Musicalizando

iamthemorning – Lighthouse (2016): Uma combinação não convencional

iamthemorning-lighthouse

Premiado como o álbum do ano no The Progressive Music Awards 2016, a dupla russa do iamthemorning, juntamente com metade do finado Porcupine Tree e diversos outros músicos combinados dão um novo significado ao rock progressivo, com uma combinação nada convencional com música de câmara.

Do anonimato à premiação

iamthemorning é uma dupla recente, formada em 2010 pela cantora russa Marjana Semkina e o tecladista Gleb Kolyadin. Dois anos depois de seu primeiro álbum, ~ (2012) (sim, é um acento), a dupla assinou um contrato com a Kscope, responsável por revelar nomes do cenário do rock/metal progressivo e em seu segundo álbum, Benighted (2014), já contava com um dos bateristas mais versáteis da atualidade, Gavin Harrison, ex-Porcupine Tree e atualmente membro de turnê do King Crimson, além de ter trabalhado com dezenas de músicos que variam entre jazz, rock e metal. Outros dois anos separaram o lançamento do álbum mais recente, Lighthouse (2016), que conta com Gavin Harrison e seu antigo companheiro de Porcupine Tree, Colin Edwin, além do cantor do Riverside, Mariusz Duda, entre outras participações. O novo álbum foi a surpresa do ano no Progressive Music Awards 2016, até mesmo para a cantora Marjana, que em seu Facebook disse que ela era a única desconhecida entre os gigantes que estava definitivamente espantada e honrada com o prêmio.

Felicidade nos olhos de quem agora caminha entre gigantes

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Música de câmara + Rock progressivo = ?

Música de câmara é um conceito de música clássica para composições que podem ser apresentadas com uma orquestra reduzida. A voz precisa ser suave para não engolir os demais instrumentos, além de que a orquestra reduzida precisa ser equilibrada e ter até mesmo elementos removidos para poder criar uma harmonia em até mesmo lugares pequenos, como no passado em câmaras de um palácio ou castelo. Os russos do iamthemorning resolveram combinar este conceito musical com o rock progressivo e o resultado é um tanto quanto surpreendente.

A voz de Marjana é agradável, calma, mas quando precisa, consegue calcular o peso certo para criar o clima que precisar. Faixas como Too Many Years e Chark and Coal expressam um sentimento pesado que acompanha o peso na voz de Marjana, em contraste à faixas mais belas e melancólicas, como Sleeping Pills e a faixa título Lighthouse, que conta com o igualmente maravilhoso vocal de Mariusz Duda da banda Riverside. Outros momentos do álbum, como a faixa de introdução/encerramento do álbum I Came Before the Water (Pt. I e II) contam apenas com a dupla russa, enquanto as demais se aproveitam da gama de convidados para ilustrar a história de uma protagonista que luta contra uma doença mental não mencionada.

O álbum evolui sua sonoridade em cima de uma historia melancólica, num ciclo de esperança e decepção. Cada faixa tenta demonstrar um sentimento diferente de fases da protagonista, como ambientando seu passado em Too Many Years, os remédios que a fazem dormir tranquila em Sleeping Pills e a figura do farol em Lighthouse, a esperança de alguém que está afundando no mar de sua própria desilusão. Por fim, teria a protagonista “morrido na praia” em I Came Before The Water Pt. II? Tire suas próprias conclusões.

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Em alto e bom som

Lighthouse é um álbum para se ouvir com muita atenção, e como todo bom álbum, em alto e bom som, mas este especificamente, por possuir uma série de pequenos detalhes e nuances na composição que só poderão com total atenção de seu ouvinte. As músicas são compostas em camadas sutis, que dão suporte ao maravilhoso vocal de Marjana. O álbum prima bela beleza de sua composições, que fluem ao longo do álbum sem interrupção, mas ao mesmo tempo com músicas que possuem características únicas individuais.

Não se engane ao associar os nomes de Colin Edwin e Gavin Harrison com um álbum pesado. Apesar de ambos terem trabalhado juntos no Porcupine Tree, que possui uma sonoridade progressiva mais pesada, principalmente em seus últimos álbuns, com o iamthemorning ambos demonstram uma outra face mais puxada para composições clássicas ou até mesmo para canções mais leves do próprio Porcupine Tree. O baixo e a bateria criam camadas que se mesclam com os demais instrumentos, sem se destacar demais, até por conta do lado “música de câmara” da banda.

Vale a pena mencionar que apesar de agora ser uma dupla agora renomada no meio progressivo, os integrantes do iamthemorning não vivem somente dos frutos de sua banda. Gleb é pianista na Orquestra Primavera  em São Petersburgo enquanto Marjana atualmente trabalha em uma empresa de TI com documentação de sistemas (pelo menos até a data que escrevi esta matéria). O Facebook pessoal de Marjana, além de sua fanpage pessoal é recheado de covers acústicos de bandas do mundo progressivo, e diferente de muitos artistas nas redes sociais, ela é bem autentica, “gente como a gente”. Vira e mexe quando passo para curtir postagens de bandas que gosto vejo seu nome no meio, e suas postagens reclamando do visto britânico são sempre hilários.

Concluindo

Considero Lighthouse, assim como o iamthemorning, um expoente único de uma combinação sem precedentes. Minha primeira audição foi cega, uma recomendação do canal do Youtube da Kscope, e já de cara fui atraído por esta pérola. Só depois de ouvir o álbum várias vezes descobri das participações dos ex-Porcupine Tree, e com o prêmio no Prog Awards tive mais certeza de que iamthemorning é uma banda com um futuro promissor. Se seguir no seu ritmo bienal, 2018 pode reservar uma nova pérola da dupla russa, e quem sabe um dia eu não consiga uma oportunidade de estar presente neste concerto progressivo de música de câmara.


Banda: iamthemorning
Álbum: Lighthouse
Gênero(s): Progressive Rock, Crossover Prog, Chamber music
Lançamento:1 de Abril de 2016
Duração: 50 minutos
Classificação do blog: 4.5/5

Formação:
Marjana Semkina – vocais
Gleb Kolyadin – piano de cauda, teclados

Músicos convidados:
Colin Edwin – baixo
Gavin Harrison – bateria
Mariusz Duda – vocais
Vlad Avy – guitarra
Evan Carson – bodhrán e percussão
Andres Izmailov – harpa
Tatiana Rezetdinova – flauta
Roman Erofeev – clarinete
Sergey Korolkov – trompete
Oksana Stepanova – bombard
Philipp Saulin – violino
Mikhail Ignatov – violoncelo
Coral “Perezvony”
Quarteto de cordas

Faixas:
1 I Came Before the Water (Part I)
2 Too Many Years
3 Clear Clearer
4 Sleeping Pills
5 Libretto Horror
6 Lighthouse feat. Mariusz Duda
7 Harmony
8 Matches
9 Belighted
10 Chalk and Coal
11 I Came Before the Water (Part II)
12 Post Scriptum

 

Site oficial/Página Facebook

 

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Um pensamento sobre “iamthemorning – Lighthouse (2016): Uma combinação não convencional

  1. Eu só conhecia a Lighthouse, mais por causa do Mariusz Duda. Apesar de achar legal, não foi nada que me encantou a ponto de ouvir mais músicas da banda.
    Depois dessa resenha peguei o álbum todo para ouvir, e por mais que chamber music não seja minha praia, sou obrigado a admitir que a dupla me surpreendeu. Geralmente chamber music me entedia, mas não foi o caso aqui. Fiquei focado no álbum do início ao fim.

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