Diário de Bordo/Musicalizando

Diário de Bordo Especial – O Prog e a música ao redor do mundo: Introdução

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Sempre que começo algum projeto que considero enorme e deveras insano, não consigo deixar de pensar que preciso acabá-lo, mas quando acabo, sinto-me impelido a começar um novo desafio enorme e deveras insano. Após a conclusão da matéria sobre o rock e o metal no Brasil, esta foi a sensação que tive. Até outra ideia enorme e deveras insana ter surgido para o meu deleite e maldição.

O Prog ao redor do mundo

A ideia inicial não era simples: encontrar e ouvir pelo menos um álbum de Prog (defina Prog como o resultado deste artigo) para cada país do mundo. A tarefa em si já começou complicada pelo fato do que se define por um país ser algo um tanto quanto controverso, então decidi ignorar a convenção de país de certa forma e passei para “território”. Fiz algumas pesquisas em diferentes fontes para definir estes “territórios” e cheguei a um número: 289 territórios que incluem todos os países reconhecidos pela Nações Unidas, territórios independentes porém não reconhecidos, ilhas e destacamentos ao redor do globo, até mesmo um ou outro bônus de minha parte. É possível que existam territórios não cobertos pela minha pesquisa por alguma falha nessa interpretação, e por este motivo talvez em uma futura atualização os números que aqui apresento não estarão de acordo com meus artigos desta série. Ainda sim, achei que seria válido apresenta-los aqui de qualquer forma.

Utilizando como base as fontes progarchives.com, metal-archives.com e rateyourmusic.com, território a território busquei pelos álbuns de maior rating média entre os usuários, visto que ouvir 289 álbuns já seria um desafio e tanto, portanto mais do que isso seria impossível em tempo hábil. Veja, somente para o artigo do Brasil, eu ouvi mais de 200 bandas, mas não significa que ouvi 200 álbuns, e já foi uma tarefa que consumiu um tempo considerável. Mesmo assim, a minha estupidez e curiosidade falaram mais alto, e a minha decisão foi ouvir pelo menos um álbum completo de cada país, já que optei por escolher um único artista por país.

O segundo problema que acabei me deparando foi na pesquisa em si. Era óbvio que não haveria um álbum de Prog para cada país do mundo. Então, o que fazer com estes países para os quais não encontrei um único álbum de Prog sequer? Depois de certa reflexão, decidi que iria adiante, e então o que era para ser “O Prog ao redor do mundo” se tornou “O Prog e a música ao redor do mundo”.

Figura 1 - Quantidade de álbuns por sub-gênero do Prog

Figura 1 – Quantidade de ocorrências de subgênero por sub-gênero do Prog

A predominância pelo Progressive Metal não foi proposital, e é plausível, pois quando não encontrei nenhum álbum na minha fonte primária (Prog Archives), passei direto para uma fonte mais orientada ao metal (Metal Archives). Ficaram faltando para completar todos os subgêneros do Prog identificados aqui no blog: Canterbury Scene, Indo-Prog/Raga Rock e Proto Prog. Eu poderia ter dado uma atenção especial para não deixar nenhum subgênero faltando, mas mais uma vez, um dos critérios que foi chave para a escolha de determinado álbum de determinado país foi a avaliação dos usuários do Prog Archives/Rate Your Music, salvo algumas exceções de álbuns que selecionei especialmente pois já os conhecia e gostaria de inseri-los no contexto desta matéria.

Permeando os gêneros

Saindo das vertentes do Prog, procurei me ater aos estilos que o permeiam, variações de Rock, Metal, Jazz, Blues e Folk. Com este leque mais abrangente, o número de álbuns aumentou. Para os países que não encontrei nada neste leque, adicionei uma nova exceção para selecionar qualquer álbum de música encontrado de origem daquele país. Foram poucas as situações que chegaram a este nível, já que o Folk abrange ritmos étnicos do país. Por fim, existem territórios militares, não habitados, ou por conta de problemas ou falta de resultados, não consegui encontrar um álbum completo, somente um nome de artista ou uma referência. Tudo está relacionado neste que será um artigo (ou matéria, post, como preferir nomear) em 5 partes.

Figura 2 - Porcentagem de gêneros dos álbuns escolhidos

Figura 2 – Porcentagem de gêneros dos álbuns escolhidos

Figura 3 - Quantidade territórios com álbuns (verde) ou sem resultados (vermelho) por continente

Figura 3 – Quantidade territórios com álbuns (verde) ou sem resultados (vermelho) por macro região

O resultado até que foi satisfatório para o que eu esperava. Mais de 50% dos álbuns ouvidos possuíam pelo menos um subgênero do Prog dentre suas possibilidades, e dos 289 territórios analisados, 242 me trouxeram pelo menos um resultado (álbum). Por pouco a Oceania ficava com mais países sem do que com. Tive uma tremenda dificuldade de encontrar álbuns para suas diversas ilhas, ou mesmo informações relevantes a serem apresentadas. Em meus critérios não me limitei por ano de lançamento ou idioma, trazendo um resultado rico e vasto, dos anos 60 até lançamentos em 2016, com mais de 200 idiomas, alguns álbuns com 2, 3 até 6 idiomas.

Figura 4 - Quantidade de álbuns por década

Figura 4 – Quantidade de álbuns por década

Figura 5 - Porcentagem de idiomas encontrados

Figura 5 – Porcentagem de idiomas encontrados

A predominância dos anos 70 e 2000 em diante é diretamente ligada à quantidade de álbuns de Prog selecionados nesta pesquisa, sendo os anos 70 seu auge e os anos 2000 em diante o retorno do gênero a um relativo sucesso ao redor do mundo. 16% de álbuns instrumentais também é um número interessante para mim, sem ser excessivo mas ao mesmo tempo contemplando diversas bandas interessantes.

No momento em que escrevo esta matéria, praticamente todos os 242 álbuns já passaram pelo menos uma vez pela minha playlist, com 2 meses de audições, com 10 horas por dia pelo menos só ouvindo e pré-analisando os álbuns. Como disse, álbuns completos. Nada de ouvir uma ou outra faixa e tirar uma conclusão, isso porque também meu objetivo nunca foi tirar conclusões sobre os álbuns em si, mas encontrar pelo menos um álbum de cada país.

Como segue aqui no blog, optei por utilizar o Spotify como fonte primária para ouvir estes álbuns, e em seguida outras fontes, como Youtube, Bandcamp, Soundcloud, sempre que possível fontes oficiais ou próximo a isso. Para os casos do Spotify ou para fontes oficiais da banda, o link para você também ouvir estará disponível nas respectivas matérias. Já Youtube e outras fontes, infelizmente não tenho intenção de divulgar.

Figura 6 - Fonte

Figura 6 – Fonte

Concluindo a introdução

Uma vez que praticamente todos os álbuns já foram ouvidos e o esqueleto das fichas de cada álbum já está feito, é apenas uma questão de tempo para eu dissertar um pouquinho sobre cada álbum, como fiz sobre cada banda na matéria do Metal/Rock BR. E como a questão é tempo, é provável que ainda precisarei de alguns meses para escrever as cinco partes em sua totalidade. Diferente do Metal/BR que levei quase um ano para concluir, pretendo colocar aqui no blog pelo menos uma vez por mês uma das 5 partes desta matéria. Só não prometo nada.

Termino aqui este Diário de Bordo especial com a lista de países que continuam sem álbuns. Estou aceitando sugestões, desde que a fonte seja o Spotify, Youtube ou qualquer streaming que esteja aberto na Internet para que eu possa consultar. Só vai valer se o artista ou a banda tiver como origem um dos países abaixo. Um abraço e até mais!

Lista de países sem álbuns:

Africa    Ceuta
Africa    PuntlÂndia
Africa    Santa Helena, Ascensão e Tristão da Cunha
Africa    Somalilândia
America    Saba
America    São Bartolomeu
America    São Martinho
America    Santo Eustáqui
America    Ilhas Turcas e Caicos
Asia    Abecásia
Asia    Brunei
Asia    Ilha Christmas
Asia    Timor-Leste
Asia    Curdistão iraquiano
Asia    República Turca de Chipre do Norte
Asia    Caxemira Livre
Europa    Ilhas de Aland
Oceania    Samoa Americana
Oceania    Kiribati
Oceania    Nauru
Oceania    Ilha Norfolk
Oceania    Ilhas Pitcairn
Oceania    Tuvalu
Oceania    Wallis e Futuna

 

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2 pensamentos sobre “Diário de Bordo Especial – O Prog e a música ao redor do mundo: Introdução

  1. Achei que nada poderia ser mais épico (e insano) do que o post sobre o metal br, mas acho que essa “série” vai superar, hahahaha… Só pelas estatísticas, fiquei curioso para ver o que vem pela frente.

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