Musicalizando

The Mute Gods – Do Nothing Till You Hear From Me (2016): Um super trio

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Idealizado pelo músico britânico Nicholas “Nick” Beggs em conjunto com seus companheiros de banda Marco Minnemann (Steven Wilson) e Roger King (Steve Hackett), Do Nothing Till You Hear From Me (2016) é um álbum que se aproveita da pluralidade de cada um dos músicos para criar um álbum progressivo moderno, com o qual receberam o prêmio Vanguard da edição 2016 do Progressive Music Awards.

O super trio

Do Nothing Till You Hear From Me é o primeiro álbum da banda recém formada The Mute Gods, uma junção de três músicos com um extenso currículo. Nick Beggs, o homem por trás da idealização da banda, trabalha atualmente na carreira solo de dois dos maiores expoentes do rock progressivo ainda em atividade, Steve Hacket (Genesis) e Steven Wilson (Porcupine Tree, Blackfield, Storm Corrossion e por ai vai). Foi tocando com Steve Hackett que Nick conheceu Roger King, músico que passou boa parte de sua carreira trabalhando de forma anônima com nomes do pop como Snoopy Dog e Gary Moore, além de sua extensa carreira de trilhas sonoras. O último membro da banda viria de seu trabalho com Steven Wilson, o baterista virtuoso Marco Minnemann, com um curriculo vasto que vai do metal com Kreator e Necrophagist, músicos solo como Joe Satriani e Paul Gilbert,  inúmeros projetos com nomes clássicos do prog como Tony Levin e Jordan Rudess e até mesmo em nomes em ascensão, como o guitarrista Plini.

Um rock progressivo mais do que único

A junção dos três músicos não poderia ter alcançado uma conexão tão forte logo  como neste primeiro álbum. Apesar dos instrumentos principais de Nick, Roger e Marco serem respectivamente o baixo, o teclado e bateria, em estúdio o trio resolveu abrir espaço para que todos pudessem acrescentar um pouco de tudo. Os três tocam guitarra em diferentes músicas, inclusive os três “juntos” nas duas primeiras faixas. Marco entra no piano na segunda faixa, enquanto Nick toca teclado em 9 das 11. “Mas eles já não tem um tecladista?”, você deve estar pensando, mas é exatamente este pensamento segmentado que se opõe ao que acredito que este seja o ponto fundamental para a primazia do álbum. Apesar de tecladista, Roger toca teclado em “apenas” 9 das 11 faixas, assim como Nick Beggs, mas em momentos diferentes, com impressões diferentes, sem criar um número excessivo de camadas e sobrecarregando a música.

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Ao invés de seguir um plano mestre ou apenas as impressões musicais individuais dos instrumentos que melhor tocam, o The Mute Gods arrisca na liberdade e na pluralidade de seus músicos, criando faixas que individualmente possuem características únicas, que chega a ser difícil de descrever ou comparar, talvez no máximo lembrar que os músicos, que se conheceram tocando principalmente com Steven Wilson e Steve Hackett, herdaram um pouco de cada um, mas já caminhando para uma identidade própria. Veja, este álbum foi lançado no inicio do ano, e já estamos praticamente no final, mas ainda sim eu tenho dificuldade em explicar a sonoridade vanguardista de Do Nothing Till You Hear From Me.

“And they’ll feed you anything they want./Don’t listen to their lies. /And they’ll tell you it’s just a false alarm, /While the sirens split the skies.”

Dizem que a partir do nível abissal do mar, não conhecemos nada sobre ele. O que posso dizer sobre Do Nothing Till You Hear From Me é que os músicos resolveram explorar esta região desconhecida, que tem momentos sombrios, mas também sarcásticos, alegres ou preocupantes. Talvez meu vocabulário musical mais moderno não esteja tão afiado a ponto de poder compara-los apenas que superficialmente e genericamente com Steven Wilson e Steve Hackett.

O conceito do álbum gira em torno do relacionamento familiar, principalmente entre pais e filhos, e o mundo pessoal que criamos ao redor deles, com suas crenças, ensinamentos, dedicação e educação, como na faixa título, que soa como um pai que quer alertar ao filho sobre as mentiras que são ditas pela sociedade. Como diria um pai protetor, “fique ai parado, e não faça nada antes de falar comigo”. Outras faixas se relacionam com subtemas,  como Swimming Horses, que aborda a ideia da passagem do tempo, e Feed The Troll, que satiriza de uma forma preocupante o uso do tempo para “alimentar o troll”. Para reforçar este conceito a um nível diferente, a última faixa, Father Daughter é literalmente um dueto de pai e filha, entre Nick Beggs e sua filha Lula Beggs.

O vocal de Nick Beggs completa a sonoridade e o conceito, como mais um instrumento dentre tanta pluralidade de cada músico. Com um timbre leve, ele nada em conjunto pelas águas abissais do rock progressivo, como faz seu companheiro Steven Wilson, que não precisa de um vocal virtuoso e um alcance de múltiplas oitavas para criar diferentes tipos de harmonias. Apesar de seguir um conceito, cada música segue seu rumo, sem seguir uma fluência que as emenda sonoramente falando. Diferente de muitos álbuns do rock progressivo, principalmente os conceituais, as faixas podem tranquilamente serem ouvidas individualmente sem que haja perda da experiência (ou para os que já costumam ouvir individualmente faixas aleatórias, ouvir o álbum na sequência não necessariamente acrescenta a experiência), se aproximando do que podemos classificar como Crossover Prog.

Para a divulgação do álbum, o The Mute Gods já lançou 4 videoclipes, Father Daughter, Praying to a Mute God, Feed the Troll e a faixa título, os quatro pelo mesmo diretor, Miles Skarin da agência Crystal Spotlight, especializada em produções para músicos, seja produções em vídeo, designs de sites, mídias sociais e promoção, com nomes do rock progressivo como Steven Wilson, Tesseract, Anathema, Haken, Gazpacho, Ian Anderson e labels como Insideout Music, Snapper Music (Kscope) e Glassville em seu currículo. O clipe da faixa título além de sua versão “normal” possui uma versão em 360º graus, já citada aqui no blog neste post.

Concluindo

Em um gênero musical onde o primeiro disco tende a ser extremista (seja para o lado bom ou ruim), The Mute Gods começa com um álbum bem equilibrado e agradável. As faixas com clipe tendem a ser bem chiclete e fáceis de lembrar. A sonoridade não é extremamente marcante, mas ainda sim é um ótimo álbum. Segundo a banda, ano que vem (2017) tem mais. Só me resta esperar e quem sabe ver Nick Beggs e seu jeito malucão ao vivo novamente.


Banda: The Mute Gods
Álbum: Do Nothing Till You Hear From Me
Gênero(s): Progressive Rock, Crossover Prog
Lançamento: 22 de Janeiro de 2016
Duração: 60 minutos
Classificação do blog: 4.0/5

Formação:
Nick Beggs – vocais, baixo, Chapman Stick, guitarra, programming, teclado
Roger King – backing vocals, guitarra, programming, teclado
Marco Minnemann – guitarra, piano, bateria, percussão

Faixas:
1 Do Nothing till You Hear from Me
2 Praying to a Mute God
3 Night School for Idiots
4 Feed the Troll
5 Your Dark Ideas
6 Last Man on Earth
7 In the Cross-Hairs
8 Strange Relationship
9 Swimming Horses
10 Mavro Capelo
11 Father Daughter

 

Site oficial/Página Facebook

 

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