Diário de Bordo

Diário de Bordo 16 – Literatura de peso

pendencias-leitura-2016

Um mês de anos de leitura atrasada. Menos do que eu esperava, com um bom motivo. No momento em que deixei de ler somente por conhecer novas histórias para então investigar a escrita, as inspirações, a vida e identificar minha própria proto-escrita na escrita de grandes nomes, não foi mais apenas leitura, e sim um estudo em diversos idiomas, assuntos e esferas da arte através de milhares de páginas e milhares de imagens.

Um momento de transição

A leitura nunca foi o meu forte, leitura de ficção. Sempre gostei de escrever, escrever e só escrever, sem dar muita atenção para a escrita dos outros, por querer aproveitar o tempo livre escrevendo ou talvez outras fontes de inspiração, como filmes ou música. Acumulei livros durante anos, que ilustravam uma prateleira recheada, sem que um único livro tenha sido tocado.

A falta de elementos comparativos entre o que eu escrevi e escritas profissionais, de autores do meio ao qual tardiamente decidi que pode ser aquele que quero pertencer, me levou a um estágio de insegurança e incerteza. Como saber se o que faço está “correto” se tudo o que li foi material técnico? E a resposta só me veio enquanto me aventurava por dentre estas milhares de páginas lidas.

Uma transição também se veio neste estudo literário, pois não me ative apenas a livros, e sim outros elementos de obras do meu passado, presente, e agora do meu futuro. Temos pelo menos um livro que fala sobre arquitetura, um sobre medicina, um sobre filosofia, um de fotografia, cinco livros sobre a arte, englobando a origem da arte japonesa, aquarela, sumi-e e o mangá na sua mais pura forma. Para os avidos que acompanham a transição deste blog sabem o meu passado apreço pelo mundo dos mangás, e também o declínio que relato neste gosto.

Diversos assuntos

Como meu objeto de estudo, resolvi me focar naqueles que considero os mestres do suspense e horror dentro de seus domínios artísticos. Do mangá trouxe comigo Naoki Urasawa, autor do mangá que considero a melhor obra produzida neste meio, Monster. Dos quadrinhos selecionei Alan Moore, por minha passada exposição a seus livros e entrevistas sobre técnicas de composição de histórias. Na foto consta apenas Watchmen, entretanto também fez parte deste currículo sua obra Do Inferno.

Das adaptações de cinema às quais considero meus filmes favoritos do gênero temos Stephen King (O Iluminado e sua continuação, Doutor Sono) e Thomas Harris (O Silêncio dos Inocentes). Especificamente de Stephen King, também já havia lido pelo menos dois de seus livros, além de inúmeros artigos técnicos. For fim, por incentivo de um amigo, fui atrás da obra de H.P. Lovecraft, o qual é citado principalmente por Stephen King como o rei da literatura de horror do século 20.

Veja, isso não significa que estes são os únicos livros de ficção que já li na vida. Digo apenas que são os recentes, num intervalo um pouco mais espaçado do que deveria. Também não serão os únicos. Depois desta experiência de um mês de leitura constante e até exagerada, vi a necessidade de criar um habito mensal de leitura, mesmo que isso afete a minha agenda de escrita.

Comparando informações

Não entrarei em detalhes sobre minhas conclusões. Isso porque isso confere uma análise bem pessoal daquilo que considero “bom” ou “ruim”, “certo” ou “errado” no âmbito literário. Há coisas que certos autores fazem que eu não gosto, ou não concordo, enquanto talvez seja uma convenção geral ou mesmo preferencial. O que posso dizer é que fiquei feliz com o resultado de tanta leitura. A insegurança tem se transformado em ansiedade, em empolgação e medo até. São conclusões que preciso testar em algumas hipóteses. Coça a mão para reescrever algumas coisas que já fiz, mas tentarei evitar, com receio de “imitar” estes autores.

Como resultado desta pesquisa também, acabei ligeiramente obcecado pela obra de H.P. Lovecraft. Em um dia eu tinha apenas um livro, no seguinte eu já tinha HQ, obras que ele usou como referência (como O Rei de Amarelo, tá ai na foto o HQ e o livro original), documentário, livro sobre sua história de vida e ainda tem mais coisas a adquirir. Seus textos são totalmente o oposto do que eu imagino ser o “correto”: ele usa parágrafos imensos de narração, páginas e páginas de descrições principalmente de cenário, quase não tem dialogo, quase não se aprofunda nos personagens e sua relação, ausência de descrição de pessoas, nenhuma preocupação com a estrutura narrativa, uso de infinitos adjetivos, e por ai vai. Seus personagens principais são sempre parecidos, com praticamente as mesmas profissões, opiniões, backgrounds. Criaturas inomináveis tem o mesmo “vocabulário” que pessoas comuns, enquanto apenas pessoas que Lovecraft considerava inferiores possuem um vocabulário diferente fora o fato de que a presença feminina é insignificante,

Poderia passar horas aqui escrevendo sobre os pontos negativos que encontrei na obra de Lovecraft, o que pode te levar a pensar, por que a obsessão? Por que além de uma carreira curta, ou seja, de fácil acesso (praticamente li todas as noveletas, muitos contos e afins), eu consigo traçar um paralelo entre a vida do autor e suas influências, e depois de remover as partes em comum, consigo entender intenções, origem de certas ideias, e tudo aquilo que hoje se tornou o seu legado. Pessoas citam Cthulhu por aí sem ter ideia da história que deu origem ao monstro. Na verdade os mitos criados por Lovecraft foram transformados ao longo de anos, e traçar essa linha até o passado e a vida do Lovecraft é o tipo de estudo que é exatamente ilustrado em seus contos. É como se eu fosse um próprio personagem saído de um conto de Lovecraft buscando pelo conhecimento proibido.

Por fim, essa reflexão é apenas o fruto da foto que ilustro esta matéria, e o fruto dos meus resultados de pesquisa de conhecimento a fim de futuramente finalizar os meus materiais autorais, os quais já possuem uma prévia do ano de 2016 aqui no blog. Agora é entrar em 2017 buscando a publicação! Um abraço e até mais.

 

Anúncios

Comenta aí!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s