Musicalizando

King Crimson – Radical Action (To Unseat the Hold of Monkey Mind) (2016)

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Com mais lançamentos ao vivo do que em estúdio, os veteranos do King Crimson mostram todo o seu poder em um disco triplo (ao vivo) que mescla seus clássicos dos anos 70, adaptados para a formação com 3 bateristas, com faixas recentes que jamais foram gravadas em estúdio.

13 álbuns de estúdio, 15 ao vivo, 7 Projekcts…

Conceituada como uma das bandas precursoras do gênero progressivo, a trajetória do King Crimson é tão confusa quanto as várias mudanças em seu som. A banda conta com 13 álbuns em estúdio, sendo o primeiro em 1969 e o último em 2003, e 15 álbuns ao vivo, entretanto, musicas novas não deixaram de surgir. Desde The Power to Believe (2003) o repertório dos shows do King Crimson é acrescido de músicas de pelo menos 3 dos 7 Projekcts, “sub bandas” geradas a partir de membros e ex-membros, sendo o último lançamento de estúdio A Scarcity of Miracles (2011) com o atual vocalista Jakko Jakszyk, a alma do King Crimson Robert Fripp e o atual saxofonista Mel Collins, acompanhados do atual baixista, o lendário Tony Levin, e o baterista ex-Porcupine Tree e outras dezenas de projetos, Gavin Harrison. Não obstante, músicas únicas e improvisações parecem ser adicionadas a cada novo álbum ao vivo, e Radical Action (To Unseat the Hold of Monkey Mind) (2016) não é uma exceção.

Se você ainda sim espera que o King Crimson se comporta como a maioria das bandas, que vai para o estúdio sempre que tem coisas novas para mostrar, está tremendamente enganado. A discografia em estúdio da banda é apenas metade daquilo que ela realmente representa. A cada formação, a banda se remodelou, chegando à formação atual com 3 bateristas e vários músicos com décadas de experiência em improvisação, parte do show que a banda oferece. Em 4 décadas foram 5 vocalistas principais diferentes que passaram por pelo menos quatro fases principais da banda até o ano de 2003, em seu último álbum de estúdio sob o nome King Crimson. Atualmente a banda conta com seu sexto vocalista, Jakko Jakszyk, uma voz equilibrada que consegue emular todos os antigos vocalistas da banda mas sem perder seu estilo.

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O jeito “King Crimson” de ser

Com uma lacuna de 12 anos sem lançar um álbum ao vivo sob o nome King Crimson, Radical Action (To Unseat the Hold of Monkey Mind) (2016) é o terceiro ao vivo completo no período de 2 anos, mas com o melhor dos setlists entre estes lançamentos recentes. Lançado em CD triplo, o álbum também conta com uma versão que acompanha um Bluray, com um dos shows da turnê realizado no Japão, e outra de luxo com 3 CDs, 2 DVDs e 1 Bluray que pelo valor só faltava fazer café.

O primeiro disco conta com a parte mais instrumental do show. Das 10 faixas, somente Meltdown e The Light of the Day possuem partes com vocal, sendo que a primeira é uma faixa que jamais foi gravada em estúdio, mas está incluída em lançamentos ao vivo, e a segunda é uma faixa de um dos Projekcts (Jakszyk, Fripp and Collins). Dentre as 8 instrumentais, 3 foram tiradas do álbum  Larks’ Tongues in Aspic (1973), outras 3 faixas que só foram gravadas ao vivo, sendo uma delas, Radical II, exclusiva do álbum, 2 faixas dos lançamentos em estúdio mais recentes. Apesar da diferença em estúdio gritante do progressivo psicodélico e orgânico de 73 com as faixas dos anos 2000, que incluem um estilo mais industrial da banda, ao vivo todas elas se mesclam com os rearranjos feitos para comportar os sete integrantes da formação atual. Sem exceção, todas elas no novo arranjo ficaram bem melhores do que as gravações em estúdio, o que bate de encontro com a ideia de que o King Crimson em estúdio é apenas metade da experiência.

Já no segundo disco, que também contém 10 faixas, a situação instrumental se inverte, contando apenas com Banshee Legs Bell Hassle, VROOM e Sailor’s Tale. Novamente contamos com uma mescla de canções da fase setentista da banda com faixas mais recentes da banda (exceto por VROOM, lançada em 1995 no álbum THRAK). Apesar de não ser uma faixa cantada por Greg Lake, que futuramente fundou outro clássico do rock progressivo, Emerson, Lake & Palmer, Jakszyk se apoia no estilo do primeiro vocalista da banda em faixas como Pictures of a City e Easy Money para criar um vocal de impacto, mas ao mesmo tempo consistente com uma das últimas faixas de estúdio do conjunto da obra, A Scarcity of Miracles. Ainda no segundo disco, temos um pequeno intervalo improvisado com um nome propicio, Interlude, e outra faixa inédita, Suitable Grounds for the Blues, a última das 3 novas faixas completas anunciadas junto com Meltdown e Radical Action em 2015 por Robert Fripp. Se enganou quem achava que precisaria esperar um lançamento em estúdio para ouvi-las pela primeira vez.

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E por fim, na corte do rei carmesim

O terceiro disco é o ponto mais esperados dos fãs de longa data da banda, ou daqueles que preferem a fase mais inovadora e experimental progressiva. Três das cinco faixas do meu álbum favorito, Red (1974), são tocadas com maestria no arranjo para a nova formação. Mel Collins improvisa em Red, enquanto as três baterias em Starless adicionam novas camadas ao final da canção. Se não fosse pela ausência de Fallen Angel, este ao vivo seria meu álbum favorito na história da banda. Apenas uma faixa nova, porém curta em relação às demais, é incluída, Devil Dogs of Tessellation Row, um solo de 3 minutos com as três baterias se entrelaçando sem parar. Por fim, temos três das cinco faixas de um dos álbuns considerados mais importantes para a história do rock progressivo, In the Court of the Crimson King (1969). Epitaph, In the Court of the Crimson King e o encerramento desta jornada de quase três horas de música, 21th Century Schizoid Man, completam o setlist mais incrível gravado pela banda.

Como mencionei, todas as músicas foram equilibradas e até rearranjadas para a formação de sete integrantes da banda, portanto, as três baterias se fazem presente sem virar uma bagunça, quase que como uma orquestra, enquanto trechos de instrumentos de sopro são adicionados para aproveitar a maestria de Mel Collins. Robert Fripp, sempre sério e sentado ereto em seu canto no palco com toda a sua parafernália ligada na guitarra, guia a banda com a infinidade de combinações trazidas por seu estilo único, juntamente com a base do baixo e Chapman Stick de Tony Levin.

Apesar de conter a última performance lançada em disco pela banda, Robert Fripp não tem descanso para arrancar dinheiro de nossos bolsos (no bom sentido). Em seu site, DGM Live, quase que semanalmente são disponibilizadas faixas individuais dos shows da turnê do Crimson, que podem ser baixadas de graça (quase todos os casos) no formato Mp3, ou por um valor (mais ou menos) irrisório no formato FLAC. Depois de algumas experiências comparando faixas do Radical Action com outras faixas iguais que baixei, parece até que o King Crimson nunca toca a mesma música duas vezes, principalmente se for comparar com a original. Posso estar enganado, mas sempre há elementos improvisados em algum dos instrumentos, transformando cada download em uma nova experiência.

Concluindo

Apesar de não ser um apanhado de toda a carreira da banda, sumariamente ignorando todos os lançamentos dos anos 80 e clássicos mais recentes como THRAK, Sex Sleep Eat Drink Dream e FraKctured, Radical Action e seu enorme nome é um álbum completo ao analisar o possível atual som da banda. Afirmar qualquer coisa sobre o King Crimson é um tremendo engano, pois a qualquer momento a banda pode virar de cabeça para baixo e do avesso, mas posso dizer que esta formação é sólida, talvez até a melhor até hoje em minha humilde opinião. Cabe agora a Robert Fripp decidir se a banda vai seguir com os lançamentos ao vivo ou finalmente teremos um álbum sob o nome do rei carmesim.


Banda: King Crimson
Álbum: Radical Action (To Unseat the Hold of Monkey Mind)
Gênero(s): Progressive Rock, Eclectic Prog
Lançamento: 23 de Setembro de 2016
Duração: 160 minutos
Classificação do blog: 4.0/5

Formação:
Jakko Jakszyk – vocais, guitarra, flauta
Robert Fripp – guitarra, soundscapes
Mel Collins – saxofone, flauta
Tony Levin– baixo, Chapman stick, backing vocals
Pat Mastelotto – bateria acústica, bateria elétrica, percussão
Gavin Harrison – bateria, percussão
Bill Rieflin – bateria, percussão, teclados, backing vocals

Faixas:
CD 1
1.1 Larks’ Tongues in Aspic Part One    Larks’ Tongues in Aspic (1973)
1.2 Radical Action (To Unseat the Hold of Monkey Mind)    Apenas álbuns ao vivo
1.3 Meltdown    Apenas álbuns ao vivo
1.4 Radical Action II    Inédita
1.5 Level Five    The Power to Believe (2003)
1.6 The Light of Day    A Scarcity of Miracles – A King Crimson ProjeKct (2011)
1.7 The Hell Hounds of Krim    Apenas álbuns ao vivo
1.8 The ConstruKction of Light    The ConstruKction of Light (2000)
1.9 The Talking Drum    Larks’ Tongues in Aspic (1973)
1.10 Larks’ Tongues in Aspic Part Two    Larks’ Tongues in Aspic (1973)
CD 2
2.1 Peace    In the Wake of Poseidon (1970) (dividida em duas partes)
2.2 Pictures of a City    In the Wake of Poseidon (1970)
2.3 Banshee Legs Bell Hassle    Apenas álbuns ao vivo
2.4 Easy Money    Larks’ Tongues in Aspic (1973)
2.5 VROOOM    Thrak (1995)
2.6 Suitable Grounds for the Blues    Inédita
2.7 Interlude    “Inédita”
2.8 The Letters    Islands (1971)
2.9 Sailor’s Tale    Islands (1971)
2.10 A Scarcity of Miracles    A Scarcity of Miracles – A King Crimson ProjeKct (2011)
CD 3
3.1 Red    Red (1974)
3.2 One More Red Nightmare    Red (1974)
3.3 Epitaph    In The Court of the Crimson King (1969)
3.4 Starless    Red (1974)
3.5 Devil Dogs of Tessellation Row    Inédita
3.6 The Court of the Crimson King    In The Court of the Crimson King (1969)
3.7 21st Century Schizoid Man    In The Court of the Crimson King (1969)

Robert Fripp e sua label DGM são contra streaming e um monte de outras coisas, portanto, sorry, sem link no Spotify

 

Site oficial/Canal oficial (Youtube)/Página Facebook

 

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