Diário de Bordo

Diário de Bordo 4 – Visita ao Templo Zu Lai

Apesar de ter me distanciado dos animes e dos mangás, a cultura oriental faz parte do meu dia-a-dia. Obviamente que muitos destes elementos orientais são abrasileirados como a culinária que mistura um pouco do que realmente é a verdadeira culinária japonesa com um monte de tranqueira (desconfio com vigor que não servem hotroll com Nutella lá no Japão) ou as comidas chinesas delivery, que tem apenas traços do que realmente é o original, mas ainda sim, estes elementos estão presentes.

Eu nasci numa cidade chamada Suzano, uma cidade de São Paulo que recebeu muitas famílias japonesas no movimento migratório do começo do século, e morei próximo a um templo budista, chamado Nambei Shingonshu Daigozan Jomyoji, o que pode parecer besteira, mas acho que o meu gosto pela cultura oriental já estava criando suas primeiras raízes logo cedo. Tenho muita vontade de re-visitar este templo e devo fazer em breve, mas antes disso, este ano tive a oportunidade de contemplar mais um destes locais maravilhosos e espirituais, o Templo Zu Lai.

Vista de dentro do tempo, de cima das escadarias

Vista de dentro do tempo, de cima das escadarias

O templo está localizado na cidade de Cotia, a menos de 100km de São Paulo. Pegamos um sábado bem cedo (8 horas pra mim num fim de semana é MUITO cedo) e chegamos em 40 minutos tranquilo. Estava bem sol, o que permitiu que as fotos saíssem muito boas, mas eu não fui lá só pra tirar foto (como as pessoas parecem que fazem as coisas só pra postar foto no Facebook).

Estátua que fica logo na entrada

Estátua que fica logo na entrada

No site do templo (http://www.templozulai.org.br), mais especificamente em O Templo -> Etiqueta Budista, falava que não podia ir de bermuda, camiseta cavada, decote, manifestar contatos íntimos, enfim, regras em respeito aos monges e ao local sagrado. Sem pensar duas vezes fui logo de calça jeans num calor de 30 graus, pra chegar lá e o primeiro indivíduo que eu avistei estar de bermuda e sua mulher de decote. Não pude deixar de me sentir incomodado por estes indivíduos que sequer se atentaram a respeitar as tradições do local, mas enfim, continuando…

Entrada do templo

Entrada do templo

A entrada principal é cheia de estátuas de monges e budas, cujo significado é explicado no tour dentro do museu budista que fica do lado esquerdo inferior do hall principal. Como não quero me alongar, não pretendo explicar cada estátua, recomendo a visita no pequeno museu para entender mais sobre o que realmente o Buda representa.

Uma das estátuas que você pode se deparar logo na entrada

Uma das estátuas que você pode se deparar logo na entrada

O templo foi inaugurado em 2003 e fundado pelo Venerável Mestre Hsing Yün, nascido em 1927. A ideia do templo começou em 92, mas somente depois de uma equipe ser enviada para a China para aprender mais sobre a arquitetura de templos que o local saiu do papel, começando em 99 e só finalizando em 2003 por falta de material e mão de obra especializada.

Estátua do Venerável Mestre Hsing Yün

Estátua do Venerável Mestre Hsing Yün

No topo das escadarias para o hall principal do templo, há uma espécie de urna (a qual eu não sei se possui um nome especial, se alguém souber me corrija), na frente da qual você pode realizar uma pequena oração e depositar o incenso. Sempre há um monitor do templo ensinando como realizar esta cerimônia de forma correta.

Espécie de urna para depositar o incenso

Espécie de urna para depositar o incenso

No hall principal não há exceção para quem não está vestido segundo as regras estabelecidas do templo, porém os monitores emprestam mantas para cobrir o corpo das pessoas que não estão vestidos corretamente. Ainda sim, há exceções, o que eu não concordo, mas se as pessoas que trabalham no templo estão permitindo, quem sou eu para julgar. No hall principal não é permitido tirar fotos, encostar nas coisas muito menos cruzar os corredores principais. Só é permitido o silêncio, o respeito e a paz.

Este é o máximo que consegui registrar do hall principal, tirando a foto do lado de fora

Este é o máximo que consegui registrar do hall principal, tirando a foto do lado de fora

O templo conta com uma lanchonete e um restaurante, que respeitam os consumes budistas e não servem carne. Comemos uma coxinha de alguma coisa de soja, estava muito bom (mas eu sou carnívoro e ainda sim prefiro a de frango). Ao lado da lanchonete tem uma lojinha que vende estátuas, livros, amuletos e um monte de coisas referentes, mas infelizmente o único livreto que eu procurava (O que é Budismo, do Venerável Mestre Hsing Yün) não tinha. Conheci o livreto no museu dentro do templo e me interessei, mas acho que muita gente teve a mesma ideia, então acabei comprando o livro num sebo através do Estante Virtual.

5 reais no Estante Virtual, usado

5 reais no Estante Virtual, usado

 

Mais uma das estátuas espalhadas pelo templo

Mais uma das estátuas espalhadas pelo templo

Importante ressaltar sobre a cultura oriental a presença da suástica. Pra que não conhece, a suástica é um símbolo presente em diversas culturas, datada de antes do ano 0 do calendário cristão, e para a cultura budista, é um símbolo que representa paz, longevidade, força, intelecto, tudo menos o que a suástica nazista, hoje a mais difundida no Ocidente, representa. Já no Oriente, é possível encontrar esta suástica budista até mesmo nos mapas, representando a localização de templos.

A suástica está em todo o lugar, mas já está entendido que ela não é um símbolo nazista, ok?

A suástica está em todo o lugar, mas já está entendido que ela não é um símbolo nazista, ok?

A área do templo Zu Lai também compreende um lago com carpas e tartarugas, um restaurante fora do templo e um jardim estilo Hobbit, que rende uma boa caminhada. Atenção que o local é lotado de aranhas do tamanho da palma da mão. Subindo por ele tem algumas trilhas arborizadas. Pelo menos tinha sombra, porque quando chegamos nessa parte já era mais de 11 da manhã e estava muito quente.

Lago e jardim na parte inferior do local

Lago e jardim na parte inferior do local

Por fim, recomendo a visita a este local sagrado e estonteante, mesmo que você tenha outra religião (digo isso porque um amigo não quis ir por ser católico, nada a ver) ou não acredite em religião. A vista é muito bonita e um pouco de cultura nunca é demais, além de que a paz, o respeito e o silêncio são preceitos universais, não precisa estar ligado ao budismo para pratica-los.

Um abraço e até mais!

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