Musicalizando

Black Mountain – IV (2016): O álbum do futuro-passado

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Como se tivesse viajado no tempo direto do final dos anos 60, o quarto álbum da banda Black Mountain aterrissa em 2016 mesclando sintetizadores modernos com o bom e velho rock psicodélico, evocando o som perdido na época de grandes nomes como Pink Floyd e T-Rex, saindo de sua zona de conforto, o Stoner Rock, para um novo nível psicodélico e espacial.

Vivendo dos resquícios do passado

O som característico e analógico do Stoner Rock é uma mescla de elementos dos anos 60 e 70 que foram revividos nos anos 90 por bandas como Kyuss. Desde então, centenas de bandas vem viajando nesta onda que captura a atenção dos ouvintes pela nostalgia com sons de Mellotrons, antigas Telecasters e vocais cheios de efeitos. O Black Mountain até o seu terceiro álbum não fugia desta onda, mas já começava a chamar atenção, mesmo que de forma tímida. Sons da banda apareceram na mídia mainstream, como na trilha sonora do filme O Homem Aranha 3 (2008) e na série de televisão Teen Wolf. Em 2012 a banda compôs a trilha sonora do filme indie, Ano Zero, mas desde 2010 nada de novo com o nome da banda surgiu. Finalmente em 2016, a banda retorna direto do passado, desta vez trazendo novos elementos para o seu som e fugindo um pouco de seu tradicional Stoner Rock.

Uma viagem futurista direto do passado

A capa do álbum IV já mostra o que está por vir, uma viagem louca ao melhor estilo Astronomy Domine do Pink Floyd, e é exatamente o que entrega logo de cara, com Mothers of the Sun. A faixa impressiona, com os vocais femininos de Amber Webber, que logo em seguida já se entrelaça com o segundo vocal da banda, Stephen McBean. Ambos parecem representar dois expoentes de vocais dos anos 60, o que confunde os ouvidos, com uma mistura de sons modernos de teclado com riffs setentistas. A faixa com 8 minutos e meio desenvolve camadas sonoras com duas guitarras, bateria, percussão, teclado, coro, piano, palmas e tudo o que tem direito. É uma tremenda de uma viagem. Logo de cara é a faixa mais impressionante do álbum, o que talvez tenha sido um erro da banda para a fluência do álbum, já que nada após isso se iguala em nível.

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Florian Saucer Attack é uma faixa bem mais puxada para o rock dos anos 70 e uma estrutura mais simples, até dançante, mas que novamente inclui os sons dos teclados modernos para criar um contraste interessante, próximo ao final da faixa. Em seguida temos Deflector, outra viagem que em seus primeiros acordes parece evocar novamente Pink Floyd, com um som sintetizado espacial que me fez lembrar de um som parecido que é tocado em Welcome to the Machine. A alternância dos vocais femininos e masculinos é um dos charmes da banda, que fica bem evidente em Deflector com seu bate-e-volta. You Can Dream já aposta no vocal conjunto dos dois para criar um clima etéreo, acompanhado da bateria em marcha e aproveita dos sons sintetizados de Deflector com um timbre ligeiramente diferente, para então se misturar ao rock da segunda faixa em Constellations. 

“Space to Bakersfield, space to Bakersfield, are you listening?”

Passando da metade do álbum temos uma faixa acústica, Line Them All Up, com Amber na dianteira. O violão da faixa emenda em Cemetery Breeding, mas com um clima um pouco mais animado. Em (Over and Over) The Chain novamente a banda aposta nos vocais combinados e numa batida mais étnica. Crucify Me é uma balada leve, um pouco desinteressante para o nível do álbum e até mesmo arrastada para por fim seguirmos em direção ao espaço com Space to Bakersfield, a maior faixa do álbum, com 9 minutos bem trabalhados assim como a primeira faixa, se aproveitando de toda a instrumentação combinada de futuro-passado. A letra se resume a três frases, mas os efeitos nos vocais de Amber é que dão o tom para o acompanhamento instrumental.

A promoção do álbum conta com clipes para as duas primeiras faixas, ambos inspirados na psicodelia dos anos 70. Enquanto Florian Saucer Attack tem uma animação colorida e maluca que acompanha a música, o clipe de Mothers of The Sun começa com cores semelhantes a capa do disco More do Pink Floyd, sobrepondo os músicos a um ambiente de natureza, usando técnicas de montagem, escalas de cores e sobreposições caleidoscópicas que eram febre na MTV da época. Apesar da psicodelia louca do novo Black Mountain, a banda está longe de estar viajando como hippies. Quatro dos cinco integrantes trabalharam por mais de uma década (ou ainda trabalham, a fonte é de 2005) em uma instituição de saúde mental, que parece inspirar partes do clipe de Mothers of the Sun.

Concluindo

IV é uma viagem que precisa ser apreciada com moderação. Pelo menos para mim o álbum enjoa fácil, mas um tempo sem ouvi-lo desperta aquela vontade de viajar com ele novamente. Curiosamente tenho uma memória não muito agradável, pois em uma das primeiras ouvidas do álbum em meu carro, fui vítima de uma batida no trânsito (eu estava parado no semáforo…). Mothers of the Sun e Space to Bakersfield abre e fecham o álbum respectivamente com uma viagem incrível e psicodelica pelos anos 60 e 70, levando a banda para o caminho do Space Rock, um elemento que espero ter ficado impresso no DNA da banda para o próximo álbum.


Banda: Black Mountain
Álbum: IV
Gênero(s): Progressive Rock, Psychodelic Rock, Space Rock, Stoner Rock
Lançamento: 1 de Abril de 2016
Duração: 56 minutos
Classificação do blog: 4.0/5

Formação:

Amber Webber – vocais
Stephen McBean – vocais, teclado, guitarra, sintetizador, percussão
Jeremy Schmidt – sintetizador, sequenciador, hammond, vocoder, Mellotron
Arjan Miranda – baixo (e suas variações), guitarra, EBow
Joshua Wells – bateria, percussão, piano, sintetizador, backing vocals, Wurltizer

Faixas:

1 
Mothers of the Sun
2 
Florian Saucer Attack
3 
Defector
4 
You Can Dream
5 
Constellations
6 
Line Them All Up
7 
Cemetery Breeding
8 
(Over & Over) The Chain
9 
Crucify Me
10 
Space to Bakersfield

 

Site oficial/Página Facebook

 

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2 pensamentos sobre “Black Mountain – IV (2016): O álbum do futuro-passado

  1. Mother of the Sun é sensacional! Entra fácil na minha lista pessoal das 5 melhores músicas do ano…

    O que mais me impressionou no álbum (além da Mother…), é a capacidade que a banda teve de usar várias referências do passado sem soar como uma mera emulação. Adicionaram uma personalidade própria, e isso fez toda a diferença.

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