Musicalizando

Retrospectiva Musical 2016: Os melhores do ano

2016-retro

Chegou aquele momento do ano em que nos despedimos do que passou e fazemos um monte de promessas para uma data que nada mais, nada menos, que representa uma mudança no calendário. Se você for pensar bem, este não é um ano inteiro novo para você a menos que você tenha nascido em 1 de Janeiro, mas deixando filosofias de boteco de lado, vamos ao que interessa para o blog. 1 de Janeiro não representará nada de diferente para o blog, mas comercialmente falando, 2016 acabou. Ainda tem resenhas de álbuns deste finado ano para serem colocadas aqui no blog no ano que vem (amanhã no caso). Por hora, aqui vos deixo um daqueles posts lista clichê que todo blog tem.

Resolvi fazer algo diferente, separando e elencando em duas listas os dez melhores (nada de top…) álbuns de 2016 e os dez melhores álbuns que ouvi em 2016 (excluindo os lançamentos), independente de ter escrito uma resenha sobre, do total de mais de 400 álbuns ouvidos pela primeira vez este ano. Mas antes, vamos falar de alguns números.  Para estimar a quantidade de música que consumo anualmente, uso um site chamado Last.fm, no qual fica registrado em meu usuário pessoal pelo menos 70% de tudo aquilo que ouço regularmente, através de algum player de música ou posteriormente pelo Spotify. O que ouço no trânsito, Youtube e outras fontes, infelizmente não fica registrado, portanto aqui fica uma estimativa pessoal de tudo aquilo que consumi este ano. Isso pode não interessar tanto assim, portanto, caso não queira entender a base de como cheguei a lista dos 10 melhores, pule esta parte.

Estatísticas

  • Músicas ouvidas em 2016
    • aproximadamente 11500 faixas registradas, sendo 1714 faixas únicas só no Spotify e 5500 no total;
    • média de 33 por dia;
    • aproximadamente 40000 minutos, sendo que 18000 minutos foram no Spotify;
    • pode incluir nesta conta pelo menos 200 horas de música no trânsito (uns 12000 minutos), o que deve dar pelo menos mais umas 1400 ~ 1700 faixas e mudar a média para 40 por dia;
    • impossível estimar a quantidade adicional em outras fontes;
    • dia da semana mais ativo: Quinta-feira…
    • dia mais ativo: 16/11/2016 – 150 faixas
    • Faixa mais ouvida: Katatonia – Unfurl no total (30 vezes +), Steven Wilson – Transience no Spotify (15 vezes +)
  • Artistas ouvidos em 2016
    • 364 artistas, sendo que 132 pelo menos uma vez através do Spotify, pode incluir pelo menos uns 50 – 90 novos artistas que ouvi através do Youtube, fora desta conta;
    • mais de 70% foram artistas novos;
    • gêneros mais ouvidos: Progressive Rock (novidade…), Progressive Metal, Jazz Rock/Fusion
    • Artista mais ouvido do ano: Marillion, representando entre 5% da quantidade que ouvi durante o ano todo, mas no carro, garanto que foi Steven Wilson/Porcupine Tree, como sempre
    • 10+ do ano:
      • Marillion
      • Steven Wilson
      • iamthemorning
      • Katatonia
      • Porcupine Tree
      • Opeth
      • Tangerine Dream
      • King Crimson
      • Marco Minnemann
      • Pink Floyd
  • Álbuns ouvidos em 2016
    • 830 álbuns registrados, pelo menos mais uns 80 – 150 álbuns através de outras fontes
    • mais de 70% foram álbuns novos, o que coincide com os novos artistas;
    • Álbum mais ouvido: iamthemorning – Lighthouse (20 vezes +), mas no carro com certeza foi Porcupine Tree – Fear of a Blank Planet
    • 10+ do ano:
      • iamthemorning – Lighthouse
      • Katatonia – Sanctitude
      • Adam Holzman – The Deform Variations
      • iamthemorning – ~
      • Dream Theater – The Astonishing
      • Porcupine Tree – The Incident
      • iamthemorning – belighted
      • Serani Poji – Manamoon
      • Katatonia – The Fall of Hearts
      • Skyharbor – Blinding White Noise

A estatística acima dos 10 álbuns mais ouvidos é um tanto quanto subjetiva, pois ela diz respeito a quantidade de músicas que ouvi x o álbum em si. Álbuns como The Astonishing do DT e The Deform Variations tem mais de 20 faixas, o que os fez subir na estatística. Além disto, não significa que este foram meus álbuns favoritos do ano, mas sim os que mais ouvi. Alguns coincidirão abaixo, outros talvez não, por conta de tê-los ouvido mais no carro do que no computador. Enfim, vamos aos números.

Os dez melhores – Lançados em 2016

black-mountain-ivBlack Mountain – IV

Gênero(s): Psychodelic Rock, Space Rock, Stoner Rock
Lançamento: 1 de Abril de 2016
Duração: 56 minutos

Aqui vai um spoiler: esta vai ser a primeira resenha de 2017, mas já posso dar uma adiantada com a ótima resenha do blog do meu parceiro RockEmBalboa. Foge um pouco do Prog que costumo ouvir regularmente, é bem psicodélico, uma viagem meio noiada por músicas bem características. É um som legal pra viajar.

king-crimson-radical-action-to-unseat-the-hold-of-monkey-mindKing Crimson – Radical Action (To Unseat the Hold of Monkey Mind)

Gênero(s): Eclectic Prog, Progressive Rock
Lançamento: 23 de Setembro de 2016
Duração: 160 minutos

Resenha aqui. King Crimson foi uma das minhas melhores “descobertas” do ano e este álbum ao vivo resume bem o que a banda faz de melhor. É o show que um dia eu quero assistir, com 3 bateristas e bagunça sonora que Robert Fripp e seus amigos fazem.

the-mute-gods-do-nothing-till-you-hear-from-meThe Mute Gods – Do Nothing Till You Hear From Me

Gênero(s): Crossover Prog, Progressive Rock
Lançamento: 22 de Janeiro de 2016
Duração: 60 minutos

Resenha aqui. Primeiro álbum da banda, que ainda vai longe e em 2017 tem mais. Um Crossover Prog “vanguardista”, agradável e fácil de ouvir. Uma boa pedida até para os “não-Proggueiros”.

an-endless-sporadic-magic-machineAn Endless Sporadic – Magic Machine

Gênero(s): Progressive Metal, Progressive Rock
Lançamento: 16 de Setembro de 2016
Duração: 70 minutos

Mais um spoiler: mais uma resenha de 2017. Um puta álbum instrumental, rico, orquestrado e com convidados especiais excelentes, de uma banda que pingou aqui e ali durante este século em jogos de videogame como por exemplo Guitar Hero (3).

steven-wilson-4-1-2Steven Wilson – 4 1/2

Gênero(s): Crossover Prog, Progressive Rock
Lançamento: 22 de Janeiro de 2016
Duração: 36 minutos

Por se tratar de um  EP, não vi motivos para fazer resenha deste, uma vez que por aqui já pintou a resenha da coletânea Transience (link aqui). Além disso, sou suspeito para falar de Steven Wilson, então prefiro deixar para quando pintar um novo álbum mesmo. Para quem conhece a carreira de Steven, sabe que ele não gosta de deixar nada engavetado, mesmo que leve anos para ele lançar. Podemos dizer que o EP é um “lado B” do seu último álbum, Hand. Cannot. Erase (2015), um pequeno complemento sonoro ao álbum.

marillion-fearMarillion – F.E.A.R.

Gênero(s): Neo-Prog, Progressive Rock
Lançamento: 23 de Setembro de 2016
Duração: 70 minutos

Resenha aqui. Esta foi a resenha mais popular até agora do blog, depois de uma pequena polêmica que acabou sendo criado ao redor de alguns comentários que teci sobre a história da banda. Um álbum descompromissado e definitivamente progressivo.

katatonia-the-fall-of-heartsKatatonia – The Fall of Hearts.

Gênero(s): Progressive Rock, Progressive Metal
Lançamento: 20 de Maio de 2016
Duração: 70 minutos

Resenha aqui. Katatonia é uma banda difícil de definir, mas seus álbuns não são. Acostumados a mudanças gradativas, finalmente a transição para o metal progressivo aconteceu, e com ela pontos positivos e negativos.

frost-falling-satellites*Frost – Falling Satellites

Gênero(s): Neo-Prog, Progressive Rock
Lançamento: 27 de Maio de 2016
Duração: 66 minutos

Resenha aqui. Um álbum diversificado e bem mais vanguardista e inovador do que os trabalhos anteriores da banda, e uma das minhas principais escolhas para ouvir no dia a dia no trânsito. O sentimento aqui é intenso, aconchegante e festivo, bem diferente do que eu costumo preferir.

opeth-sorceressOpeth – Sorceress

Gênero(s): Progressive Metal, Tech/Extreme Prog Metal, Progressive Rock
Lançamento: 30 de Setembro de 2016
Duração: 90 minutos

Resenha aqui. Outra banda que resolveu guinar seu som para uma nova direção, temos aqui o começo de mais uma fase do Opeth, com um álbum diferente de tudo aquilo que já havia feito em seu passado. O peso volta, as influências prosperam e a banda ruma em águas progressivas, sem chance de voltar atrás.

iamthemorning-lighthouseiamthemorning – Lighthouse

Gênero(s): Progressive Rock, Chamber music
Lançamento:1 de Abril de 2016
Duração: 50 minutos

Resenha aqui. O álbum mais ouvido por mim este ano. Lighthouse é doce, fácil demais de ser apreciado e um grande companheiro em diversos momentos. É um álbum que acalma e que conforta. É a antítese do que costumo ouvir em boa parte do meu tempo, uma pequena pérola que, devido ao seu efeito suavizador, talvez eu tenha ouvido até demais. E com razão. Ele foi o reflexo oposto do ano extremista que foi 2016. Espero aprecia-lo com mais moderação em 2017.

Os dez melhores – Ouvidos em 2016

anekdoten-until-all-the-ghosts-are-goneAnekdoten – Until All The Ghosts Are Gone

Gênero(s): Progressive Rock
Lançamento: 10 de Abril de 2015
Duração: 46 minutos

Resenha aqui. Por se tratar de um álbum mais recente, acabei fazendo uma resenha sobre. O melhor álbum da banda até então, este é um álbum novo, com cara de antigo, que não perde para suas influências e ainda sim tem características próprias, uma construção que a banda levou duas décadas para alcançar. Sem dúvida é um álbum merecedor do top 3 de 2015 do Prog-Archives.

serani-poji-manamoonSerani Poji – Manamoon

Gênero(s): Shibuya-kei, J-Pop
Lançamento: 30 de Outubro de 1999
Duração: 48 minutos

De todos álbuns aqui apresentados, este é o único que não tem absolutamente nenhuma relação com os demais. A linha de eventos que me levou a este álbum é tão comprida que merecia uma resenha por si só. O bate no liquidificador samba, jazz, bossa nova, pop japonês, música eletrônica e mais uma porrada de coisas. É um ponto totalmente fora da minha curva sonora, mas que pela excentricidade do álbum e do gênero (Shibuya-kei é um buraco negro experimental musica japonês que vale a pena ser explorado) acabou me conquistando. Também é um ótimo álbum pra “causar” no trânsito, por conta de sua estranheza e diversão.

ukandanz-yetchalalUkandanz – Yetchalal

Gênero(s): RIO/Avant-Prog, Progressive Rock
Lançamento: 30 de Novembro de 2012
Duração: 63 minutos

Tão estranho quanto minha seleção anterior, esta banda da Etiópia, que encontrei primeiramente como recomendação do RockEmBalboa, e depois durante minhas pesquisas para o artigo Prog e a música ao redor do mundo que está por vir, tem um som extremamente hipnotizante, carregado por uma aura sombria difícil de ser descrita. Os vocais em amárico, os metais e a sonoridade jazzista e prog Bagunã (Avant-Prog) se tornam uma mistura estranha e atrativa. O fato deste e mais outro álbum a frente estarem na lista sendo Avant-Prog, um gênero que tenho certas dificuldades, é ainda mais surpreendente como fator pessoal, mas isso fica para uma outra hora.

bass-communion-iBass Communion – I

Gênero(s): Ambient, Drone
Lançamento: Abril de 1998
Duração: 63 minutos

Representando aqui minhas longas horas de viagem por gêneros como Krautrock, Musique Concrete, Ambient e Drone, temos mais um projeto do mestre Steven Wilson. É um álbum instrumental que se aproveita de algumas texturas que podem ser identificadas em outras músicas da carreira de SW para criar uma ambientação sonora extensa. Este álbum, o primeiro do projeto, é o melhor de todos. Confesso que fiquei um pouco decepcionado com o decorrer deste projeto, que se distancia bastante destas texturas mais “fáceis” de identificar, mais suaves e etéreas para algo mais cru. Ainda sim o projeto foi meu companheiro por centenas de horas de leitura que fiz com seu som ambiente como plano de fundo.

iran-mavara-season-of-salvationMavara – Season of Salvation

Gênero(s): Crossover Prog, Progressive Metal, Progressive Rock
Lançamento: 25 de Janeiro de 2013
Duração: 57 minutos

Banda iraniana de metal progressivo com toques de Riverside (uma de minhas bandas favoritas). O som dos caras é sólido, e o representante do país que escolhi para o meu grande artigo do Prog e a música ao redor do mundo. Ainda não tive tempo para ouvir seus outros álbuns, mas pretendo num futuro próximo.

russia-b%d0%b5%d0%b6%d0%bb%d0%b8%d0%b2%d1%8b%d0%b9-%d0%be%d1%82%d0%ba%d0%b0%d0%b7-%d0%b3%d1%83%d1%81%d0%b8-%d0%bb%d0%b5%d0%b1%d0%b5%d0%b4%d0%b8Вежливый отказ – Гуси-лебеди

Gênero(s): RIO/Avant-Prog, Progressive Rock
Lançamento: 9 de Abril de 2010
Duração: 53 minutos

Mais uma surpresa do Avant-Prog, Polite Refusal (nome em inglês dos caras) é uma banda esquisita, com um som sensacional, e este álbum é o ápice de seu som. Preciso ouvir com mais atenção seus demais álbuns, mas este aqui se tornou um companheiro em diferentes momentos. É um som obscuro, metálico, pesado, russo.

iron-maiden-the-book-of-soulsIron Maiden – Book of Souls

Gênero(s): Heavy Metal, Progressive Metal
Lançamento: 4 de Setembro de 2015
Duração: 92 minutos

Marcando o retorno do Iron Maiden para minhas playlists, o álbum é definitivamente o mais próximo do som com texturas progressivas que o Brave New World chegou. O fato de ter desagradado os fans mais “Heavy Metal” da banda foi mais um ponto que me atraiu ao presente álbum, uma mostra de que mesmo com tantos anos de carreira, tio Harris e tio Dickinson estão dispostos a inovar, mesmo num som que parece que perdeu o sal do Brave New World até o anterior.

elp-brain-salad-surgeryEmerson, Lake & Palmer – Brain Salad Surgery

Gênero(s): Symphonic Prog, Progressive Rock
Lançamento: 19 de Dezembro de 1973
Duração: 45 minutos

Apesar de minha base musical familiar tenha ELP como uma das principais bandas, até então os discos que dei atenção foram sempre os mesmos, especialmente Trilogy e Tarkus. Com uma capa sensacional de um de meus artistas favoritos, H.R.Giger (simplesmente o criador do Alien) e uma sonoridade tão obscura quanto, sem dúvida é meu álbum favorito da banda.

king-crimson-in-the-court-of-the-crimson-kingKing Crimson – In the Court of the Crimson King

Gênero(s): Ecletic Prog, Progressive Rock
Lançamento: 10 de Outubro de 1969
Duração: 42 minutos

Em diversas épocas eu tentei me aproximar do King Crimson, e acabei pecando pelo método. Eu não insisti, e ainda insisti nos álbuns mais “recentes” da banda. Eu também não estava preparado, além de um certo preconceito com o quão cultuado é o presente álbum. Mas eu estava tremendamente enganado quando tomei um tapa na cara com “21 Century Schizoid Man”. Na voz do falecido e amado Greg Lake, também presente no álbum anterior, pelo menos 3 das 5 faixas do álbum posso considerar como marcos na história da música. Definitivamente King Crimson é uma das bandas mais influentes da história. Depois de ouvir este e todos os outros álbuns da banda, foi como se minha mente tivesse expandido a um outro nível, e toda a influência que a banda exerceu nas bandas que surgiram depois apareceu nitidamente para mim. Enfim, o álbum merece ser cultuado com razão.

king-crimson-redKing Crimson – Red

Gênero(s): Ecletic Prog, Progressive Rock
Lançamento: 6 de Outubro de 1969
Duração: 40 minutos

Um dos melhores álbuns que já ouvi na vida. Completo, incrivelmente desafiador, sonoramente variado e vanguardista, são 40 minutos que eu gostaria que o King Crimson tivesse expandido pelo resto de sua carreira, o que infelizmente não aconteceu. É o pecado da experimentação. Ainda sim, a banda nos presentou com esta pérola inesquecível. Pena que a capa é uma merda.

Bom, 2016 fica por aqui. 2017 tem mais. Boas festas a todos e até daqui a 7 dias!

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Um pensamento sobre “Retrospectiva Musical 2016: Os melhores do ano

  1. Confesso que algumas coisas me surpreenderam!

    Nos 10 melhores lançados no ano, Marillion e Mute Gods ainda não ouvi, e já sabia que você tinha curtido bastante o iamthemorning, mas não achei que ele fosse tirar o Opeth da liderança!

    Agora, nos 10 melhores ouvidos em 2016, não esperava encontrar Iron Maiden! Esse disco ficou realmente muito bom!
    Os japoneses não conheço, o Mavara e Anekdoten descobri por indicação sua. O Mavara ainda não peguei para ouvir, mas o Anekdoten é sensacional!
    Certamente é um disco que vai entrar na minha lista dos melhores de 2015, quando eu atualizar ela.

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