Diário de Bordo

Diário de Bordo 14: Precisamos falar sobre…

Precisamos falar sobre o “precisamos falar sobre”, precisamos falar sobre muitas coisas e precisamos falar sobre nada. É com esses e outros textos que tenho me deparado diariamente. Títulos que pescam seus cliques e matérias atrás de matérias com textos menores que um “tweet” e envolvidos com palavras repetidas através de matérias do mesmo gênero, como aquela torta deliciosa que você vê explodindo de recheio na embalagem e quando abre se depara com uma coisa disforme e mal feita. Você se sente enganado? Tem gente que nem se sente mais.

Este texto é uma ode à pseudo cultura, ao pseudo jornalismo e seus pseudointelectuais, ao futuro que pertence às crianças, que são os novos adultos que escondem dos pais sua vida dupla de bebidas e sexo aos 12 anos, e aos adultos que são as novas crianças, revoltados de uma geração forrada a bullying e gostos reprimidos. Não há nada mais irônico para mim do que ver treinadores Pokemon que em sua infância falavam que isso era coisa de nerds idiotas, como eu era considerado. Agora ser nerd é culto para os adultos, mas para os jovens ser “chavoso” é o ápice de sua popularidade. Enquanto vemos adultos comprando bonés do Ash do Pokemon e satisfazendo suas necessidades da criança interior, uma juventude produzida em massa progride com seus bonés que não encaixam na cabeça e garotas usando shorts mínimos a temperaturas abaixo de 10 graus. Mas isso não vem ao caso, pelo menos não agora.

Veja, eu não me considero um jornalista, não tenho formação para tal, nem me considero um intelectual. Principalmente neste blog, eu me considero um “não-intelectual”. Isso é apenas um blog, uma distração, que não é profundo a ponto de ser intelectual mas não é ralo a ponto de ser “pseudo”. Talvez eu seja só um sonhador que hoje registra um monte de palavras aleatórias que saem da minha cabeça, esperando que no futuro eles tenham alguma valia, caso um dia eu me torne um escritor de verdade. Talvez eu esteja sendo hipócrita escrevendo um texto cheio de “pseudos” sendo um “pseudo-escritor”, e esteja incluso nesta crítica, mas isso é normal, não é mesmo?

Ser hipócrita é perfeitamente normal, numa sociedade que venera a aceitação e a liberdade de qualquer coisa. Um comediante graduado em Letras pode de repente se tornar um cientista político, um homem com experiência e somente isso pode se tornar um presidente, um garoto homofóbico e narcisista pode ser um ídolo juvenil, um jogador de futebol pode ser considerado músico com acordes básicos, por que não pensar em ser escritor ou criar um blog sem foco e sem direção pra falar qualquer coisa?

Precisamos falar sobre o blog agora, se é que alguém leu até aqui este texto recheado de opinião negativa. Apenas gostaria de deixar registrado que como havia mencionado em meu primeiro post desta nova “temporada”, eu não fiz compromissos e não pretendo fazer. Eu parei de publicar os contos porque não tenho nada de novo para colocar aqui, meu foco está em outras atividades do mesmo gênero. Minha periodicidade também diminuiu, pelo mesmo motivo, além de outros assuntos e problemas que tenho dado mais atenção. Os textos que você tem lido aqui estão escritos há meses (exceto esse e alguns poucos), e é provavel que em breve eles acabem e a periodicidade continue irregular, porém, se você leu até aqui, continue lendo.

A única propaganda que posso fazer é que exceto por este texto vazio, os demais eu tento dar atenção, portanto, talvez aqui seja um lugar para você ler algo de interessante, do meu interesse egoísta de escrever sem nicho ou foco. Bem que eu gostaria de ter um nicho ou foco, quem sabe assim eu conseguiria alavancar um blog de “não-comédia”, mas eu não pretendo me esforçar para isso especificamente, afinal, eu quero sair de ser um “pseudo-escritor” para um verdadeiro escritor.

Parabéns ao Brasil por uma população majoritária tão semelhante aos seus governantes, blá blá blá implícito, e até mais, porque meus problemas não vão se resolver sozinhos e, enquanto isso, escrever só depende de mim.

 

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