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Crônicas de Szaksia – Capítulo 6

Com o balançar da Glacius, Arjen lançou uma rajada azul sobre os mercenários, que foram congelados do pescoço aos pés, presos ao chão, que congelara até a borda do rio.

– Ai Glacius, isso não vai impedi-los por muito tempo! – Gritou o cavaleiro para a espada. Os homens congelados observavam o garoto reclamar com a espada sem entender o que estava acontecendo.

– Nós gigantes de Ladakourdbiadvansperui temos um código a zelar. Somente podemos ferir mortalmente aqueles que ameaçam alterar o curso da existência. – Respondeu a espada diretamente na mente de Arjen.

– Então quer dizer que se alguém tentar especificamente matar um de nós, você não pode fazer nada?

– Este gelo os enfraquecerá e não derreterá até o anoitecer. Não continuarão a nos perseguir.

– Juniper, Baraldi, solte as bestas de caça!

Do alto da cachoeira descem quatro bestas de caça, uma espécie de cachorro selvagem que é utilizada no submundo de Szaksia para treino de caça. As bestas podem chegar a até dois metros de altura por oito de comprimento e possuem seis patas. Acinzentadas e com presas maiores que o braço de um homem adulto, são rápidas e mortais, o suficiente para apagar possíveis “problemas” da Lotus Preta.

– Freya, pelo amor de Falaschi, deus dos homens bons, me ajuda com as coisas e corre!

Deixando sua armadura de aço negro e carregando somente algumas roupas, Freya e Arjen correram beirando ao rio. Arjen atingiu uma das bestas enquanto ela ainda descia pela encosta da cachoeira, porém três conseguiram chegar ao chão. As bestas corriam desordenadas, desviando das rajadas azuis da Glacius. Uma segunda besta alcançou o passo e Arjen caiu tentando acerta-la. Como uma rocha despencando de uma montanha, a besta congelada rola passando a alguns centímetros da cabeça de Freya, até se tornar uma barreira do outro lado. Arjen observou suas opções e por terra nada pareceu viável. Ele abraçou Freya e em um momento de desespero, se atirou na correnteza, que os arrastou por um longo caminho até uma segunda cachoeira, de onde despencaram e continuaram a ser arrastados até que a água chegou a um nível plano.

Abraçados como se a morte estivesse tentando chama-los para o outro mundo, levou um tempo até que se soltassem. Freya, vermelha e quente apesar da fria água do rio, levantou logo e subiu na parte de terra mais próxima. Arjen a seguiu e os dois ficaram se secando ao sol de uma fresta entre as árvores. O cavaleiro coletou alguns galhos e fez uma fogueira. Ele se esgueirou na beirada de terra, enquanto secava e colocou a mão na água. Freya não entendeu o porquê Arjen, que acabara de sair da água, voltava com uma parte de seu corpo para dentro do rio. Em silêncio os dois se encaravam, mas Arjen parecia concentrado em algo que Freya não compreendera, até que Arjen lançou para fora da água um salmão azul. O peixe caiu na grama e o cavaleiro o abatera com um golpe na cabeça. Uma bela pescada pensou, ao ver o tamanho do peixe, que media um pouco menos que um metro.

– Vamos nos empanturrar, mas vai ser a sua carteira que ficará mais leve. – Disse Arjen, com o peito estufado e a cara de quem ganhara, ao colocar o peixe para assar.

– Depois do que aconteceu tem coragem de me cobrar a aposta? – Respondeu Freya, com os olhos de choro, de quem não imaginava que perderia.

– Eu devia comer esse peixe sozinho e deixar você espernear de fome. E também cobrar pela minha armadura e pela grana dos mantimentos.

A garota abriu um berreiro, soluçando entre lágrimas.

– Acalme-se garota, eu não falei nenhum absurdo, quem fez idiotice aqui foi você.

– Você não entende…

– Não entendo o que?

– São os hormônios. Me deixa…

Freya pegou o peixe ainda ligeiramente cru do espeto e mordeu direto, sem dividir com Arjen. Ela praticamente o engoliu inteiro, deixando a cabeça e o rabo. E então, começou a chorar novamente.

– Aqui está o valor da aposta e a sua parte dos mantimentos… Você sabe que tenho problemas com apostas.

– Eu sei, mas da próxima vez que for apostar, não faça uma loucura. Eu disse que pegaria, e pegaria quantos fossem para você.

Crônicas de Szaksia - Capítulo 6 - Salmões azuis

A garota ficou ainda mais vermelha e se aproximou de Arjen. Ele observou os cabelos longos, brilhantes e castanhos de sua companheira. Sua beleza não tinha nada de diferente, mas por um instante ele os notara. Sem reação, Arjen foi até o rio para pegar mais um peixe e colocou-o para assar.

– Agora esse é meu, encosta ali na árvore e fica quieta.

Ao olhar para a árvore, Arjen percebeu que o rio corria para o lado oposto para o qual a árvore estava torta. Ao inspecionar sua direção, um sorriso abriu em seu rosto.

– Veja, estamos muito próximos da saída do mar. – Gritou Arjen. – Economizamos dias de caminhada ao sermos arrastados! Podemos aproveitar para dar uma boa descansada e chegamos ao fim antes do anoitecer.

A garota lhe devolveu o sorriso, mas logo deitou para o lado e roncou, como se nada tivesse acontecido. Arjen terminou seu peixe e também deitou próximo à fogueira.

– Mulheres… Podia ter um troll de parceiro, pelo menos eles não têm ideias idiotas.

Arjen deitou de barriga para cima e, enquanto deixava seus membros relaxarem ao sol, observou o tempo passar. Quando deixou de vê-lo entre as árvores, acordou Freya e seguiram em frente, continuando a beirar o rio. A garota parecia mais tranquila, descansada, com suas as roupas secas. A jornada íngreme de outrora se transformou em uma planície tranquila, acompanhada de uma brisa refrescante deixando gotículas de água em seus rostos. Enfim, chegam ao final do caminho, ainda com grama e árvores, que terminam beirando ao mar.

– O jeito é esperar a maré baixar e ver qual é essa história de caminho para a Borda do Mundo.

 

…continua um dia!

Leia os demais capítulos aqui: https://kairasensui.wordpress.com/cronicas-de-szaksia/

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