Diário de Bordo

Diário de Bordo 10 – 19º Festival do Japão

Apesar de não ter colocado minhas impressões e fotos nos outros anos, desde a 16º edição, tenho comparecido ao Festival do Japão religiosamente. Para quem não conhece, o Festival do Japão é um evento anual que acontece na cidade de São Paulo, geralmente no meio do ano, com o intuito de divulgar a cultura japonesa, bem como preservar as tradições para as novas gerações, representando as 47 províncias que compõe o país. Desde que comecei a frequentá-lo, sempre acontece no mesmo lugar, no antigo Centro de Exposição Imigrantes, agora São Paulo Expo Exbition & Convention Center.

Origami do Cristo Redentor, representando os dois mundos pela arte

Origami do Cristo Redentor, representando os dois mundos pela arte

O evento é dividido em 3 partes básicas, se é que posso dizer assim:

  • os palcos, onde acontecem uma série de apresentações das mais diversas, variando de música tradicional, até campeonatos como o Miss Nikkei;
  • área gastronômica, na qual a representação das províncias é mais evidente, com os stands de comidas típicas das regiões;
  • área de exposição, com grandes stands de marcas como Subaru, Sakura, Kirin, além de vários corredores com lojas.

Como bem dito, o evento é embasado em tradição, portanto são poucas as coisas que mudam de um ano para o outro com relação ao conteúdo do evento. Tendo isso em vista, como na minha primeira matéria sobre este festival, minha intenção não é fazer um mega-review e sim fazer alguns registros e mostrar algumas fotos.

Local

Começando pelo próprio local do evento, o antigo Centro de Exposição Imigrantes possuía algumas limitações com relação ao espaço do evento. Em um dos quatro festivais que fui, sendo dois no antigo local, garoou no horário do almoço e a área gastronômica era parcialmente descoberta, portanto, já pode imaginar o que aconteceu. Entre 2014 e 2015 o local começou a ser reformado, entretanto para a 18ª Edição, já se nomeando São Paulo Expo Exbition & Convention Center, ainda não estava completo. Desta vez, pelo que entendi a obra já está nos seus finalmentes, portanto, algumas coisas já deveriam funcionar normalmente.

Entrada do Festival para quem veio do novo estacionamento

Entrada do Festival para quem veio do novo estacionamento

Chegamos com 1 hora de antecedência para conseguir uma boa vaga, visto que nos outros anos o estacionamento era o primeiro empecilho do evento. Desta vez, com o estacionamento novo tinha vaga até de sobra. Mesmo na saída do evento, era possível encontrar vagas nos diversos andares que compõe o novo estacionamento, com elevadores para facilitar a acessibilidade, principalmente de idosos, que participam em peso do Festival. A autenticação é via cartão impresso com código de barras (nos outros anos era por um papel impresso entregue em catracas que faziam filas imensas) e cada andar do estacionamento tem pelo menos duas máquinas para fazer o pagamento até mesmo em cartão (nos outros anos, somente dinheiro). Pelo menos, era como devia funcionar.

Pavilhão de Exposição à esquerda, estacionamento à direita

Pavilhão de Exposição à esquerda, estacionamento à direita

No momento da saída, ao tentar autenticar o cartão do estacionamento, descobrimos que uma série de cartões, assim como o nosso, estavam vazios, portanto não era possível pagar no automático. Fomos obrigados a enfrentar uma fila de quase meia hora, enquanto assistíamos um grupo de pessoas que já estava preso em um dos elevadores antes de entrarmos na fila e continuaram depois que saímos. Para finalizar, interditaram alguns pontos dos arredores do evento, dificultando para quem já circula por ali. Pontos negativos para o local, não para o Festival em si.

Conteúdo

Como mencionei, a inovação de conteúdo não é o forte do Festival, mesmo entre anos. Neste ano, o Festival aconteceu nos dias 08, 09 e 10 de Julho (sexta, sábado e domingo), porém apenas um dia é mais do que suficiente para aproveitar o melhor do evento. Os stands que patrocinam o evento normalmente tem os maiores espaços na entrada. Em todos os eventos, as montadoras japonesas estão na frente, exibindo seus carros mais novos e os cercando com algumas modelos.

Stand da Honda, que está sempre presente, com a versão atualizada e com o triplo do preço dos mesmos carros

Stand da Honda, que está sempre presente, com a versão atualizada de seus carros, como exemplo, este City. Todo ano tem City.

 

Os carros da Subaru são bonitos, mas só se eu ficar rico pra comprar

Os carros da Subaru são bonitos, mas só se eu ficar rico pra comprar

O fato de ter uma “rotina” no evento também é positivo, pois é possível saber o que esperar e já ir preparado para fazer compras. Como exemplo, tem uma loja que vende artigos alimentícios derivados de Gengibre que passo para tomar um suco ou comprar alguns doces. Sempre muito bons. Para as lojinhas que vendem artigos alimentícios ou na feira (de frutas), tem sempre alguém na frente entregando amostras. Dependendo do corredor são tantas que você consegue ficar algum tempo sem comer nada. Destaque na feira para a fruta Kinsei, uma delícia de “mistura entre laranja e mexerica” suculenta e sem caroços ou sementes (meu tipo de fruta perfeita).

Alguns stands são muito bonitos, saindo o pouco do apelo comercial da marca para representar elementos da cultura oriental

Alguns stands são muito bonitos, saindo o pouco do apelo comercial da marca para representar elementos da cultura oriental

O stand da Comix estava presente mesmo com o Anime Friends acontecendo simultaneamente (o que na minha opinião foi um erro de planejamento de um dos eventos). Não sei se apenas o que eu estava procurando não estava com desconto, mas senti a falta de uns descontos legais como já houve em outros anos. Dica para quem deseja passar no stand: faça isso logo no começo do evento, ou enfrente os ombros enquanto tenta garimpar as prateleiras e a fila para pagar. Destaque para a JBC, minha editora favorita de mangás (apesar de atualmente não comprar nada deles) que esteve presente no evento vendendo assinaturas e com uma edição especial Nº1 do relançamento do mangá Full Metal Alchemist. Para quem comprou no evento, de brinde levou uma capa adicional poster digna de uma padrão internacional.

Olha essa edição do Full Metal Alchemist que coisa linda! O Curso de Japonês não foi compras, já falamos sobre ele

Olha essa edição do Full Metal Alchemist que coisa linda! O Curso de Japonês não foi comprado, é um brinde, mas já falamos sobre ele

Para quem espera ir no evento e sair com sacolas e sacolas de brindes, não é bem assim que as coisas funcionam aqui. Como tradição sempre tem canetas, sacolas (só a sacola), revistas, amostras de alimentos e folders, mas são poucos os stands que investem em brindes diferenciados, até porque isso custa caro para o expositor e às vezes até para quem quer o brinde. A exemplo, o stand da NHK/Bandeirantes estava entregando canecas, fotos, ecobags e até mesmo um livreto curso de japonês básico para quem fosse ao stand e baixasse os dois aplicativos da NHK (NHK TV e NHK Rádio). Para isso, o stand contava com um wifi próprio, já que o sinal de celular dentro do Centro de Exposição oscila bastante. Pois paguei o livreto com 40 minutos do meu tempo. Deu tempo de assistir a reprise da etapa final do campeonato de Sumô inteiro enquanto esperava os 500Kb de conexão fazer um download ínfimo de cada aplicativo. E sim, tinha que esperar se quiser sair com o brinde. Como falei, às vezes sai caro até pra quem quer o brinde.

Comix ao fundo, Transformers à frente

Comix ao fundo, Transformers à frente

A exposição de Ikebana (arte com arranjos florais) é um dos pontos fortes que conseguem inovar no evento. Todo ano eu tiro fotos das melhores peças e no ano seguinte eles se superam, com peças criativas e atrativas, mesmo para os olhos de quem não tem tanto contato ou familiaridade com esta arte. Outra parte do evento que lota, portanto dê prioridade se quiser tirar umas fotos legais, sem um monte de gente na frente.

Ikebana-19o-festivao-do-japao

Para os amantes dos animais, o stand do Projeto Medicão de Campinas, regularmente presente, conta com seus dóceis e amáveis cães, treinados para fins terapêuticos. Mesmo sob grande pressão das centenas de pessoas que aparecem para brincar, passar a mão e tirar fotos, os cães não perdem a compostura e fazem valer o tempo gasto no stand conhecendo cada um deles.

Projeto Medicão - Cães terapeutas, conheça mais em http://www.projetomedicao.com.br/

Projeto Medicão – Cães terapeutas, conheça mais em http://www.projetomedicao.com.br/

Meu cão destaque, um Akita Inu que mais parecia um gato

Meu cão destaque, um Akita Inu com o temperamento de um gato

Apesar de não parar muito para apreciar as apresentações, sei que este é um ponto do evento sempre de qualidade, principalmente no que diz respeito à música. Para quem gosta ou quer conhecer, as apresentações de Taiko (para quem não conhece, um conjunto de percussões milenares na cultura japonesa) são muito bonitas e animadas. Ainda sobre o Taiko, percebo que cada ano que passa mais grupos tem aparecido e mais gente se aventurando por este braço artístico da cultura japonesa, que mistura música e performance visual, e até mesmo um ótimo exercício para quem pratica regularmente.

Demonstração Sport For Tomorrow

Demonstração Sport For Tomorrow

Grupo de Taiko percorrendo o evento

Grupo musical percorrendo o evento

Um stand não tão tradicional do evento, mas que senti falta nesta edição, foi a Galápagos Jogos. No ano passado passamos pelo menos 1 hora só no stand, conhecendo novos jogos de tabuleiro e cartas (especialidade da empresa) e, em minha expectativa pessoal, estava aguardando para comprar um jogo específico na loja. Infelizmente, como mencionei, o evento Anime Friends estava acontecendo nos mesmos dias e, por uma decisão óbvia de público alvo, a preferência não foi para o Festival do Japão. Acredito eu que a culpa está na organização do Anime Friends, que pelo menos na divulgação, pegou esta data depois do Festival. Da próxima vez, espero que não cometam esta gafe de planejamento, afinal, ambos os eventos se cruzam em alguns assuntos.

No geral, o conteúdo desta edição do evento para mim foi satisfatório. O evento, que fala de tradições, se tornou uma tradição para mim, e tradição, no bom e velho dicionário, significa preservar e transmitir o que vem do passado. A sensação de falta, como no exemplo que citei acima, faz parte deste sentimento de tradição que o evento passa, ou seja, me faz querer esperar algo dele, algo que eu já vi e quero preservar. Acredito que para o público da terceira idade isso deve ser ainda mais forte, portanto deve ser complicado para a organização manter sempre o conteúdo dos anos anteriores e ainda sim tentar trazer algo diferente.

 

Gastronomia

Falar do Festival do Japão é falar de comidas típicas. Quase metade do pavilhão é disponibilizado para as dezenas de famílias, grupos e associações que se juntam para mostrar ao público o melhor da culinária típica de cada região do Japão. Na chegada, passamos no stand Yamanashi (acho que era este o nome) para comer um nikuman (pão chinês com massa de arroz e recheio de carne bovina ou suína) de café da manhã. Mesmo com o evento acabando de abrir, a equipe do stand se esforçou para nos atender e até conversar conosco enquanto aguardávamos o preparo. Parabéns, estava bom demais.

Um grande problema não só do Festival do Japão, mas que envolve a cultura do brasileiro, é o espaço reservado para quem quer comer (vamos chamar de praça de alimentação). Algumas famílias já chegam no evento às 10 para reservar mesas deixando alguns familiares no local, e só vão liberar depois do almoço. Com o crescente público do evento, não importa o tamanho do espaço e a quantidade de mesas que sejam disponibilizadas, com esta mentalidade nunca será suficiente para o “horário do almoço”.

Praça de alimentação, perto das 10h30 da manhã

Praça de alimentação, perto das 10h30 da manhã. A guerra das mesas ainda não havia começado.

Após o meio-dia o espaço se torna uma guerra frenética por mesas. Desta vez colocaram alguns balcões para comer em pé, mas o número de pessoas era absurdo. Quem comprou a comida primeiro antes de achar um local para se acomodar deve ter se decepcionado. Antes da reforma, além das mesas havia uma arquibancada enorme que permitia aos que não conseguiram uma mesa se acomodarem para apreciar a parte gastronômica do evento, porém no novo local são as mesas e ou comer de pé.

Quanto às filas em alguns stands especificamente, não tem muito o que fazer. Cada stand é organizado por voluntários, então eles fazem o seu melhor para atender o público, que cresce a cada ano mesmo com o aumento no valor do ingresso. Como tradição, quem quer experimentar o incrível e jamais encontrado em outro lugar do Brasil (pelo menos eu já procurei na região da Grande São Paulo e não encontrei nada parecido) okonomiyaki do stand Wakayama já precisa estar preparado para perder pelo menos 1 hora nesta busca pelo sabor. Teve um ano que estava tão tenso que levou quase 2 horas. Este tipo de coisa pode pegar os novatos do evento de surpresa. Vi várias pessoas reclamando, mas é preciso ter um pouco de empatia. As pessoas que estão ali são voluntários e mesmo assim fazem o possível para fazer um trabalho limpo, profissional e de qualidade.

Fila de 1 hora (ficamos entre 2 e 3 da tarde na fila) do Okonomiyaki Wakayama

Fila de 1 hora (ficamos entre 2 e 3 da tarde na fila) do Okonomiyaki Wakayama

O esforço surreal no stand Wakayama para atender o público imenso, com quase 40 pessoas num espaço minúsculo. Meus parabéns, pois estava muito bom, como sempre!!!

O esforço surreal no stand Wakayama para atender o público imenso, com quase 40 pessoas num espaço minúsculo. Meus parabéns, pois estava muito bom, como sempre!!!

 

Concluíndo

A organização do evento teve seus momentos bons e ruins. Na entrada do evento e no momento em que a fila do banheiro feminino começou a crescer, por exemplo, o despreparo da equipe em se organizar para resolver o problema foi notável. As decisões não aconteciam de forma síncrona, levando à diferença de informações dependendo do staff procurado. Em contrapartida, a sinalização do local, o guia culinário e outros informativos relacionados ao evento, até mesmo fora dele, em mídias sociais e divulgação sempre foram o forte do marketing do Festival. A preocupação com o acesso ao evento, principalmente para os idosos é outro ponto positivo para quem precisa.

As filas em si são um ponto negativo, mas algumas delas não tem a quem culpar, é a quantidade de pessoas mesmo que tem crescido muito. O valor de 20 reais no ingresso antecipado ainda acho justo e barato comparado com outros eventos e pela quantidade de coisas oferecidas. Um pouco mais do que isso é o limite do aceitável, pelo menos pelo que o evento oferece hoje. Se o público crescer mais, talvez o local não comporte o público com tanto conforto quanto era antes e mais uma vez, o ponto da tradição vem a tona. Esperar pelo conforto pode ser um ponto tradicional a ser revisado pela organização.

Quanto a minha impressão pessoal, eu gostei muito do evento. Você pode ter uma conclusão diferente, até mesmo negativa, ainda mais se comparar com a minha review da 16ª edição, mas de quatro anos para cá houve um processo de maturidade na minha escrita e na impressão/relato do evento. Na primeira vez, tudo era novidade, então eu não tinha um padrão comparativo. Desta vez, pude escrever algo mais completo e minucioso, analisando e reparando nos detalhes do evento, mas sem esquecer da experiência do todo.

Para mim, os pontos positivos, a tradição e conteúdo do evento se sobressaem aos problemas. Gostaria de um pouco mais de inovação, mas isto seria um bônus à experiência satisfatória do evento. Ano que vem estarei lá novamente, caso ocorra a 20ª Edição!

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Espero que tenha gostado da review, ou pelo menos das fotos! Um abraço e até mais!

Conheça mais sobre o evento em suas mídias oficiais:

Site: http://www.festivaldojapao.com/

Página no Facebook: https://www.facebook.com/festivaldojapao

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