Falando sobre Mangá

Mangás Nacionais – Parte 1 de 5: Meus primeiros contatos e Studio seasons

Mangás Nacionais Parte 1

O documento Trololó Blog do Gusta hoje tratará de um assunto polêmico que sempre gera muita discussão : Mangás no Brasil, quem são, onde se escondem. Este panorama está longe de ser definitivo e com certeza é influenciado pelas obras que tive oportunidade de conhecer, portanto, fica aberto aí para que quiser comentar mangás que não estão inclusos, para que eu possa ir atrás, ler e fazer posts adicionais. O mercado brasileiro, por mais que esteja crescendo no ramo dos mangás, ainda é bem complicado no que se diz respeito a obras nacionais. Ainda sim, ao longo dos últimos 20 anos (mais ou menos o tempo que eu comecei a  encher o saco dos meus pais pra comprar ter contato com revistinhas do gênero, animes na Manchete…) tive a oportunidade de acompanhar tantas publicações que algumas o papel até já se desfez. Nesta série de 5 partes (caramba, 5? é, 5, não vai ser um post gigante como o do One Piece) colocarei as séries que tive a oportunidade de conhecer e que valem a pena serem mencionadas. Um post de brasileiro para brasileiros, uma homenagem ao mercado nacional de mangás, começando por meus primeiros contatos e o primeiro estúdio grande estúdio de mangás brasileiro que chegou a meu conhecimento (e que continua na ativa até hoje).

Revista Hyper ComixRevista Hyper Comix

Ano: 1996
Editora: Magnum

Da época das saudosíssimas revistas Herói e Animax, meu primeiro contato com algum tipo de quadrinho brasileiro em formato de mangá foi na revista Hyper Comix. Encabeçada por Sergio Peixoto (que você ainda pode encontrar escrevendo no site Animax), a revista era uma zueira só, eu não entendia metade das piadas (adultas), mas dava risada e fica copiando os desenhos. Tudo bem que a revista era somente pra maiores de dezoito e tinha umas coisas um pouco estranhas, mas quando vi o Seiya na capa, já sabia que essa eu precisava. Foram publicados 11 volumes e não me lembro se tive acesso a todos eles, mas era bem engraçado. Foi um passo que considero importante na caminhada das publicações nacionais, pois era um fanzine (bem zueira) publicado por uma editora, além das revistas que eram publicadas na época lotadas de conteúdo (ainda tenho uma daquelas edições compiladas da Animax, inteira!).

Blue Fighter de Alexandre NagadoBlue Fighter de Alexandre Nagado

Ano: 1997
Editora: Trama

Numa minissérie de 3 edições, Blue Fighter foi a primeira obra original com quem tive contato que tinha um traço bem mangá, criação de Alexandre Nagado, companheiro do Sushi Pop, hoje blog parceiro (yeah!). Posso me recordar do nome Alexandre Nagado de diversas outras obras que li quando era pequeno, histórias voltadas ao mundo tokusatsu, que na época estava bombando aqui no Brasil. Era Flashman, Changeman, Cybercop (e não Cybercops ;D), Kamen Rider e uma cacetada de outros, e o próprio Nagado trabalhou em quadrinhos de alguns destes na editora Abril. O Blue Fighter era curtinho e seguia essa mesma pegada, bem ao estilo Kamen Rider, armadura estilizada, um vilão bizarro, tem a mocinha, raios laser e porradaria. Vale a pena mencionar que Nagado está imerso nesse universo japa desde que eu usava fraldas, um cara que merece meu respeito e minha admiração (ainda tive a honra e a surpresa de ter meu post citado em seu blog! aqui aqui aqui!). Na parte 3 deste post, ele será mencionado mais uma vez, na publicação Manga Tropical, uma compilação de peso extremo que infelizmente não passou de um volume (malditos BRs). Saiba mais sobre a biografia do Alexandre Nagado aqui!

Street Fighter Zero 3 - Marcelo Cassaro e Erica AwanoStreet Fighter Zero 3 de Marcelo Cassaro e Erica Awano

Ano: 1998
Editora: Trama

Para quem teve a oportunidade de jogar um Street Fighter de rodoviária (aquele que todo mundo dava hadouken e era uma apelação), o que aparecia da série virava item indispensável na coleção (tipo o “filmasso” com o Van Damme e com o finado Raúl Júlia). Me lembro que quando vi um gibi do Street Fighter na banca, nem pensei duas vezes. Eu tinha as 4 edições, mas o papel e o tempo não deram trégua. O que marcou esta série foi a chegada dos nomes da dupla Marcelo Cassaro e Erica Awano às minhas prateleiras, outros dois nomes que, junto com Alexandre Nagado, marcaram minha infância (adolescência e acho que até hoje continuo ouvindo esses nomes constantemente). A obra em si era bem rasa, uma mistura de humor e porrada, mas pra um moleque de 9 anos era uma pepita de ouro.

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Studio Seasons

Na época das Anime-Do e revistas de anime que corriam solta, em bem maior escala do que no final dos anos 90, me deparei com uma arte cabulosa de um samurai em um delas. Fui atrás para descobrir de onde veio e me surpreendi ao esbarrar com o pessoal do Studio Seasons e seu mangá Oiran. Por um bom tempo, Oiran foi um sonho de consumo e ano passado eu finalmente consegui um exemplar novinho.

Meu precioso

Meu precioso

Desde então, o Studio se tornou uma referência para mangás aqui no Brasil, por sua arte fluida e belissima, mesclando shounen e shojo para formar um traço equilibrado, sem perder a essência por trás do mangá e colocando sua impressão, como o inconfundível formato dos narizes 3/4. Hoje parceiro do blog, o Studio Season merece meu respeito e seu espaço em minha passagem por mangás nacionais. Para conhecer mais sobre o Studio Season, acesse o site oficial e acompanhe o blog oficial do estúdio. Além de falar sobre suas obras, tem várias dicas, tutoriais e algumas matérias bem interessantes. Abaixo vou dar uma passada nas obras que tive a oportunidade de conhecer, começando com as de fácil acesso, que estão no site e depois as publicadas fisicamente.

Laser Boy - Studio SeasonsLaser Boy de Studio Seasons

Publicação digital
Link: http://studio.seasons.nom.br/mangas/laser-boy/cap01/01.htm

Uma pequena amostra do poder do Studio Seasons diretamente do site oficial. Laser Boy é uma história ambientada no espaço, com um pouco de humor escrachado. A leitura é fácil e tem dois capítulos que você pode ler agora mesmo sem eu dar spoilers!

Contos de Sher Mor - Studio SeasonsContos de Sher Mor de Studio Seasons

Publicação digital
Link: http://studio.seasons.nom.br/mangas/su-na-tog/capa.htm

Mais um dos disponíveis para a leitura gratuita no site oficial, esta já é uma história mais lírica, um storyboard e arte com influências fortíssimas das mestras do CLAMP (principalmente as primeiras obras do grupo). Mais uma leitura rápida que vale a pena perder uns minutinhos para conferir.

Crônicas de Edo - Studio SeasonsCrônicas de Edo de Studio Seasons

Publicação digital
Link: http://studio.seasons.nom.br/mangas/tokutarou/capa.htm

Dos disponíveis online, este é meu favorito. A história acontece em Edo, 5 anos antes de Oiran (meu eterno favorito do estúdio). Se você está sem tempo e precisa escolher um pra ler, leia este. A arte é magnifica, no auge do estilo característico do Seasons. A riqueza de detalhes tanto na arte quanto na ambientação me confundiram, assim como Oiran, se esta obra não era legitimamente japonesa, mas um bom olhar identifica as particularidades do Seasons, que os torna únicos em nosso mercado.

Mitsar - Studio SeasonsMitsar de Studio Seasons

Ano: 2010
Editora: Escala

História publicada em partes na NewTokyo, durante 18 edições, Mitsar é uma história fácil de acompanhar, típico shounen de aventura.  A história se passa num mundo com temas relacionados ao deserto, servindo como prévia de um mangá lançado por eles 8 anos antes, 7 Dias em Alesh. A página especifica do Mitsar tem algumas páginas da obra e informações sobre a obra (bem melhor contado do que eu faria aqui, então, vê lá ;D). Bem que a história podia juntar com Alesh e virar uma série.

7 dias em Alesh - Studio Seasons7 dias em Alesh de Studio Seasons

Ano: 2002
Editora: Hant

Tá ai um volume que só tive oportunidade de ler na época na mão de um maldito colega que não quis me vender. O mangá foi lançado em 2002 e até hoje estou esperando para ler a continuação. A imagem acima, por exemplo, foi retirada do teaser site que só tem… esta imagem, pelo menos por enquanto. O mangá era fininho, assim como Oiran, foi publicado pela editora Hant e tinha poucas páginas do mundo desértico criado pelo estúdio. Ainda volto a caçar uma cópia em bom estado.

Oiran - Studio SeasonsOiran de Studio Seasons

Ano: 2002
Editora: Hant

Ah Oiran… Na época eu me recusava a acreditar que só tinha aquela finura de páginas dessa história e, de todas as séries do Seasons, esta é de longe a pepita de ouro do estúdio, na minha opinião, é claro. Histórias de samurai sempre foram um tema abordado no Brasil desde os primórdios do mangá aqui, com Claudio Seto por exemplo, mas esta sem dúvidas está nivelada com obras de alto calibre japonês. Gostaria muito de ver uma versão atual da história, que seja um one-shot. Com 12 anos de experiência desde este lançamento, nem consigo imaginar as possibilidades que esta história teria. A história se passa no Japão, em 1716, muito bem retratada. Com certeza o pessoal pesquisou antes de sair fazendo uma história com esta ambientação. Enfim, Studio Seasons, please, Oiran 2015!

Zucker - Studio SeasonsZucker de Studio Seasons

Ano: 2010
Editora: NewPop

Publicada em partes na NewTokyo da Escala, a história foi compilada e publicada em um volume fechado pela NewPop. É uma história bem doce (pegou, pegou?), ambientada no Brasil, uma garota paulista que precisa ir para o Rio Grande do Sul após o falecimento de sua vó para cuidar da doceria que ela deixa como herança. É bem tranquila, não faz muito meu gênero, mas vale a pena a menção pela construção, storyboard magnifico, mais uma vez digno das influências do CLAMP e uma belíssima e delicada arte. Tem um pouquinho da obra no mini-site de Zucker. Confere ai!

Helena - Studio SeasonsHelena de Studio Seasons

Ano: 2014
Editora: NewPop

Obra mais atual do estúdio, adaptação do livro Helena de Machado de Assis, publicada em volume único. Confesso que fiquei um pouco com pé atrás por ser um livro que eu não gostava muito na época da escola, mas valeu a pena ter colocado na prateleira. Além da belíssima arte, a adaptação conseguiu focar nos pontos principais da história e deixou com cara de mangá shojo de época. Acho que este tipo de adaptação, bem executada como foi, é uma forma de mantermos nossas raízes e reciclarmos clássicos de nossa literatura, mesclando-a com formas diferentes de comunicação. Particularmente o mangá é a minha preferida e tenho que tirar o chapéu para o estúdio. Para uma palinha da obra, acesse o teaser site de Helena.

Bonus time – Os 50 Avistamentos do Grande Fofinho: Esse você precisa conferir no Facebook! Dá uma olhada clica aqui! Se não tiver Facebook, o pessoal do Studio Seasons disponibiliza o conteúdo no Tumblr aqui!

Bom galera, por esta semana é só, mas semana que vem tem mais, com os roteiros de Marcelo Cassaro e as produções derivadas do RPG! Fui!

Leia aqui as outras partes: Parte 2, Parte 3, Parte 4, Parte 5

Fontes das ibagens: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12

 

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3 pensamentos sobre “Mangás Nacionais – Parte 1 de 5: Meus primeiros contatos e Studio seasons

  1. Olá! O desenhista brasileiro Dannilo (DBkun), no momento está desenvolvendo o mangá “Gold Saint – Ares Chapter” baseado no universo de Saint Seiya onde será retratada a atual guerra santa entre Atena e Ares, conheça o projeto –> https://www.facebook.com/gsareschapter
    Se puder curta a page para ajudar o artista! Obrigada! 🙂

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