Musicalizando

Katatonia – The Fall of Hearts (2016): Outra mudança abrupta

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Mais uma vez os suecos do Katatonia resolveram ligar o botão do “Foda-se” e mudaram totalmente o estilo da banda, criando um álbum que ainda sim agrada seus fãs de longa data, e buscando fãs do metal mais progressivo. Ainda sim, a banda mantém sua característica depressiva e gótica, herdada de suas origens no doom metal, porém repaginando sua história para um futuro incerto.

Do black para o death para o gótico, alternativo progressivo, mas sempre doom

Não é de hoje que os fãs do Katatonia precisam se preocupar com a direção da banda. Seus líderes Jonas Renkse e Anders Nyström são caminhantes sem rumo, começando com um álbum de black metal que beirava o death, passando pelo death metal, para depois simplesmente jogar tudo para o alto, abandonar os guturais e seguir um metal gótico depressivo. Álbum a álbum, a sonoridade, assim como as formações do Katatonia foram mudando, adicionando elementos mais acústicos, vocais mais melódicos e sem tantos efeitos, ao ponto da banda lançar duas versões do mesmo álbum na integra (Dead End Kings (2012) e Dethroned and Uncrowned (2013)), sendo uma versão mantendo a linha confusa musical alternativa gótica progressiva doom que só o Katatonia sabe fazer, e uma versão acústica. Amigos de longa data de músicos que seguem nessa mesma jornada de mudança, mas não tão abrupta, Steven Wilson (Porcupine Tree) e Mikael Akerfeldt (Opeth), depois de quatro anos sem um álbum novo de estúdio, porém com dicas sobre como poderia ser o seu novo som, o Katatonia surpreende e assusta, ao trazer algo totalmente novo, com apenas os vocais de Jonas e o lado doom gótico da banda que se mantém no DNA, mas bem de leve.

O novo Katatonia

Parte da mudança radical para o progressivo por parte do Katatonia pode ser atribuída a três fatores: o crescente descontentamento dos amigos Steven, Mikael e Jonas com relação ao cenário do metal atual, a proximidade de Jonas e o produtor Bruce Soord (Pineapple Thief) e mais uma mudança na formação da banda nos últimos quatro anos. O álbum se aproveita de texturas sonoras acústicas usadas no álbum ao vivo Sanctitude (2015) que foi gravado em uma igreja, sensacional por sinal, a redução dos efeitos e maior limpeza nos vocais de Jonas e até mesmo as experimentações com diferentes sons de teclado que Jonas e Bruce fizeram, em seu álbum em conjunto fora de suas bandas principais, Wisdow of Crowds (2013).

O álbum como um todo é consistente, funciona, entretanto, tenho que criticar arduamente a escolha da primeira faixa do álbum. Takeover é uma faixa que parece começar no nada, como se faltasse algo que vinha antes. Posso dizer que a maioria das músicas do álbum funcionariam melhor do que Takeover, uma escolha que me desagradou, apesar de ser uma ótima faixa. É quase que como um tapa na cara, e um aviso “Nós mudamos totalmente, lide com isso”. Sonoramente falando o álbum é equilibrado. Faixas pesadas como Serein, Sanction e Serac são três belíssimos exemplos da junção o metal progressivo com o estilo gótico do Katatonia, herdando riffs característicos da metade da carreira da banda para frente, e o vocal de Jonas em seu ápice.

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Old Heart Falls, Residual e Shifts se aproveitam da última fase da banda, mais melancólica, com faixas mais suaves que apelam para a beleza e tentam tocar o ouvinte. Para quem espera algo no estilo de Discouraged Ones (1998) ou Viva Emptiness (2003), sinto muito, mas esses anos passaram para o Katatonia, a menos que você esteja falando da faixa Omerta do Viva Emptiness, a única dentre o passado do Katatonia que se assemelha ao estilo atual. Ainda sim, há momentos em que tudo se mescla de uma forma única, como em The Night Subscriber, que ao mesmo tempo que um pedal duplo está detonando na bateria, Jonas está cantando uma passagem limpa e acompanhado por um piano.

“The shifting earth beneath us/Nothing to observe”

As letras, bom, com raras exceções o forte do Katatonia nunca foram as letras, e The Fall of Hearts não entra nessas exceções, se comparado com as letras mais filosóficas e subjetivas da banda. O álbum em si não é conceitual, mas aborda em diversos momentos temas relacionados ao amor, mais precisamente na distância, na saudade, na perda. Alguns podem até dizer que o Katatonia passa por uma fase de “sofrência”, eu não vou discordar, mas não quer dizer que falta beleza em certas letras, como é o caso de Residual e Shifts, que contam pequenas histórias de amor, com finais trágicos. Há beleza nessa melancolia, pelo menos é como eu gosto de enxergar.

A divulgação do álbum contou bastante com a participação do Facebook como principal meio de comunicação, junto com o lançamento dos dois singles, Serein e Old Heart Fall, ambos editados pelo dinamarquês Lasse Hoile, responsável pelas belíssimas artes visuais que acompanham o músico Steven Wilson. Especificamente para Old Heart Fall, a banda usou uma máquina de escrever para datilografar (que palavra antiga…) a letra da banda, para então Lasse Hoile fazer sua magia. Posteriormente ao lançamento foi a vez de Shifts ganhar um vídeo dirigido pelo dinamarquês. Vale a pena mencionar que o álbum foi lançado em diversos formatos, inclusive um DVD-AUDIO 5.1. Algumas destas versões contam com diferentes faixas bônus, sendo que uma delas, Vakaren, é cantada no idioma nativo de Renkse, o sueco.

Concluindo

A mudança radical do Katatonia me agradou, apesar de ter deixado milhares de fãs, contando comigo também, órfãos de vez do som pesado e carregado do início da carreira sem os guturais. O vocal de Jonas Renkse é o elo que mantém a sonoridade do Katatonia característica, já que cada dia mais o doom gótico dá lugar a apenas um som melancólico, agora progressivo. Ainda sim The Fall of Hearts evoca o mesmo sentimento que permeia a carreira da banda, sendo um álbum que emociona e também rende momentos headbang. Pessoalmente Serac e Shifts foram as faixas que mais me impressionaram e emocionaram respectivamente. Como álbum, acredito que o Katatonia tenha se superado, mas ainda há muito o que se explorar nesta nova sonoridade, a menos que até o próximo álbum a banda encontre um novo caminho para seguir.


Banda: Katatonia
Álbum: The Fall of Hearts
Gênero(s): Progressive Rock, Progressive Metal
Lançamento: 20 de Maio de 2016
Duração: 70 minutos (com bônus)
Classificação do blog: 4.0/5

Formação:
Jonas Renkse – vocais, guitarra, teclado
Anders Nyström– guitarra, teclado, backing vocals
Roger Öjersson – guitarra
Niklas Sandin – baixo
Daniel Moilanen– bateria

Faixas:
Takeover
2 
Serein
3 
Old Heart Falls
4 
Decima
5 
Sanction
6 
Last Song Before the Fade
Serac
Last Song Before the Fade
Shifts
10 The Night Subscriber
11 Pale Flag
12 Passer
13 Vakaren
14 Sistere
15 Wide Awake in Quietus

 

Site oficial/Canal oficial (Youtube)/Página Facebook

 

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Um pensamento sobre “Katatonia – The Fall of Hearts (2016): Outra mudança abrupta

  1. Esse disco tem faixas que gostei muito, como Decima e Sanction. Já outras não curti tanto, tipo Last Song Before the Fade e The Night Subscriber.
    Sinto certa saudades da sonoridade do começo dos anos 2000! Rsrsrs…

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