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Crônicas de Szaksia – Capítulo 5

Com o mapa do Império Azul, Freya e Arjen discutiam o caminho que deveriam tomar até o sul, em um acampamento de viajantes ao sul da cidade de Teraf.

– Freya, a rota mais rápida é seguindo o rio, pela floresta de Arkhroma.

– Se a gente se perder na floresta, não vamos conseguir sair. A floresta de Arkhroma é muito grande. Se formos pela estrada depois de Ingi até Helary, rtemssando por Lunarivi e depois por Ysos, contornando a floresta, chegaremos até o limite do Império Azul do mesmo jeito. Podemos economizar se dormirmos nos acampamentos de viajantes e se ficarmos sem suprimentos, teremos quatro cidades no caminho para reabastecer.

– Nem pensar. Levaremos um mês pela estrada e no máximo uma semana pela floresta. O rio vai daqui até o mar aberto praticamente em linha reta. Se ficarmos sem comida, eu pesco quantos salmões azuis você quiser.

– Você, pescando salmões azuis? – Freya caiu na risada. O salmão azul é uma espécie de peixe comestível típico de Szaksia. Seu preço é altíssimo, pois sua pesca é difícil. São raros os pescadores que perdem seu tempo tentando pegar um peixe que consegue nadar a uma velocidade de 80 km/h.

– Aposto 100 dudas que pego um desses.

– Apostado! Partirmos quando a lua baixar.

Freya deitou de lado sem argumentar mais, e começou a roncar quase que instantaneamente. A mudança rápida em sua resposta já era esperada por Arjen. Não era a primeira vez que Freya mudara da água para o vinho com apenas uma palavra. Seu vicio em corridas de ganso não era pelo jogo em si. Apostar. A sacerdotisa sempre tivera problemas com apostas, ainda mais as que envolviam dinheiro. Uma vez em Karmeon, no Império Vermelho, Arjen duvidou que Freya conseguisse seduzir um guarda da Ordem para que ele pudesse abandonar seu posto. Ela relutou até que o cavaleiro, sem saber do vicio, apostou 50 dudas. Em cinco minutos ele estava do outro lado dos portões, roubando um baú cheio de quinquilharias para a Lotus Preta. Arjen jamais ousou perguntar como ela o fez perder os 50 dudas, porém descobriu um argumento muito útil para ganhar suas discussões.

Antes do amanhecer, Arjen acordou com Freya desmontando a barraca e se aprontando para viajar. Descansados, os dois partiram para a floresta de Arkhroma, logo após o acampamento, saindo da estrada. A floresta de Arkhroma é conhecida por sua vasta rede de cogumelos, desde os mais venenosos, como o cogumelo gigante vermelho, que pode chegar a medir 2 metros de altura e com veneno suficiente para matar gerações de uma família, até cogumelos raros medicinais, como o cogumelo branco estrela, utilizado em elixires que curam qualquer doença, além da abundância do cogumelo galáctico marinho, que cresce nas bordas do rio e é utilizado em chás alucinógenos. As árvores da floresta são sempre tortas em direção ao centro, com troncos cobertos por raízes de outras plantas ou musgo. Muitos especialistas tentaram descobrir o que está no centro da floresta, e muitos também não voltaram.

Cronicas de Szaksia - Capítulo 5 - Floresta de Arkhroma

O Império Verde e o Império Rosa possuem um acordo de preservação com o Império Azul sobre o domínio da floresta. O Império Rosa considera o local sagrado, o templo vivo da deusa Arkhroma, protetora da natureza. Já o Império Verde e o seu movimento anti-expansão determinou que a floresta faz parte dos domínios originais, áreas preservadas mesmo com milhares de luas brancas de conflitos e guerras, cuja entrada está sujeita a multa e prisão. Apesar do acordo, o Império Azul nunca fez questão de manter a área sob vigilância. Os patrulheiros trabalham somente de dia, após o amanhecer, deixando a área descoberta durante a noite.

Aproveitando a ausência dos patrulheiros, Arjen e Freya adentraram a floresta. A caminhada até o nível do mar era uma grande descida, levemente inclinada, facilitando em alguns pontos mais planos e dificultando próximo às cachoeiras. Como Arjen decidiu acompanhar beirando o rio, os dois foram obrigados a descer a primeira cachoeira pelas pedras escorregadias de musgo. Os dois atravessaram a escalada e deitaram cansados próximos a água, depois de oito horas de mata. Arjen tirou a armadura para tomar um pouco de ar enquanto Freya tomava um gole de água gelada do rio.

– Estou com fome, acho que vou querer peixe, e você Arjen, me acompanha? – Disse Freya ao apontar para os peixes saltando em alta velocidade pela cachoeira.

– Temos bastante comida, o suficiente para uma semana no mínimo. Eu comprei… Freya, o que você fez com o saco de suprimentos?

– Um grupo de peregrinos sortudos não precisarão comprar suprimentos extras para voltar para o Império Rosa.

Arjen abriu o saco onde supostamente estariam os lanches de bacon de porcons, salgadinho de cogumelos secos e muitos litros de chá de ervas negras, para encontrar pedras e terra.

– Você sabe que eu não gosto do Império Rosa e a baboseira deles de celibato, mas nada contra as pessoas que fazem esse sacrifício.

– Tinha 40 dudas de suprimento naquele estoque! – Gritou Arjen, jogando o saco para o lado.

– E eu vou ganhar 50 quando você desistir de pescar. Com isso são 30 dudas de lucro pra mim e 70 de prejuízo pra você, contando a metade que você pagou no mercado.

– Você só pode ser maluca!

Arjen saltou para enforcar Freya, que rebateu com um chute em suas partes baixas. O garoto cavaleiro esperneou, rolando de um lado para o outro, sentindo a dor de mil agulhas espetando sua alma. Mesmo em agonia, levantou assim que sentiu uma flecha passar ao lado de sua orelha. Do outro lado do rio, cinco homens vestidos de preto, portando arcos e flechas, lançaram uma saraivada em direção aos dois. Freya o arrastou para trás de um cogumelo vermelho gigante.

– Entreguem a espada e vai ficar tudo bem! – Gritou um dos arqueiros.

– Se quiser pega-la, venha para o outro lado do rio, ou vai atirar uma flecha para puxa-la de volta? – Respondeu Arjen, tentando traze-los para seu campo de combate.

– É exatamente isso o que vamos fazer! – O homem atirou uma flecha com uma corda amarrada na ponta. – Faça um nó bem firme e saiam correndo. Ninguém vai se ferir, nós juramos pela Lotus Pre…

– Eu sabia que aquele tal de Jamal estava tentando nos fazer de idiotas. Ele não queria nos pagar!

O homem interrompeu ao levar um tabefe de um dos companheiros. Arjen e Freya sacaram logo a armação do mercenário. Roubar uma espada avaliada em 500.000 dudas e então vendê-la dentro da organização o tornaria muito mais rico do que trabalhar. A ideia de roubar a espada de Arjen passou até mesmo pela cabeça de Freya, apenas por um instante.

– Não importa, vocês tem trinta segundos para entregar a espada ou vão receber uma chuva de fogo.

Pelo reflexo da lâmina Arjen viu um dos homens tentando fazer fogo com dois gravetos. As tentativas eram falhas, mas o perigo parecia iminente.

– Arjen, você é o cavaleiro, defenda logo sua dama!

– Você que é a sacerdotisa da natureza, dá um jeito ai.

– Eu estou fraca da caminhada e com fome. Um peixe cairia bem.

– Sua…

– Pessoal, dez segundos. Quero um nó duplo invertido.

Um dos mercenários ainda tentava fazer fogo, mas as flechas já estavam preparadas para serem lançadas. Com Freya de braços cruzados e o barulho dos galhos sendo esfregados, Arjen se irritou.

– Me dê sua força Glacius!

 

…continua

Leia os demais capítulos aqui: https://kairasensui.wordpress.com/cronicas-de-szaksia/

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