreia do Norte!”. Independente de seu conteúdo, foi um feito pessoal, afinal, a Coreia do Norte é um reduto de reclusão e censura como nenhum outro território no mundo. Neste caso, temos Akio Suzuki, nascido na Coreia do Norte e atualmente morando no Japão (na verdade desde os 4 anos, mas sim, ele é da Coreia do Norte, e isso que importa neste caso). Aqui temos mais um caso de Avant-Folk. Ouvir Stone não faz muito sentido se você não sabe o que está acontecendo. Pelo que vi o álbum vem acompanhado de um livro além da performance visual. Posso estar enganado, mas os sons gravados neste álbum foram feitos com um objeto de lata, que está furado e passado por um cabo de aço texturizado. Conforme o objeto vai de uma ponta a outra, conforme a curvatura do cabo, sons diferentes são produzidos. Acho que daqui você pode tirar uma conclusão melhor.

Coreia do Sul south_korea-svg

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Banda: 김정미 (Kim Jung Mi)
Álbum: Now
Gênero(s): Psychodelic/Space Rock, Psychodelic Folk
Ano: 1973
Idioma: Coreano
Fonte: Spotify

Álbum melhor cotado da artista sul-coreana Kim Jung Mi, o álbum evoca elementos da natureza em seu conceito, tanto na parte das letras quanto da sonoridade. O álbum segue um pouco do rock psicodélico da época, no lado mais acústico da psicodelia, com a parte folk coreana principalmente na entonação vocal. A artista atualmente tem 63 anos, e não encontrei mais lançamentos posteriores aos anos 80.

Emirados Árabes united_arab_emirates-svg

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Banda: Absolace
Álbum: Fractals
Gênero(s): Progressive Metal
Ano: 2012
Idioma: Inglês
Fonte: Spotify

Direto de um dos territórios mais ricos do mundo, temos o Absolace, de Dubai, nos Emirados Árabes. O álbum é uma mistura de metal progressivo com toques de Post Metal, muito bem produzido e fluído. Difícil não citar influência de Tool na sonoridade e no vocal. Riffs extensos, obscuros e pesados, além desta atmosfera alternativa que o Post Metal proporciona. Este é o segundo lançamento da banda, que aparentemente é recente. Em 2015 o vocalista da banda, Nadim Jamal anunciou sua saída da banda, e desde então não encontrei mais noticias sobre.

Filipinas philippines-svg

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Banda: Fuseboxx
Álbum: Animated
Gênero(s): Progressive Metal
Ano: 2011
Idioma: Inglês, Filipino
Fonte: Spotify

Com nome e capa de álbum de música eletrônica mainstream, por um momento quase descartei esta escolha. Uma das primeiras bandas de metal progressivo do país, Fuseboxx funde ao metal progressivo influências como música eletrônica, new age, alguns temas pop, com um instrumental acompanhado por um vocal feminino. Não tem muito de inovador na maioria de suas passagens, mas é uma banda de certa forma interessante.

Georgia georgia-svg

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Banda: LaoZi
Álbum: Somewhere Up
Gênero(s)Progressive Eletronic
Ano: 2011
Idioma: Instrumental
Fonte: Youtube

Progressivo eletrônico com fortes influências da música clássica misturado com ambient/noise encabeçado pelo músico georgiano Sandro Tskitishvili. Este é apenas um dos sete álbuns lançados de forma independente pelo músico, que trabalha sozinho com as paisagens sonoras que compõe sem álbum. É um álbum bem calmo, relaxante, para alguns entediante e monótono. De qualquer forma, a mistura aqui apresentada vale a pena ser conferida.

Hong Kong hong_kong-svg

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Banda: Mystic Dream
Álbum: For the Sake of Humanity
Gênero(s)Progressive Metal
Ano: 2013
Idioma: Inglês
Fonte: Spotify

Hong Kong: Região administrativa especial da China. Mais um para o rol do metal progressivo, me agradou um pouco mais que os demais, apesar de possuir uma formação e uma estrutura mais padrão do metal progressivo inspirado pelo Dream Theater. Acho que a criatividade aqui se dá mais nas composições equilibradas do que em um fator inovativo em si. A banda foi formada em 2004 porém seu primeiro e único lançamento até o momento é o presente álbum, lançado de forma independente.

Iêmen yemen-svg

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Banda: Mohammed Ismâ’îl al-Khamîsî
Álbum: Chant et percussion
Gênero(s): Folk
Ano: 2006
Idioma: Instrumental
Fonte: Spotify

O mundo da música folk mundial pode trazer algumas coisas um tanto quanto obscuras. Listo aqui como instrumental apesar de haver uma letra nas músicas pois neste caso não julguei que o vocal funcione como sua função normal, e sim como um instrumento que completa esse outro instrumento esquisito da capa, o gamelão. Como menciono, o vocal aqui é um cântico bem estranho, quase que uma oração. A qualidade da gravação é questionável e a extensão das músicas é difícil de suportar no meu caso que não me identifiquei com o álbum.

Ilhas Cocos (Keeling) cocos_keeling_islands-svg

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Banda: blΔnc
Álbum: Windows
Gênero(s): Electronic, House, Experimental
Ano: 2013
Idioma: Inglês
Fonte: Outros

Ilhas Cocos: Território pertence à Austrália. Um álbum que achei por acaso, uma música eletrônica experimental, um pouco mais densa que o usual, mais melancólica. O trabalho é uma junção dos músicos virtuais blΔnc e Unimog. Digo virtuais pois são como fantasmas na internet. Deixam seu trabalho livre por ai e é isso. Ouvi outros trabalhos de blΔnc, que me despertaram um interesse maior sobre sua música. O álbum chega a ser tão obscuro no sentimento que transmite com suas músicas que até mesmo a música que deveria ser “feliz” (cujo nome é “Happy”) é a mais depressiva dentre as demais. Recomendo para quem curte música eletrônica e até mesmo para quem não costuma ouvir tanto.

Índia india-svg

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Banda: Skyharbor
Álbum: Blinding White Noise: Illusion & Chaos
Gênero(s): Tech/Extreme Prog Metal
Ano: 2012
Idioma: Inglês
Fonte: Spotify

Álbum duplo sonoramente conceitual, do projeto Skyharbor iniciado pelo guitarrista indiano Keshav Dhar. O primeiro “disco”, Illusion, tem uma sonoridade mais melódica e etérea, com um dos melhores e mais técnicos vocalistas do Tech/Extreme Prog Metal, Daniel Tompkins, da banda TesseracT. Já Chaos é bem mais intenso e agressivo, contando com o vocalista Sunneith Revankar da banda indiana de Groove Metal Bhayanak Maut. Nas faixas Catharsis e Celestial temos como convidado nos solos o ex-guitarrista do Megadeth Marty Friedman. Ambos os “discos” contam com camadas de guitarra distorcidas para dar um som ambient, além de efeitos aplicados em outros instrumentos, dando um ar bem etéreo e viajado a diversos momentos. Destaque pessoal para a faixa Maeva, que conta com algumas técnicas de vocais absurdamente sensacionais de Tompkins. Minha preferência é bem maior para o disco Illusion, mas Chaos tem seus méritos. Sobre a banda, atualmente a formação conta com um vocalista diferente dos demais deste álbum, Eric Emery, e a banda aparentemente se prepara para o lançamento de um terceiro álbum, entretanto, do presente álbum para o segundo, já podem ser notadas maiores influências mainstream pop no som da banda, diferente da sonoridade deste álbum, bem mais moderna, semelhante à sonoridade do álbum Polaris do TesseracT.

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Banda: Harry Roesli
Álbum: Titik Api
Gênero(s)RIO/Avant-Prog
Ano: 1976
Idioma: Indonésio
Fonte: Youtube

Um dos álbuns melhor cotados do músico Djauhar Zaharsjah Fachruddin Roesli, também conhecido como Harry Roesli, Titik Api cai na onda do Prog bagunça, que mistura “estruturas” do Avant-Prog, como o caso de seu precursor, Frank Zappa, com elementos da música tradicional local. Espere camadas de sons metálicos e percussão étnica, com linhas de bateria extremamente quebradas, numa bagunça de sons que tentam se ordenar. Não é um álbum fácil de ouvir. Assim como outros músicos do Avant-Prog, Harry produziu dezenas de álbuns em seu período de atividade, entre 1972 e 2001. Harry Roesli faleceu em 2004, porém deixou um legado para o Prog em seu país, e um de seus álbuns é considerado pela revista Rolling Stone um dos mais influentes nacionais na Indonésia.

Irã iran-svg

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Banda: Mavara
Álbum: Season of Salvation
Gênero(s): Crossover Prog, Progressive Metal
Ano: 2011
Idioma: Inglês
Fonte: Spotify

Uma das bandas que mais agradou meus ouvidos em continuas audições, os iranianos do Mavara fazem um som que pende numa balança entre o Crossover Prog e o metal progressivo. Com um som, principalmente da guitarra, semelhante ao Riverside, uma das bandas mais representativas do metal progressivo, Season of Salvation conta com belíssimos momentos tanto de guitarra quanto no teclado, bem como um vocal que combina com a sonoridade da banda. Desta fase asiática, com certeza é o álbum que mais recomendo. O presente álbum é o último lançamento completo da banda, que vem sofrendo com algumas mudanças. Há um lançamento esperado desde 2015, chamado Consciousness, cujo primeiro single já foi lançado no Bandcamp da banda.

Iraque iraq-svg

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Banda: Al Basim
Álbum: Revival
Gênero(s): Eclectic Prog
Ano: 1979
Idioma: Instrumental
Fonte: Youtube

Uma mistura de Eclectic Prog pós King Crimson/Van Der Graaf Generator com influências de jazz/fusion e música árabe. O álbum tem seus pontos interessantes, mas acaba caindo na bagunça que as vezes temos no Eclectic Prog quando o mesmo pende ao Avant. O álbum na época de seu lançamento não teve muito sucesso, bem como Al Basim, mas como pensando no Prog em seu país, é um álbum representativo. Há predominância nos sons de flauta e guitarra, e nas escalas arábicas, em 5 faixas longas e viajadas.

Israel israel-svg

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Banda: אפרת (Ephrat)
Álbum: No One’s Words
Gênero(s): Heavy Prog
Ano: 2008
Idioma: Inglês
Fonte: Spotify

Um álbum com grandes nomes, grandes expectativas, mas infelizmente quase que passou desapercebido pela minha playlist. Mixado por Steven Wilson, com Daniel Gildenlow (Pain of Salvation) entre os convidados, o álbum não convence ao fazer um Heavy Prog moderno que chega a pender para o Post-Metal com notável influência de Tool. Infelizmente são muitas as bandas que repetiram esta formula em determinados contextos, e como não há muita inovação no Ephrat, infelizmente pensei até em coletar outra referência para a lista, mas não é só de pérolas que estamos falando aqui, correto?

Jammu e Caxemira indian_kashmir-svg

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Banda: Shivkumar Sharma
Álbum: Meethi Meethi Jot Jagdi
Gênero(s): Hindustani classical music
Ano: 2015
Idioma: Hindi
Fonte: Spotify

Jammu e Caxemira: Estado independente pertencente à Índia. Hindustani classical music pode ser definido como a música étnica com o uso de instrumentos locais e vocalização no estilo de cântico (mas sem parecer uma oração). No caso de Shivkumar Sharma, o instrumento principal é o Santoor, uma espécie de Dulcimer, um instrumento onde se bate nas cordas. Neste álbum podemos ouvir não só o Santoor, porém outros instrumentos locais cujos nomes eu desconheço. Shivkumar é conhecido mundialmente por trilhas sonoras de filmes indianos, com 3 discos de platina e um disco de ouro.

Japão japan-svg

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Banda: Hiromi (Trio Project)
Álbum: Voice
Gênero(s): Jazz Rock/Fusion
Ano: 2011
Idioma: Instrumental
Fonte: Spotify

Esta foi uma escolha proposital. Hiromi Uehara é uma pianista japonesa mais conhecida principalmente no mundo do jazz, mas ela não é como muitos outros que se aventuram por este universo jazzista. Em primeiro lugar, suas composições transcendem gêneros, são enérgicas, coletam influências clássicas, progressiva, pop, fusion, música japonesa, músicas tradicionais, bossa nova e por ai vai. Esse blend criado por Hiromi é único, somado a sua técnica virtuosa absurdamente insana. Tive a oportunidade de presenciar essa técnica em 2016 em uma apresentação em São Paulo. Ela pula, grita, dança, enquanto sua mão desaparece nos momentos mais enérgicos. Escolhi este presente álbum por ser o momento mais equilibrado de sua carreira e o álbum que mais elenca diferentes gêneros, as vezes dentro da mesma faixa. No caso deste álbum, ela é acompanhada pelo baixista Anthony Jackson (Madonna, Chick Corea, Pat Metheny, Alejando Sanz, Simon & Garfunkel) e pelo baterista Simon Phillips (Jeff Beck, The Who, Judas Priest, Jon Anderson, Tears for Fears, Mike Oldfield), dois gigantes do meio, veja as referências. Destaque para as faixas Flashback, Desire e principalmente a faixa título.

Jordão jordan-svg

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Banda: Atomos
Álbum: Ressurection
Gênero(s)Tech/Extreme Metal, Progressive Death Metal
Ano: 2010
Idioma: Inglês
Fonte: Youtube

Mais do mesmo no quesito Death Metal, só que do Jordão. A banda é relativamente recente, com inicio em 2005, e continua na ativa. Pelo que encontrei, somente temos o presente álbum como lançamento completo. É como sempre menciono, pra quem gosta do mais do mesmo dentro do gênero especificamente, talvez seja uma boa pedida.

Kuwait kuwait-svg

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Banda: Bader Nana
Álbum: Wormwood
Gênero(s): Neo-Prog
Ano: 2012
Idioma: Inglês
Fonte: Spotify

Álbum independente produzido pelo multi-instrumentista Bader Nana (este é o nome do músico). Este é o primeiro álbum autoral do músico, que já havia lançado álbuns com versão metal de trilhas de jogos como God of War e Assassins Creed. É um Neo-Prog nos moldes mais modernos, com alguns toques de metal progressivo, até por conta da guitarra ser o instrumento principal de Bader Nana. A qualidade do álbum é boa, e não sei dizer o que foi virtualizado aqui e o que foi gravado fisicamente. Não há nada de muito inovador, nem de destaque, mas ainda sim, o vocal de Bader é satisfatório e a qualidade das músicas em geral é também.

Laos laos-svg

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Banda: ปฐมพร ปฐมพร [Pathomporn Pathomporn]
Álbum: พราย (Pry)
Gênero(s): Crossover Prog, Art Rock
Ano: 1991
Idioma: Tailandês
Fonte: Youtube

Por conta de barreiras linguísticas, vou ficar devendo detalhes deste caso. Ao que parece, este é o nome ou o nome artístico do músico nascido no Laos em 1962. Ao todo consegui encontrar 8 álbuns em sua carreira que data de 1989 até 2008, não encontrei mais nada posterior a isso. É um Crossover Prog bem genérico, um pouco datado e com influências de Neo-Prog oitentista. Alguns momentos lembra músicas japonesas (J-Rock) da época, como aberturas daquelas séries japonesas tipo Changeman, Lion Man, Jiban, Jiraya, Specterman, Ultraman…

Líbano lebanon-svg

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Banda: Amadeus Awad
Álbum: Death is Just a Feeling
Gênero(s): Crossover Prog, Progressive Metal
Ano: 2015
Idioma: Inglês
Fonte: Spotify

Álbum conceitual do músico Ahmad Awad sobre sua experiência com a morte, em dois aspectos principais: a morte de pessoas próximas (no caso seu pai, seu irmão e seu melhor amigo) e sua própria experiência com a morte (tentativa de suicídio). Não encontrei detalhes sobre o método que ele tentou utilizar nesta tentativa, entretanto a questão aqui é o momento em que ele desperta, sabendo que não morreu.  Ahmad, ou Amadeus, fica a cargo das guitarras, teclados e orquestração, enquanto temos convidados como Marco Minnemann na bateria, Arjen Anthony Lucassen e Anneke Van Giersbergen nos vocais, entre outros músicos. O álbum segue na linha do citado aqui Arjen Anthony Lucassen, que tem como base em seus álbuns um metal progressivo para contar um história, em momentos até narrada, com personagens e diferentes vozes. Amadeus Awad nada nesta mesma corrente, mas usando o Crossover Prog e sua estrutura mais acessível como ponto de partida, e então adiciona os elementos de metal, em um álbum curto para os moldes atuais, propositalmente não cansativo e bem variado na instrumentação, que tem momentos etéreos e calmos, e momentos pesados e agressivos.

Macau macau-svg

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Banda: WhyOceans
Álbum: At Land
Gênero(s): Post Rock/Math Rock
Ano: 2011
Idioma: Inglês
Fonte: Site Oficial

Macau: Região administrativa especial da China. Totalmente voltado para o Post Rock ao invés do Math Rock. Formada em 2005, a banda elenca em seu som, como bem menciona em seu próprio site, elementos de rock alternativo, psicodélico e o que considero aqui ser o principal, trilhas sonoras. São faixas com a sonoridade arrastada nas camadas que se sobrepõe, e posso estar enganado, mas apenas uma faixa “cantada”, a terceira faixa, After Party.

Malásia malaysia-svg

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Banda: Phlox
Álbum: Quiver
Gênero(s)Psychodelic/Space Rock
Ano: 2011
Idioma: Inglês
Fonte: Youtube

Álbum conceitual (apesar de não ter conseguido absorver em si o conceito) da banda Phlox de Kuala Lumpur. Não confundir com a banda de mesmo nome da Estônia. Ao que algumas fontes ditam, o álbum foi composto como uma única faixa (Quiver) e dividida em partes. Geralmente neste caso não deveria haver um fade entre faixas, porém há, o que deixa este conceito menos notável. Sonoramente o álbum lembra bandas de rock psicodélico/space dos anos 70, com guitarras Floydianas para todo lado. Há influências de leve de instrumentação krautrock e ambient. As faixas em si são consistentes na sonoridade total, até demais, o que deixa o álbum ligeiramente cansativo. É um álbum atual com cara de datado, mas sem dúvida uma boa pedida. Destaque para a faixa Inside, Outside, que ilustra exatamente o que coloco aqui como característica do som do Phlox.

Maldivas maldives-svg

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Banda: Sacred Legacy
Álbum: Undying Heart
Gênero(s)Tech/Extreme Prog Metal, Thrash Metal
Ano: 2008
Idioma: Inglês
Fonte: Youtube

Se você tem conhecimento sobre Thrash metal melódico, consequentemente saberá como funciona o som deste álbum. Dois vocais rasgados se alternam em baterias e guitarras rápidas em insanas que só descansam nos momentos mais progressivos e melódicos do álbum. Este é o segundo de três álbuns já lançados pela banda, que me parece ter certo reconhecimento no cenário local de seu país de origem. Confesso que os solos e os momentos melódicos são bem atrativos. Em contrapartida, os vocais as vezes me parecem amadores, ou gravações amadoras. Fãs do gênero provavelmente deverão curtir.

Mianmar myanmar-svg

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Banda: The Book of Death
Álbum: The Book of Death
Gênero(s): Death Metal, Groove Metal
Ano: 2007
Idioma: Inglês
Fonte: Youtube

Este não é bem um álbum, e sim um EP, 20 minutinhos de Death/Groove de Mianmar. A única informação que consegui sobre a banda é que sua origem é datada de 2004, com este único lançamento além de uma ou outra música. A banda se desfez e aparentemente um dos integrantes está tentando reviver o projeto. Temos aqui riffs bem graves e pesados, trechos de vocal limpo e rasgado, que me lembra algumas bandas como Limp Bizkit em alguns momentos, chega a ser interessante, mas na maior parte do tempo é mais do mesmo.

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Banda: Altan Urag
Álbum: Made in Altan Urag
Gênero(s)Prog Folk
Ano: 2016
Idioma: Mongol
Fonte: Spotify

Álbum sensacional da banda Altan Urag, que elenca em cada faixa inspirações de estilos folk locais, com instrumentos étnicos e diferentes técnicas aplicadas. É um som difícil de ser descrito, só ouvindo mesmo. A banda formada em 2002 já possui 7 álbuns e já teve suas músicas expostas em grandes produções, como o filme Mongol (2007), que mostra a trajetória do grande Genghis Khan, e na serie da Netflix Marco Polo. Destaque para a terceira faixa, Blue Mark, na qual uma das técnicas mais estranhas e interessantes de canto é utilizada, o canto difônico mongol, que basicamente consiste num som gutural cujas variações são obtidas através da manipulação dos espaços da cavidade bucal, ressaltando os harmônicos da própria voz.

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Banda: Andre
Álbum: ANDREnaline
Gênero(s): Pop
Ano: 2010
Idioma: Armênio, Inglês
Fonte: Outros

Estado sem reconhecimento das Nações Unidas pertencente ao Azerbaijão. Mais uma vez fui obrigado a recorrer ao Eurovision para encontrar bandas. Apesar de nascido em Nagorno-Karabakh, Andrey Hovnanian, ou Andre, o cantor foi o primeiro a representar Armenia no festival, em 2006. Basicamente o que temos aqui é música pop mainstream com toques bem leves de música folk. Voltando para a Armenia, no país Andre é um cantor extremamente popular, levando a maior premiação de música do pais, o Armenian Music Awards, em 2004, 2005, 2006, 2007, e 2008.

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Banda: Dying Out Flame
Álbum: Shiva Rudrastakam
Gênero(s)Tech/Extreme Prog Metal
Ano: 2014
Idioma: Inglês, Sânscrito
FonteSpotify

Mais uma combinação inusitada do continente asiático, temos um Tech/Extreme Prog Metal com suas guitarras demoniacas e os vocais guturais, misturados com cânticos em sânscrito, instrumentos nepalenses, como um tipo de flauta típica desta instrumentação religiosa e outros elementos da música étnica hinduista. Dying Out Flame é uma das poucas bandas no mundo que faz parte inclusive de um quase subgênero, o death metal védico/hindu. Formada em 2011 possui apenas este álbum por hora. Vale a pena conferir por conta da combinação inusitada, mas lembre-se de que nos momentos não védicos, é um metal bem extremo.

Omã oman-svg

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Banda: Belos
Álbum: Symphonies From the Underworld
Gênero(s): Progressive Metal
Ano: 2014
Idioma: Inglês
Fonte: Soundcloud

Metal progressivo com toques de Black Metal (apesar da própria banda se intitular Black Metal, não vejo essa predominância). Não encontrei muita coisa relevante sobre a banda, o som não se destaca, é relativamente mais do mesmo dentro do gênero, bom, só resta mencionar que a banda é de Omã?

Ossétia do Sul south_ossetia-svg

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Banda: Valery Gergiev
Álbum: Pictures at an Exhibition
Gênero(s): Música clássica
Ano: 2002
Idioma: Instrumental
FonteSpotify

Aqui vou ter que trabalhar no limite da malemolência pra te convencer. Em primeiro lugar, a Ossétia do Sul não é reconhecida como um país, apesar de ser um estado independente da Geórgia. Em segundo lugar, apesar de se considerar nativo, somente os pais de Valery Gergiev nasceram no território representado pela Ossétia do Sul, ele mesmo nasceu em Moscou. Em terceiro lugar, ele não é um compositor, e sim um regente de orquestra. Entretanto, escolhi dentre suas dezenas de álbuns um que o mundo do Prog conhece: Pictures at an Exhibition. “Ué, mas esse não é um álbum do Emerson, Lake & Palmer?” Pois é, se você não sabia, agora saberá. A composição de base original para este álbum do Valery e do ELP é do compositor russo Modest Mussorgsky. Pelo menos tem uma conexão com o Prog, certo? Valeu?

Palestina palestine-svg

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Banda: אסתר רדא (Ester Rada)
Álbum: Ester Rada
Gênero(s): Neo-Soul, Folk, Ethio-Jazz
Ano: 2014
Idioma: Inglês, Amárico
Fonte: Spotify

Ester Rada é uma atriz de musicais nascida em Kiryat Arba, ao que me parece, está dentro dos territórios considerados ocupados pelos palestinos, ou pelo menos um local onde rola muita treta por conta dessas diferenças. Peço por favor que me corrijam se eu estiver errado. Digo isso porque há muita controvérsia quanto este assunto, e inclusive controvérsia com relação à própria cantora. Nascida de judeus etiopianos, a cantora já serviu as Forças de Defesa de Israel e não sei se foi vitima, mas pelo menos há inúmeras menções de boicotes em favor aos palestinos. É um assunto que não me atrevo a se envolver, portanto vamos falar do som. Temos aqui uma fusão do que é categorizado como Neo-Soul com leves pontos de instrumentação folk local da região e o jazz étnico, formando um som acessível e ao mesmo tempo rico. Vale mencionar que no álbum Ester evoca suas origens na Etiópia com a canção em amárico Nanu Ney, de Muluken Melesse.

Paquistão pakistan-svg

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Banda: Mizraab
Álbum: Mazi Haal Mustaqbil
Gênero(s): Progressive Metal
Ano: 2004
Idioma: Urdu
Fonte: Spotify

Primeiro álbum de metal no idioma Urdu lançado no Paquistão. Conceitual, o álbum evoca temas de passado, presente e futuro (tradução do nome do álbum), bem como temos como vida e morte. É o álbum de maior sucesso da banda e um dos mais aclamados no país. O som da banda é ligeiramente mais do mesmo, mas há momentos em que algumas escalas e instrumentações desconhecidas pelos meus ouvidos se destacam. Formada em 1997, a banda possui 3 álbuns, sendo um quarto engavetado por conta de problemas com a rigidez da indústria musical no país.

Qatar qatar-svg

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Banda: Naser Mestarihi
Álbum: 1987
Gênero(s): Heavy Metal
Ano: 2013
Idioma: Inglês
Fonte: Spotify

Primeiro músico do Qatar a lançar um álbum relacionado ao rock/metal, Naser Mestarihi faz um som a ser equiparado com bandas como Aerosmith, Foo Fighters, AC/DC e Guns’N’Roses, citadas como suas influências. Entretanto, quando digo equiparado digo na forma como o som é mais do mesmo do rock. Acho que neste ponto não preciso citar que não sou fã do mais do mesmo e estou sempre buscando sons que se desviem do padrão usual, apesar de deliberadamente ter alguma base nestes sons que considero mais do mesmo. O problema é que no mais do mesmo, quando você já tem um som de base, todo o resto se torna irrelevante. Não é todo mundo que pensa assim, portanto fãs das bandas citadas podem curtir este som.

Quirgistão kyrgyzstan-svg

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Banda: Darkestrah
Álbum: Turan
Gênero(s)Prog Folk, Pagan Black Metal
Ano: 2016
Idioma: Inglês
Fonte: Spotify

Álbum mais recente da banda do Quirgistão, Darkestrah. Em suas letras e temáticas, a banda evoca lendas locais, bem como usa elementos da música tradicional do pais em meio ao seu black metal pagão. Os vocais são agudos e rasgados, o som muitas vezes atmosférico e pesado, inclusive consegue ilustrar bem sonoramente o que consta na capa deste álbum. É um álbum interessante mesmo fora do gênero que se encontra, com momentos instrumentais fortes e marcantes. Pra quem está acostumado com o vocal brutal e rasgado, é uma ótima pedida.

Singapura singapore-svg

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Banda: Lunarin
Álbum: Duae
Gênero(s)Progressive Metal
Ano: 2010
Idioma: Inglês
Fonte: Spotify

Trio de metal progressivo com toques de rock alternativo e gótico, com uma vocalista/baixista na liderança. Há clara influência de Tool nas guitarras, como é um costume de certos álbuns aqui selecionados. O vocal é interessante, melancólico, não chega a ser cansativo, nem agudo. A banda possui alguns lançamentos além do álbum Duae, mas algo que fica claro em sua biografia é que a banda não é um projeto principal de seus integrantes, e sim um projeto paralelo aos seus empregos regulares.

Síria syria-svg

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Banda: Wasaya
Álbum: Garden of Doubts
Gênero(s): Progressive Metal
Ano: 2014
Idioma: Inglês
Fonte: Bandcamp

Projeto do multi-instrumentista Tarek Shehabi. Todos os instrumentos, letras, produção, mixagem, tudo a cargo do músico. Como a guitarra é o instrumento principal de Tarek, espere solos, mas nada extremamente virtuoso ou com infinitos acordes. São solos equilibrados. Exceto por um trecho étnico que me lembro de Paradox, o restante do instrumental em si não tem nada que se destaque, parece uma mistura de diferentes grandes bandas do Prog ao longo dos anos, de Pink Floyd a Dream Theater. O vocal não é muito expressivo, temos trechos narrados, gravações. Alguns momentos me parece que o músico se estendeu demais, o que poderia ser uma faixa um pouco mais Crossover Prog até. De qualquer forma, é um álbum interessante.

Sri Lanka sri_lanka-svg

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Banda: Stigmata
Álbum: Psalms of Conscious Martyrdom
Gênero(s): Progressive Metal
Ano: 2010
Idioma: Inglês
Fonte: Spotify

Com um vocal mais tradicional do Heavy Metal que mescla com trechos mais brutais e gritados, mas como uma instrumentação estranha, que varia elementos do hard rock, groove metal, tempos quebrados e até passagens étnicas, temos o presente álbum da banda Stigmata. Este é o terceiro lançamento da banda do Sri Lanka, que em seu país possui certo destaque. O álbum parece ter sido produzido de forma amadora em alguns momentos, porém não há nada aqui que seja terminantemente ruim. Uma curiosidade sobre a banda é que, apesar de ter uma formação datada de 1999, por ela já passaram 4 baixistas até o atual e (pasmem) 8 bateristas. Vai entender.

Tailândia thailand-svg

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Banda: Rhythm God
Álbum: พระเจ้าช่วยด้วย (algo como With Help of God, by Google T.)
Gênero(s): Progressive Metal
Ano: 1995
Idioma: Tailandês
Fonte: Youtube

Em primeiro lugar, eu ouvi um cassete-rip deste álbum, portanto a qualidade da gravação estava bem zoada. As guitarras soam como Metallica, com teclados góticos e um vocal bem amador. Se não fosse pelo vocal, talvez eu tivesse curtido mais. A instrumentação da banda é datada, porém interessante. Por conta de barreiras linguísticas, não consegui mais informações sobre a banda.

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Banda: Haamoja
Álbum: Natural Evolution
Gênero(s): Tech/Extreme Prog Metal
Ano: 2015
Idioma: Instrumental
Fonte: Bandcamp

Estado sem reconhecimento das Nações Unidas pertencente à China. Haamoja é o nome do projeto do guitarrista Yao Ting Lee, que conta com alguns convidados especiais para dar um gostinho diferente. Para este álbum, temos 3 convidados, incluindo Plini, um dos guitarristas de Prog/djent que tem se destacado entre os novos nomes. Todos os instrumentos acredito que são digitais, exceto pela guitarra talvez, mas soam naturais. O som é bem puxado para o djent, com toques de Jazz/Fusion. O álbum flui bem e cada música se destaca em sua individualidade, ainda sim compondo o todo com maestria. Destaque para Sweet Bubbles e Deep Blue.

Tajiquistão tajikistan-svg

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Banda: Red Planet
Álbum: Homeworld
Gênero(s): Progressive Metal
Ano: 2013
Idioma: Inglês
Fonte: Soundcloud

Primeiro e único EP da banda Red Planet, do Tajiquistão. A banda foi formada pelas irmãs Umeda de Khursheda Fasilova, baterista e vocalista, que após este EP saíram da banda e até hoje nada mais foi produzido. Os vocais de Khursheda são bem etéreos e melódicos, apesar de usar bastante efeitos. A sonoridade é bem “padrão” do metal progressivo mais gótico, elemento que tem certa presença na banda. Vale o tempo, pois é um álbum bem curto, o que é uma pena, pois não tem muito mais do que Homeworld no Soundcloud da banda.

Tibete tibet-svg

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Banda: Vajara (ou Tianchu)
Álbum: 2
Gênero(s): Prog Folk, Asian Folk
Ano: 2007
Idioma: Tibetano
FonteSpotify

Tibete: estado independente militar ocupado pela China. Vajara, ou Tianchu, dependendo do dialeto utilizado, é a mais famosa e mais antiga banda de rock no geral do Tibete, com grande importância cultural por não só cantar no idioma tibetano, mas também por suas letras que falam sobre questões sociais locais e sobre o meio ambiente. Temos aqui uma combinação de elementos folk locais das óperas tibetanas com elementos de blues e rock. É um som bem diferente e interessante, que lembra a pegada de outra banda já apresentada aqui, o Altan Urag, cujas culturas (mongol e tibetana) compartilham alguns elementos como o canto difônico, presente em ambos os álbuns aqui presentes, porém obviamente cada um com suas características locais.

Turcomenistão turkmenistan-svg

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Banda: Гунеш (Gunesh ou Gunesh Ensemble)
Álbum: Вижу Землю (algo como Looking at the Earth, by Google T.)
Gênero(s): Jazz Rock/Fusion
Ano: 1984
Idioma: Russo
Fonte: Youtube

Inicialmente criada como banda de apoio para a companhia de Rádio e TV do estado do Turcomenistão, o Gunesh Ensemble evoluiu voltado para duas vertentes que criaram um estilo quase que próprio da banda, uma mistura de jazz com um estilo folk tradicional da região chamado Mugam ou Mugham, o qual utiliza diversos instrumentos étnicos e o contraste da instrumentação com os vocais. É um jazz étnico bem interessante, bem improvisado, cheio de poliritmos, compassos com tempos estranhos e quebras bem notáveis. Em seu histórico, a banda, que aparentemente continua na ativa, já teve pelo menos 65 diferentes membros, com mais de 20 formações diferentes ao longo de sua trajetória.

Turquia turkey-svg

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Banda: Gevende
Álbum: Sen Balık Değilsin ki (You Are Not a Fish)
Gênero(s): Eclectic Prog
Ano: 2011
Idioma: Turco
Fonte: Spotify

Um belíssimo álbum moderno de Eclectic Prog. Aqui temos o uso de trompete, bandolim e viola, juntamente com instrumentos mais tradicionais como o baixo e a guitarra. Temos aqui toques de folk, rock psicodélico e jazz, compondo o subgênero Eclectic seguido pela banda. O vocal segue o estilo turco de canto, bem melancólico, com bastante entonação na vibração de certas silabas. Este é o segundo álbum da banda. Com certeza devo conferir o primeiro álbum, pois esta mistura do trompete e os instrumentos étnicos trás um sabor muito diferente ao som dos caras. Definitivamente, uma vez acostumado com o vocal, recomendo.

Uzbequistão uzbekistan-svg

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Banda: From.uz
Álbum: Quartus Artifactus
Gênero(s): Eclectic Prog
Ano: 2012
Idioma: Inglês
Fonte: Spotify

Álbum duplo com ótimas faixas, entretanto bastante extensas. Com duração de 1h40, não é um álbum rápido de se ouvir, e é preciso uma certa paciência para poder aproveitar o melhor dele. Há certa polêmica com o nome da banda, sobre ser From.uz ou Fromuz, sem o ponto. O significado é “From UzBEKISTAN”, ou seja, “De Uzbequistão”, portanto o ponto ai faz sentido. É um álbum bem virtuoso, recheado com enormes passagens instrumentais em camadas e poucos trechos cantados. A presença da improvisação extensiva do jazz é notável e temos aqui influências de várias gerações do Prog. A banda é composta apenas de três membros, um guitarrista, um baixista e um tecladista, entretanto há um baterista no álbum. Em seu país e na região a banda é conhecida por notáveis performances que ocorrem entre duas a três vezes por ano, dividida em dias.

Vietnã vietnam-svg

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Banda: Ngũ Cung
Álbum: 360000
Gênero(s): Progressive Metal
Ano: 2009
Idioma: Vietnamita
Fonte: Spotify

360000 é o primeiro álbum da banda Ngũ Cung, também conhecida como 5C ou Năm âm (que pode ser traduzida como Pentatonic em inglês), formada em um concurso de música regional patrocinado pela Honda (por isso uma das variantes da capa do disco tem o logo da Honda). Recente, formada em 2007, após ganhar a competição mencionada, Rock Your Passion, a banda explodiu na mídia local e deste então é a banda mais famosa de Rock/Metal vietnamita. Temos vocais agressivos, as vezes quase que puxado para o Punk Rock, alguns elementos de heavy metal, poucos elementos étnicos e algumas estruturas de Prog, que forma o metal progressivo da banda. Como curiosidade, a banda passou por um período complicado em 2010, após o lançamento do presente álbum, onde há fontes que citam diversos plágios realizados pela banda. Não cheguei a ir fundo neste assunto, apesar de que algumas estruturas me soam familiar. O idioma, pelo menos pra mim, não foi muito fácil de absorver. É um álbum interessante, sem dúvida, mas esta barreira vocal me desagradou um pouco.


Abecásia abkhazia-svg

República autónoma não reconhecida da Georgia. Uma região que foi assolada por uma guerra sangrenta nos anos 90 e ainda luta para ser reconhecida como um país. Apesar de não ter encontrado nenhum álbum de nenhum artista específico, me deparei com este artigo que contempla uma coletânea de informações sobre a música folk local. Polifonia, instrumentos próprios locais de cordas ou percussão e performances teatrais fazem parte do repertório de texturas sonoras deste país. Uma curiosidade informada pelo artigo é que a música folk da Abecásia é cantada somente por homens, salvo algumas exceções. Fala-se também sobre o documentário musical Ҳара ҳаруаа реиҳабы (The Leader of Our Soldiers), composto neste período sangrento e complicado pelo qual o país passou, disponível na integra no Youtube. No documentário são misturadas texturas sonoras da música folk com sons de guitarras e outras composições mais ocidentais.

Brunei brunei-svg

Apesar de não ter um álbum completo lançado, temos Prog (mais especificamente um Crossover Prog0 em Brunei, com o The Majolly Project. Neecia Majolly, nascida em Brunei, possui um currículo absurdo, além de inúmeros prêmios no mundo da música e um monte de outras coisas que ela faz, que se você tiver curiosidade pode procurar. Atualmente na Índia, com o The Majolly Project, Neecia já lançou 3 singles até este momento: The Other Side, Whitebone e Dark Room. Suas música se aproveitam de seu range vocal e de suas habilidades de composição e no piano, e sinceramente, eu quero muito que esse projeto se torne algo maior, com um álbum completo, por que só os singles já me impressionaram. 

Caxemira Livre pakistan_kashmir-svg

Estado independente do Paquistão, difícil encontrar alguma coisa por aqui. O máximo que consegui foi uma performance folk local, que consistia em um tambor de percussão, um instrumento de corda que parecia um berimbau e um vocal dramático, ao estilo das musicas folk árabes.

Curdistão  iraq_kurdistan-svg

A região em si do Curdistão ainda é uma região bem problemática, mas no passado, até mesmo a produção musical foi banida por décadas. Por este motivo tive dificuldades em encontrar produções originais da região, exceto pela banda Shahid Karzan (não sei se é exatamente assim que se escreve, pois achei umas 5 maneiras diferentes), do violinista Aras Ibrahim. Há todo um background histórico ao redor de Aras e sua banda, mas principalmente suas canções na época (80-90) ficaram conhecidas por seu caráter revolucionário gravas em fitas cassete gravadas de forma independente. Alguns artigos indicam que parte da música moderna árabe/turca foi influenciada por músicos da região do Curdistão, que fugiram da região em busca de liberdade de expressão. Por este motivo, o som de Shahid Karzan, bem como outros músicos da região se assemelha ao estereótipo sonoro das músicas árabe/turca.

Ilha Christmas christmas_island-svg

Território pertencente a Austrália. Outro país de minha pesquisa que perdi um tempão procurando alguma coisa, mas apenas encontrei um projeto chamado Big Five O Project, no currículo de um homem chamado Peter Keelan. Música folk local, mas não consegui nem ouvir, infelizmente…

República Turca do Chipre do Norte northern_cyprus-svg

Estado independente não reconhecido pelas Nações Unidas. Apesar de ter encontrado inúmeros artistas, não consegui um único álbum completo para apresentar aqui da região. Entretanto, temos algo parecido com Prog, da banda SOS. Seu som lembra um Neo-Prog, apesar de estar categorizado como Rock Turco Cipriota, pelo pouco que consegui ouvir no Youtube. Não encontrei aqui nenhuma influência da música tradicional da região na composição. Algumas canções lembram Marillion, os precursores do Neo-Prog. A banda chegou a lançar alguns cassetes, mas nada que eu tenha encontrado por ai.

Timor-Leste east_timor-svg

Infelizmente além de um monte de música pop comum, não encontrei nada de interessante para poder colocar aqui. No Youtube está cheio de coletâneas do Timor-Leste, entretanto, faltou um Prog/Rock/Folk/Jazz/Blues/Bagunça/Qualquer coisa interessante. O único álbum que descobri local, chamado Ita Nian Rasik, do artista Teo Batiste Ximenes, não encontrei em lugar nenhum. Paciência.


Acrotíri e Deceleia united_kingdom-svg

Território militar, de posse do Reino Unido.

Território Britânico do Oceano Índico british_indian_ocean_territory-svg

Território militar, de posse do Reino Unido.

 

 

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2 pensamentos sobre “O Prog e a música ao redor do mundo – Parte 3: Asia

  1. Pingback: Diário de Bordo Especial – O Prog e a música ao redor do mundo: Introdução | Gustavo Lopes - Blog do Gusta

  2. Sou suspeito para falar do Amadeus Awad, foi um dos meus álbuns favoritos de 2015.

    Quanto ao método que ele usou para o suicídio, não vi nenhuma entrevista ou algo do tipo, mas a letra de Sleep Paralysis dá a entender que foi por comprimidos:
    “Já passou da meia-noite e as pílulas estão entrando”…

    E que vocal montro é esse da Anneke Van Giersbergen? Hahahaha…

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