Musicalizando

Som BR – explorando o melhor do metal e do rock nacional

Nosso cenário musical, em grande parte, é dominado por ondas como o sertanejo (universitário ou o verdadeiro), funk ou as músicas que tocam nas novelas, geralmente uma mescla de bandas pop brasileiras e estrangeiras, criando uma dificuldade imensa de produzir e popularizar bandas de estilos que não estão em evidência no mercado nacional. Ainda sim, não podemos descartar as possibilidades que o cenário nacional pode oferecer para estilos como o metal ou o rock que foge um pouco da premissa rock/pop BR, que sofrem com o direcionamento do mercado, a falta de divulgação ou preconceito com o material nacional (sim, ainda ouço comentários como “é banda brasileira? nem quero ouvir” ou “canta em português? aff”).

Temos bandas que obtiveram grande sucesso neste nicho, como é no caso do Angra, Sepultura, Krisiun, Korzus, entre outros, porém recentemente, resolvi sair da “zona de conforto” e me aprofundar um pouco no cenário nacional do metal/rock para procurar novas bandas, as prováveis pérolas que estavam faltando em minha playlist por falta de conhecimento.

Metal Brasileiro

Com auxilio em parte do blog Warriors of the Metal (warriorsofthemetalhorde.blogspot.com.br), tive a oportunidade de ouvir centenas de bandas nacionais durante os meses de Dezembro/2015 e Janeiro/2016. Depois de muitas horas de deleite sonoro e quase um ano produzindo este post, resolvi elencar aqui no blog a minha seleção pessoal de bandas que hoje fazem parte de minha playlist, independente da frequência.

Obviamente que este post será orientado ao meu gosto, portanto, minha intenção não é fazer um apanhado geral e sim apontar bandas de diferentes subgêneros que atraíram meus ouvidos. Para não me estender demais, colocarei somente algumas informações de cada banda, bem como um dos possíveis rótulos de estilo que elas podem representar e suas páginas oficiais, assim, caso goste da indicação, poderá se aprofundar melhor, como fiz. Assim como todos os meus posts recentes, boa parte das bandas abaixo acompanharão seus respectivos perfis/álbuns no Spotify, mas se você não costuma usar a ferramenta, não deixe de procurar a banda em outros canais. Também aqui estou colocando o nome dos gêneros em português, além de uma fichinha fora do padrão que costumo usar, para facilitar os leitores que não tem muito contato com o meu blog e o sistema que utilizo.

Fiz uma coletânea de algumas informações, porém algumas imagens ou fontes divergiam, portanto tive que escolher uma. Se localizar algum erro na matéria por gentileza entre em contato!


Banda Dynahead

Dynahead
Metal Progressivo
2004 – presente
Brasília – DF
www.dynahead.com.br

De todas as bandas que escutei neste processo, o Dynahead acabou em primeiro lugar como minha favorita. O som do Dynahead varia muito principalmente nos álbuns Chordata, nos quais a banda resolveu experimentar um pouco de tudo. Tem rock, tem todo tipo de metal, gutural, vocais limpos, vocal de tudo quanto é jeito, português, inglês, tem toques de jazz e blues, instrumentos étnicos… Enfim, só ouvindo pra saber. A faixa Kodi do álbum Chordata II (2014) pode não ser a indicação mais fácil de ouvir pois a faixa tem 20 minutos, porém foi ela que abriu as portas do Dynahead para mim, portanto achei mais do que justo recomendá-la. Troquei alguns e-mails com o vocalista, Caio Duarte, na época para elogiar e sanar minha curiosidade sobre o conceito dos álbuns e ele foi bem receptivo e educado. Mais um ponto positivo para a banda.


Banda Atlantida

Atlantida
Metal Progressivo
1994 – ???
Rio de Janeiro – RJ
Não encontrei site oficial

Já numa pegada mais Metal Progressivo dos anos 90, como o início da carreira do Dream Theater (se você não conhece Dream Theater, não vai entender algumas das comparações aqui, portanto, corra atrás), a banda AtlantidA fez uma breve passagem pela minha playlist com um único álbum, Painted Reality (2004) e nunca mais se viu falar. É difícil encontrar informações da banda na internet por conta de outras bandas com o mesmo nome, mais famosas. O álbum é bem agradável para quem gosta de progressivo, com um teclado presente e riffs interessantes, mas seria melhor se tivesse mais. Informações em várias fontes dizem que a banda está ativa, mas não lança nada desde 2004 (ganhou do Tool…)


Banda Bad Salad

Bad Salad
Metal Progressivo
2007 – presente
Brasília – DF
www.badsalad.net

Mais uma banda do cenário progressivo de Brasília, o Bad Salad corre na direção do metal progressivo próximo ao Dream Theater, porém mais pesado, com um som de qualidade e presente. O álbum que ouvi mais, o Uncivilized (2012), é bem equilibrado com relação a distribuição dos riffs e leads de teclado em cada música, sem transformar o álbum em uma única peça maçante, somado a um vocal agradável e uma bateria/baixo bem colocados. Alguns de seus riffs me lembram meu álbum favorito do Dream Theater, Train of Thought (2003), algo que eles nunca repetiram, portanto, acho que o Bad Salad ocupa na minha playlist a ausência de peso do Dream Theater atual.


Banda Daydream XI

Daydream XI
Metal Progressivo
2005 – presente
Porto Alegre – RS
facebook.com/daydreamXI

Continuando na pegada do Metal Progressivo, agora com uma banda do Sul do país. O primeiro ponto que chamou a atenção no Daydream XI foi o vocal, que se distancia um pouco dos agudos virtuosos esperados de um Metal Power/Progressivo para algo mais “rasgado”. O som é recheado com teclado, solos e riffs distorcidos e uma bateria bem rápida, características de um bom som do gênero, mas com um pézinho puxado para o Heavy Metal. Não inova, mas é um som que merece seu espaço aqui.


Banda Eleven Strings

Eleven Strings
Metal Progressivo
2012 – presente
Mogi das Cruzes – SP
www.elevenstrings.net

Praticamente meus vizinhos de nascença, o Eleven Strings balança entre o Metal Progressivo e o Power/Heavy Metal. O teclado é menos evidente do que as demais bandas que já mencionei aqui como Metal Progressivo, mas está presente como pano de fundo das faixas. O que me chamou atenção na banda é que, apesar de ter um vocalista, Evandro Braito, há uma alternância em algumas músicas que são cantadas em equidade por outros integrantes, colocando alguns nuances na parte vocal. O restante dos instrumentos também são bem colocados, principalmente os momentos com guitarras limpas, outro ponto forte da banda.


Banda Mindflow

Mindflow
Metal Progressivo
2003 – presente
São Paulo – SP
facebook.com/mindflowband

Uma banda que não lança nada novo já tem bastante tempo, o Mindflow vem dos tempos em que eu assistia MTV para conhecer novas bandas. Recomendo sua discografia na totalidade, pois a banda soube trabalhar novos temas e adicionas novas texturas sonoras de um álbum para o outro, sem perder o peso esperado. Seguindo aqui no post com “peso”, das bandas que considero Metal Progressivo deste post, o Mindflow segue como a mais agressiva no geral.


Banda Suprema

SupreMa
Power/Prog Metal
2004 – presente
São Paulo – SP
www.supremametal.com

Seguindo uma linha mais sinfônica e power, a banda Suprema se aproxima do som e da qualidade do metal europeu. O vocal rasgado de Pedro Nascimento impressiona, somado aos convidados que o acompanham pelo álbum Traumatic Scenes (2013), cujo conceito se baseia no filme “O invisível (2007)”. Assim como a maioria das bandas que seguem um som mais tradicional, o som do SupreMa não tem nada de inovador para o gênero, o que não parece ser um problema principalmente para os amantes do lado mais power metal da banda.


Banda Hibria

Hibria
Power Metal
1996 – presente
Porto Alegre – RS
www.hibria.com

Saindo do progressivo para o lado mais power do Brasil, um dos pontos fortes do nosso país ao redor do mundo, não poderia deixar de falar do Hibria e seu power/speed metal. A banda que fez sua fama no Japão junto com as demais no mesmo estilo já segue com 5 álbuns de estúdio, sendo o último nomeado com o próprio nome da banda, Hibria (2015). A banda se aproveita de sua fórmula rápida e agitada somada aos solos de guitarra e os vocais de Iuri Sanson para criar um som de peso, com momentos que inovam como na faixa Pain do último álbum, que repentinamente troca o power metal para um toque mais jazz/progressivo, sem perder o peso.


Banda Pastore

Pastore
Heavy Metal
2008 – presente
São Caetano do Sul – SP
facebook.com/mario.pastore.31

Falar do Heavy Metal brasileiro e não falar de Mario Pastore para mim seria um pecado. Muitos não conhecem seu nome, mas seus principais pupilos. O músico, que tem poucos trabalhos em seu nome, é instrutor de canto, com nomes como Edu Falaschi (Angra, Almah), Danilo Herbert (Mindflow) e Ricardo Peres (Fates Prophecy, Seventh Seal) em seu currículo. Com um vocal mais tradicional, puxado para o estilo do Judas Priest, Iron Maiden e Primal Fear, seus álbuns solo são uma vitrine para as inúmeras técnicas do músico, além do bom e velho heavy metal.


Banda Ecliptyka

Ecliptyka
Heavy Metal
1998 – presente
Jundiaí – SP
facebook.com/ecliptyka

Enquanto o cenário do metal brasileiro esbanja vocalistas masculinos conhecidos pelo mundo, são poucos os nomes femininos que se destacam, mesmo dentre as bandas que ouvi. Uma das que escolhi para esta matéria foi o Ecliptyka. A banda conta com dois vocalistas, uma mulher, Helena Martins, que tem um estilo aceitável, as vezes agressivo, as vezes mais lírico, e um homem, Guilherme Bollini, que varia de guturais a vocais limpos, como no exemplo da faixa Times Are Changed do álbum de mesmo nome, lançado em 2014. Não chega a impressionar, porém o som da banda tem uma pegada interessante se comparada com as demais que ouvi no cenário heavy metal com vocal feminino.


Banda Armahda

Armahda
Heavy Metal
2011 – presente
São Paulo – SP
facebook.com/armahda

Aqui temos um exemplo de uma banda que inova no conceito, mas falta inovar no som para ser “perfeita”. O Armahda deixa de lado caveiras e histórias fantásticas para cantar a história do Brasil, em letras em inglês e português. Há momentos do álbum em que a banda parece que incorporará elementos folk brasileiros em seu som, entretanto, são apenas momentos, que retornam ao heavy metal “arroz com feijão”, como na faixa Canudos, que começa incrível com um som do cangaço, mas depois dos 2 minutos e meio parte para o heavy metal pancadaria. Eu gostei muito do conceito e acho que eles merecem um espaço aqui, mas confesso que ouvindo seu som fiquei um pouco decepcionado com possibilidades que enxerguei, talvez pela minha veia mais progressiva.


Banda Ancesttral

Ancesttral
Thrash Metal
2003 – presente
São Paulo – SP
ancesttral.com

A banda que se originou de um cover do Metallica (banda Damage Inc.), Ancesttral herda os bons momentos do vocal de James Hetfield com o thrash metal de bandas como Slayer e Testament para criar um som que evoluiu do jeito certo, diferente da banda da qual o vocalista/guitarrista Alexandre Grunheidt e o ex-baterista Fabrício Ravelli (Harppia) faziam cover. A banda em nenhum momento de sua discografia deixa o peso “a la bons tempos de Metallica” de lado, mas investe nos efeitos nas guitarras para fazer um som diferenciado dentro do estilo, destaque em seu último álbum, Web of Lies (2016). É a banda para fã nenhum do thrash metal moderno ou de raiz botar defeito. Pessoalmente me arrisco dizer que gostei mais de Web of Lies do que dos últimos álbuns das bandas que citei como exemplo para ilustrar o som do Ancesttral. Odiadores odiarão, mas nessa o Brasil venceu.


Banda Semblant

Semblant
Gothic Metal
2006 – presente
Curitiba – PR
semblant.com.br

Passando pelos estilos Prog, Power e Heavy do metal, resolvi elencar outros estilos que não costumo ouvir tanto, mas com bandas que me agradaram de alguma forma. Representando o Gothic Metal neste post, com um instrumental que se inspira em bandas mais sinfônicas do gênero como Tristania, recheado com bumbos duplos e sons de teclado, temos Semblant. A banda tem dois vocalistas, sendo Sergio Mazul com os apoios e os guturais e Mizuho Lin e seu vocal feminino mais grave, semelhante ao estilo usado no inicio da carreira do Lacuna Coil. A banda no ano de 2016 lançou um álbum através da gravadora de ninguém menos que David Ellefson (Megadeth), não deixa a desejar se comparada com outras bandas do gênero ao redor do mundo e é uma das apostas nacionais para o cenário gótico/death melódico.


Banda Cangaço
Cangaço
Death Metal
2010 – presente
Recife – PE
cangacometal.com

Cantando em português com um som sujo, bruto, mas com estranhos toques de música nordestina (como na faixa Corpus Alienum) e até um pouquinho de jazz do exemplo abaixo, Cangaço é uma combinação inusitada que funciona. A banda possui apenas um álbum lançado, Rastros (2013), entretanto em seu site você encontra dois EPs e duas Demos dignas do cenário KVLT, com momentos que lembram Opeth e Morbid Angel. Para os fãs de death metal é um prato cheio, visto a inovação sonora que a banda trás.


Banda Torture Squad

Torture Squad
Death Metal
1990 – presente
São Paulo – SP
torturesquad.net.br

Falando de Thrash e Death, não posso deixar de fora a banda Torture Squad. Não sei a que nível a banda é conhecida fora de São Paulo, mas desde criança este nome é algo comum para mim das revistas de metal que inundavam as bancas, principalmente nos anos 2000. Apesar de se manter num estilo tradicional durante duas décadas, a banda em 2013 lançou um álbum conceitual com um título em português (Esquadrão de Tortura) que fala sobre o tempo em que o Brasil foi governado pelo regime militar. Em mais uma guinada, com a saída do vocalista e guitarrista André Evaristo em 2015, a banda resolveu colocar uma vocalista no lugar, Mayara “Undead” Puertas, que faz um belíssimo trabalho digno de destaque com o EP Return of Evil (2016), meu favorito da banda.


Banda Detonator e as musas do metal
Detonator (e as musas do metal)
Heavy Metal (com aquela pitada de zueragem)
2014 – presente
Petrópolis – RJ
www.detonator.com.br

Sátira do metal farofa dos anos 90 que começou com o Massacration no programa Hermes e Renato, o comediante Bruno Sutter levou a sério (de certa forma) a carreira de músico e juntando três belíssimas mulheres com conhecimentos musicais e toda a tranqueira que o brasileiro gosta, Detonator e as Musas do Metal seguem firmes como, querendo ou não, expoentes do “metal brasileiro mainstream”. As composições são péssimas, apoiadas em um som cheio de clichês do metal e da comédia tosca herdada do Hermes e Renato, mas são minimamente divertidas, sem compromisso nenhum de agradar musicalmente.


Banda Tubaína
Tubaína
Rock
1992 – presente
São Paulo – SP (apesar de que eu achava que era Birigui)
tubaina.com.br

Já que vamos falar de palhaçada com música, tenho uma obrigação em aqui citar a melhor banda de rock sacanagem desde os Mamonas Assassinas, Tubaína. Nomeada com o refrigerante retrô mais famoso do país, a banda com muita criatividade, recursividade e rock tem dezenas de letras inteligentes e fáceis de cantar, que tiram sarro de futebol, do mundo dos negócios e até mesmo do rock em si. A banda que não nasceu em Birigui menciona o nome da cidade em diversas músicas, exalta o time Bandeirante da cidade e o esporte de piscina biribol. Suas letras fazem referências a São Paulo e a região do interior ao redor da venerada Birigui, mas não se prendem aos temas paulistas. O som é embasado no rock, mas pra fazer sacanagem a banda usa o que é preciso, desde polka a surf music.

Atenção: Infelizmente como nem todos os perfis no Spotify são oficiais, o perfil da banda Tubaína se mistura com o perfil de um músico de rap também intitulado Tubaína, do qual eu recomendo distância se você está aqui pelo rock/metal. Os álbuns do Tubaína são Eu fiz MBA! (2006), 10 anos sem perder o gás (2002), Polka Vergonha (2000) e Segue em frente toda a vida… Mas pare em Birigui (1997).

/]


Banda Iahweh
Iahweh
White Rock
1993 – presente
Taubeté – SP
www.iahweh.com.br

Com um vocal que apela para a emoção típica da música católica, mas com um som pesado, Iahweh é uma banda de White Metal que já contou com a participação do padre preferido da mulherada, Fábio de Melo, em uma de suas músicas. Como não sou muito fã de White Metal puro, não me arrisco em falar sobre a banda, mas pela qualidade da produção, nível da instrumentação e técnica do vocalista, me senti na obrigação de cita-los por aqui. É um som agradável e emocionante, só não é minha praia.


Banda Eterna
Eterna
White Metal
1995 – presente
São Paulo – SP
www.eterna.com.br

Diferente dos companheiros de estilo que citei acima, o Eterna é uma banda que se destaca por diversos motivos. Ao invés da “mesmice emocional” seguida pelas bandas de qualquer estilo somado ao católico/gospel/cristão/whatever religioso, o Eterna logo após seu primeiro álbum resolveu fugir da fórmula “Deus é o maior e nada mais importa” para cantar, em inglês, sobre temas mais filosóficos, ainda que circundando a espiritualidade. A banda já passou por inúmeras formações, mas atualmente conta com sua formação original, que veio da finada banda Refúgio. Os músicos desta formação original se conheceram em uma comunidade da igreja, e hoje tem como objetivo falar sobre temas como álcool e drogas através do metal.


Banda Kernunna
Kernunna
Folk Rock
2012 – presente
Varginha – MG
www.facebook.com/kernunna

Mais uma vertente do Rock/Metal, temos o Folk, e seus instrumentos étnicos, violões que se misturam com flautas e violinos, letras fantasiosas e malucas. É neste clima que indico a banda mais interessante do gênero aqui no Brasil: Kernunna. Com baixos acentuados, muitas camadas de instrumentos como teclados, violinos e flautas, a música de Kernunna é pesada e dançante, como uma banda de folk deve ser. A banda, projeto do vocalista e multi-instrumentista da banda Tuatha de Danann (expoente do folk metal no Brasil), puxa elementos do rock progressivo folk (Folk Prog) fundado pela banda Jethro Tull para fazer um som moderno e interessante. Não fui a fundo nas letras da banda, mas é notável a influência do folclore brasileiro, como em Curupira’s Maze.


Banda Tuatha de Danann

Tuatha de Danann
Folk Metal
1994 – presente
Varginha – MG
www.tuathadedanann.art.br

Para os que estão inseridos no cenário nacional, Tuatha de Danann é um nome que perdura por mais de duas décadas. Diferente do projeto Kernunna que puxa mais para o rock, até progressivo, Tuatha de Dannann tem uma pegada mais metal, com letras inspiradas na mitologia celta. O último álbum da banda, Dawn of a New Sun (2015), assim como eu nome, parece ser uma aurora de uma nova fase da banda, com um som mais puxado para o lado progressivo que Bruno Maia explorou no projeto Kernunna. Não sou muito fã dos álbuns anteriores, mas vale a pena citar a banda por seu estilo irreverente no cenário nacional e por este novo álbum bem interessante.


Banda Arandu Arakuaa

Arandu Arakuaa
Metal Indígena
2008 – presente
Taguatinga – DF
facebook.com/aranduarakuaa

Se teve uma banda em minha jornada musical que levou a sério a história de fazer um metal genuinamente brasileiro, foi Arandu Arakuaa. A banda apela para as origens indígenas do país, com letras em Tupi, trechos inspirados em ritmos folclóricos brasileiros, viola caipira e até mesmo a caracterização indígena para criar um som que definitivamente pouco se inspira nas origens do metal. Chega a ser estranho como soam os vocais quase que guturais e o som da guitarra viola criada pelo fundador da banda, Zhândio Aquino, que afirma ter nascido num território indígena, do qual extraiu a riqueza (ou bagunça) que incorpora seu som. A banda já conta com dois álbuns, sendo seu último, Wdê Nnãkrda, lançado em 2015. Próximo ao lançamento desta matéria vários links na Internet apareceram falando da banda, o que me parece que sua exposição na mídia tem aumentado.


Banda Black Drawing Chalks

Black Drawing Chalks
Stoner Rock
2005 – presente
Goiana – GO
facebook/blackdrawingchalks

Com capas e clipes extremamente criativos e coloridos, a banda de Stoner Rock Black Drawing Chalks tem um som compatível com a qualidade de seu material de divulgação: um rock distorcido que dá vontade de sair por ai de moto (ou carro com os vidros abertos, se você é como eu que não tem carta de moto). A banda tem um som que funciona e não perde para os expoentes do estilo no mundo a fora. Confesso que acabei descobrindo a banda pelas capas bonitas e estilizadas, mas o peso dos caras é tamanho que já fizeram shows ao lado de Motorhead, Black Label Society e Eagles of Death Metal. Para quem curte esse som mais sujo do Stoner, boa pedida.


Banda Confraria da Costa
Confraria da Costa
Rock Pirata
2010 – presente
Curitiba – PR
www.confrariadacosta.com.br

Quando me deparei com o termo “Rock pirata”, eu dei risada, mas depois entendi o que isso significa para a banda Confraria da Costa. Como se tivesse saído de um filme de piratas, a banda tem um som totalmente característico que não é preciso descrever, só de pensar na palavra pirata já dá pra imaginar, mas se não for o suficiente, ouça. Se não for o suficiente, veja. A caracterização da banda, bem como seu material de divulgação é todo voltado para a temática pirata. O som é agradável e cantado em português, mas com certeza é mais interessante se combinado com os demais elementos visuais.


Hudson Cadorini

Hudson Cadorini
Rock (Instrumental)
2008 – presente
Cássia dos Coqueiros – SP
facebook.com/hudsoncadorini

E ai eu me deparo com o nome Hudson e logo penso em “Edson e Hudson”, mais uma das centenas de duplas sertanejas que tem nesse país saturado, e sim, se você pensou como eu, ou acertou ou vai se surpreender com o som sensacional de Hudson Cadorini, o segundo nome da dupla “Edson e Hudson”. Pois é, assim é a vida. Enquanto ganha rios de dinheiro com uma instrumentação deveras porca do sertanejo atual, seu disco solo mal é conhecido. Hudson não é um guitarrista virtuoso, mas suas composições são bonitas, melódicas e gostosas de ouvir (não que ser virtuoso implica em ser algo agradável de ouvir, obviamente), inspiradas em seus guitarristas favoritos: Joe Satriani, Steve Vai, Eddie Van Halen, Yngwie Malmsteen e Slash. Para adicionar a qualidade de seu álbum, Turbination (2008), o músico adiciona os irmãos Ivan e Andria Busic da recém finada banda BR, Dr. Sin. Fora da dupla com seu irmão, o cara tem um ótimo gosto!


Banda Paulo Schroeber
Paulo Schroeber
Metal Instrumental
2011 – 2014
Caxias do Sul – RS
www.pauloschroeber.com.br

Por fim, se enquadrando no gênero instrumental, temos aqui o finado Paulo Schroeber, guitarrista do sul que participou de bandas como Burning in Hell, Almah e Predator. Paulo sim pode ser considerado um guitarrista virtuoso, que em seu álbum solo, Freak Songs (2011), mostrou as diferentes facetas de seu trabalho como compositor, com influências no jazz/fusion somados ao metal/rock, que eram a paixão do músico. Infelizmente o músico faleceu em 2014, aos 40 anos, devido a uma complicação de um tratamento no coração que não surtiu efeito.


Levante do Metal Nativo

Bonus: Página Levante do Metal Nativo

https://www.facebook.com/levantemetalnativo

Por fim, gostaria de deixar um link para a página Levante do Metal Nativo, onde obtive mais informações sobre várias bandas do metal brasileiro que exaltam características do folclore e cultura musical brasileira, como exemplos que apareceram aqui (Armahda, Arandu Arakuaa…). Se você curtiu a temática destas bandas, com certeza vai se esbaldar com o que a página tem a oferecer.


Espero que tenham gostado das dicas, apesar de que pelo tamanho da matéria resolvi não me aprofundar nas bandas que aqui cito. A intenção realmente não era dissecar álbuns destas bandas e sim mostrar o melhor deste apanhado que fiz viajando pelos diferentes subgêneros do Metal/Rock. Cabe a você escolher os estilos com o qual se identificar e dar uma chance para o metal brasileiro, porque essa seleção é pra ninguém botar defeito, e até mesmo sair um pouco da “mesmice gringa”. Mais uma vez, se cometi algum engano nas informações que estão aqui, por gentileza me avisem para que eu possa corrigir! Um abraço e até a próxima!

 

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