Musicalizando

Frost* – Falling Satellites (2016): Derrubando fronteiras

frost-falling-satellitesO supergrupo fundado por membros de bandas do meio progressivo como Arena, Kino e IQ, ao lado de Craig Blundell, baterista de turnê do músico Steven Wilson, retorna depois de um hiato de 8 anos desde seu último álbum para mostrar que a espera valeu a pena.

Jem Godfrey, do pop ao prog

Antes de fundar o Frost*, Jem Godfrey, tecladista e vocalista da banda, ficou famoso principalmente no Reino Unido e na Europa não como músico, mas sim como compositor. Algumas de suas composições chegaram a vender mais de 100.000 cópias, sendo que uma delas, Whole Again, do grupo Atomic Kitten, chegou a receber um disco de platina com mais de 1.000.000 de cópias do single vendidas. Além disso, Godgrey já trabalhou com músicos como o grupo Morcheeba, Steve Vai e Joe Satriani.

Com sua inserção inicial no mundo da música como compositor exclusivamente no universo pop britânico, o músico decidiu finalmente assumir suas raízes musicais no rock progressivo e então, juntamente com o John Mitchell das bandas Arena e Kino, começaram sua busca por músicos para compor a primeira formação de Frost* e o lançamento do primeiro álbum, Milliontown (2006), que mescla um som puxado para o Neo-prog com resquícios da vivência pop de Godgrey. A banda se separou, um novo Frost* surgiu brevemente para o lançamento de Experiments in Mass Appeal (2008), para então ser novamente dissolvido. Entre idas e vindas até o ano de 2012, Godfrey e os integrantes que passaram pela banda neste período compuseram os primeiros acordes de um álbum que levou 4 anos em produção.

De pop a dubstep, um Neo-Prog toma forma

Comparado com os dois primeiros álbuns da banda, Falling Satellites é um álbum definido na falta de definição. A banda resolveu apostar na individualidade musical experimental ao invés de confiar na combinação Neo-Prog + rock progressivo com toques de música pop. Cada música, apesar de ainda ter o Neo-Prog como base, parece estar mesclada com um estilo diferente de música. O álbum começa com First Day, uma peça curta introdutória com vocal e um teclado ambiente, calma e atmosférica, emendando numa faixa animada e cheia de camadas, Numbers, que mistura o Neo-prog moderno da banda com uma estrutura mais pop, tendo o teclado mais uma vez como base. Em seguida, Towerblock começa com um vocal distorcido, o barulho de um elevador e então dubstep! Tá ai algo que eu não costumo ver nos álbuns que ouço.

Signs, aposta nos vocais na dualidade dos vocais de Godfrey e Mitchell, com uma introdução de baixo acompanhada pela bateria de Craig Blundell, seguida de uma estrutura mais típica do rock progressivo moderno. O álbum acalma o peso em Lights Out, com uma música mais suave e um vocal feminino (desconhecido) para então entrar em Heartstrings, a música mais antiga do álbum, que segue a fórmula usada pelo Frost* em seus primeiros dois álbuns, talvez por conta da época que foi composta. A primeira versão de Heartstrings faz parte do DVD The Rockfield Files, lançado em 2013.

frost-banda

“Trying to cover your blinded side/Pull your heartstrings”

Closer to the Sun volta a soar como um pop, mas puxado para o eletrônico, com drumbeats, palmas e layers de teclado. Em seguida, The Raging Against the Dying of the Light Blues in 7/8 (ufa…) é definitivamente a melhor faixa do álbum, que mistura de tudo um pouco, exibindo um progressivo moderno, pesado mas ao mesmo tempo agradável. Guitarras surgem em meio ao lead de teclado característico de Godfrey, um piano precedido de um solo rápido de teclado, além dos versos com efeito de rádio na voz somados a algo que tenta emular um blues clássico no meio da pancadaria progressiva. É nessa letra que o nome do álbum surge, na canção mais afinada vocalmente falando de todo o álbum, além de ser a faixa mais longa e mais bem trabalhada.

Nice Day for It resgata o tema principal de Numbers num ato recursivo dentro do álbum, porém dando uma aproximação diferente, que se mistura com a canção First Day, como se fosse um resumo do álbum mas tocado acelerado, com mais solos, mais peso. Então temos Hypoventilate, uma antítese a canção Hyperventilate do primeiro álbum da banda. Posso estar enganado, mas tenho a impressão de que Hypoventilate é uma parte da música Hyperventilate bastante desacelerada, transformando-a em algo quase que uma textura de ambient music. O último acorde de teclado emenda em Last Day, uma peça de piano e vocal saudosista que parece fechar o álbum, mas não. Ele se estende por mais duas músicas, Lantern, uma peça mais leve, um vocal mais pop com o suporte do teclado e um som de fundo e por fim, British Wintertime, que se aproveita de algumas camadas estabelecidas em Lantern para criar um momento crescente, que até os primeiros 3 minutos parece ser apenas mais uma balada dramática, mas então acelera e adiciona instrumentos usados ao longo das outras doze faixas para finalizar o álbum da melhor forma possível. É uma belíssima peça de encerramento, com uma sonoridade “noventista”, como se fosse inspirada em trilhas de jogos e filmes da época.

Falling Satellites parece marcar uma nova era para o Frost*, quiçá uma formação definitiva como banda. A banda está em sua primeira grande turnê, gravou o primeiro clipe (Numbers) e a atenção para o baterista Craig Blundell depois do sucesso da turnê com Steven Wilson não podia ter vindo em melhor hora. Até então, a única exposição de divulgação que não vinha dos resquícios dos outros projetos de cada músico vinha pelo canal do Youtube da banda, que contem algumas músicas mas também alguns diários estranhos porém engraçados de Godfrey. Vale a pena gastar uns minutinhos para dar uma risadas com o líder da banda.

Concluindo

Milliontown (2006) e Experiments in Mass Appeal (2008) são bons álbuns, mas nem chegaram perto da qualidade sonora de Falling Satellites. O novo álbum carrega uma carga emocional positiva, que varia em momentos animados a canções que tocam, mas também uma variedade sonora incontestável. Tem sido um companheiro para mim no trânsito no caminho para o trabalho desde seu lançamento e até ganhou um espaço nas minhas cantorias desafinadas de chuveiro, algo que tem sido difícil em álbuns recentes. O álbum marca, sem soar enjoativo ou repetitivo, como poderia, afinal, de pop a dubstep, um Neo-prog toma forma.


Banda: Frost*
Álbum: Falling Satellites
Gênero(s): Progressive Rock, Neo-Prog
Lançamento: 27 de Maio de 2016
Duração: 66 minutos
Classificação do blog: 4.5/5

Formação:
Jem Godfrey – vocais, teclado, piano
John Mitchell – vocais, guitarra, violino
Nathan King – baixo
Craig Blundell– bateria

Faixas:
1 First Day
2 Numbers
3 Towerblock
4 Signs
5 Lights Out
6 Heartstrings
7 Closer to the Sun
8 The Raging Against the Dying of the Light Blues in 7/8
9 Nice Day for It…
10 Hypoventilate
11 Last Day
12 Lantern
13 British Wintertime

 

Site oficial/Canal oficial (Youtube)/Página Facebook

 

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