Dicas Tensas

Elaboração e desenvolvimento de roteiro

Fala galera! Hoje temos aqui no blog a estreia de um autor convidado! Bora ver o que ele tem pra mandar aqui.

Opa! Beleza galera? Essa semana quem vai assumir a postagem do Blog do Gusta, a convite do mesmo, sou eu: Mr. Goose. Essa semana, o post é dedicado pra todos aqueles que sonham em se tornar roteiristas, seja de mangás, HQ’s, ou qualquer outro tipo, ou mesmo pra aqueles que apenas gostam de criar histórias. Aliás, de fato, é disso que todo o post se trata: criar histórias.

Criar histórias é uma arte (praticada desde antes de Cristo nascer), mas mais do que isso, é uma forma de expressão. Uma maneira singular de se comunicar com o mundo. Quem não tem o que dizer ao mundo, não cria uma boa história. Mas como toda arte, é cheia de macetes, técnicas e formas de expressão. E para compreender tudo isso, é que, sem mais delongas, vamos ver cada uma delas, por partes.

Vamos lá!!!

Sim querido professor.

Primeiro, vamos ver alguns conceitos:

Plot: É um resumo sintético, em texto, da história em si. Seu contexto, sua ideia, personagens, e propósito. É como resumir em um texto de poucas linhas, sobre o que se trata um filme que gostou.

Ex: O filme Guardiões da Galáxia: conta a história de como um grupo de personagens que não se conheciam e possuíam objetivos diferentes, acabam se conhecendo e unindo forças para salvar a galáxia de um tirano fanático que planejava usar uma força cósmica para destruir tudo.

É claro que este, é um exemplo bem simplório e resoluto de plot, mas é um plot. O objetivo do plot, é apenas estabelecer o propósito da história, ou seja, em torno de que era gira, e do que ela se trata, bem como resumir como ela acontece. É capaz, e inclusive aconselhável, incluir no plot, a mensagem (ou filosofia, se preferir) da qual a história se trata. Sem uma mensagem, ou uma filosofia, não há como criar uma boa história (como foi dito no começo do artigo).

Ex: O filme Guardiões da Galáxia conta uma história de como é possível ter fé nas pessoas, e como é possível superar preconceitos, medos desconfianças, na forma como 5 desconhecidos que eram criminosos e foras da lei, se unem para impedir que um tirano fanático religioso destrua toda uma galáxia usando uma força cósmica.

Pronto! Eis um plot melhorado, que inclui de uma forma melhor abordada, a intenção da história: sua mensagem e filosofia. Isso não é estritamente necessário, mas muito recomendável, principalmente pra aqueles que já pensaram em uma mensagem para a história.

E por que digo “pra aqueles que já pensaram em uma mensagem para a história”? Simples: Porque criar uma história é algo que se pode (e às vezes deve-se mesmo) fazer partindo de qualquer ângulo. Pensar em uma mensagem ou filosofia para então criar uma história, não é via de regra, e nem deve ser. É claro que para criar uma boa história, ou um bom roteiro, é necessário ter uma boa mensagem e\ou uma boa filosofia. Propósito, em suma. Mas o que tomar como ponto de partida, só cabe a você, futuro roteirista.

É perfeitamente possível, aceitável (e até mesmo em certos casos recomendável), que se comece a elaborar e criar uma história por outros elementos como os personagens, ou o cenário. O cenário em si, por si só, é um personagem. Mas já falaremos dele. Por hora, vamos nos ater ao segundo grande elemento do qual uma boa história, ou um bom roteiro é feito além da mensagem ou filosofia: bons personagens.

Ou "bons personagens"

Ou “bons personagens”

Ou personagem mesmo. No singular. Não é obrigatório, muito menos necessário, criar vários personagens para então apenas pensar em como usá-los, e o que fazer com eles. De fato não é necessário criar sequer mais de um único personagem.

Personagens são os fios condutores da história. São eles quem narram a história pro leitor. É claro que isso é obvio, e muitos podem pensar que eu estou chovendo no molhado aqui, mas não vamos subestimar o básico. Esse é um erro comum para iniciantes. Quando digo que eles são o fio condutor e os narradores da história, quero dizer que (e vamos deixar claro que não é o único motivo) são eles quem definem o rumo da história dependendo da posição que ocupam, do poder que tem dentro do contexto da história, e de outros aspectos também.

Caso você já tenha criado a história, mesmo que seja uma proposta básica, ao criar o personagem, ou personagens, é preciso tomar alguns cuidados, pois dependendo de como se posiciona um personagem dentro do contexto da história, das habilidades, poderes e principalmente das motivações que se atribui a ele, é possível que o seu próprio personagem, que você tenha criado com tanto carinho, arraste toda a cadeia de acontecimentos e o rumo da história pra uma direção completamente diferente, até pra direção oposta ao que você queria.

Por isso, criar um personagem nos mínimos detalhes, já tendo elaborado mesmo que apenas a proposta básica da história (e isso também vale para o cenário! Mas como disse, já falaremos disso…), pode ser uma tarefa deveras frustrante.

Quando se começa a criar a coisa toda, pelo personagem (ou personagens), pensando primeiro na composição dele como: Quem ele é, o que ele procura, qual seu objetivo, características físicas e psicológicas, e etc., tudo o que se desenvolver posteriormente, deve ser compatível com o personagem: A história e o cenário.

Ainda falando dos nossos fios condutores, um bom personagem, ou personagens, devem possuir carisma. Carisma é como a alma do personagem. É aquela característica fulcral que é a marca registrada do personagem, algo que lhe endosse personalidade. Exemplifico:

  • Goku de Dragon Ball é comilão, bonzinho, e tem uma sede imensurável por testar seus limites em batalhas.
  • Uzumaki Naruto é imprevisível, atrapalhado, e jamais trai a sua própria palavra.
  • Kurosaki Ichigo de Bleach, apensar de ter um bom coração, tem aquela cara de quem comeu e não gostou.

Mas quando se trata de carisma, pode-se atribuir de qualquer forma, com qualquer característica. O importante é saber trabalhar o carisma do personagem. Quer outros exemplos diferentes? Veja:

  • Cebolinha da Turma da Mônica troca o “R” pelo “L”.
  • Já a Mônica da Turma da Mônica é forte demais.
  • Batman leva a sua atitude de cavaleiro das trevas até extremos.
  • Kenshin Himura de Rurouni Kenshin geralmente chega pra salvar o dia, recitando alguma lição de moral.
  • Em One Piece, Luffy é maníaco por carne, tanto quanto Sanji é por mulheres.

Carisma é sempre atribuído por características que visam tornar seus personagens ímpares, mas para isso é preciso saber trabalhar essas características. Saber usá-las, emprega-las nas situações corretas, nos momentos certos, da forma correta.

A característica ou características escolhidas para atribuir o carisma do personagem, não precisam se tratar de qualidade necessariamente. Muitas vezes é ate interessante que se trate de um defeito. Defeitos são bons, pois humanizam o personagem. O tornam mais humano. O importante mesmo é que seja lá o que você escolher para destacar o personagem criando o seu carisma, seja algo com que o público possa se identificar.

Saber escolher qual ou quais características usar para criar o carisma do personagem, geralmente gera muita dúvida e confusão principalmente em autores principiantes. Então eis uma dica que você pode seguir como uma bússola:

Pense em que arquétipo define melhor seu personagem. Arquétipos são a base fundamental do perfil de um personagem. Eis alguns exemplos:

  • Herói.
  • Anti-Heroi.
  • O clássico “Vira-casaca” (aquele personagem que começa como vilão ou inimigo, mas se junta ao time, ou se torna bonzinho).

Além de arquétipos é importante, para construir o carisma do personagem e assim sua personalidade, escolher bem seu propósito. A função que o personagem deve desempenhar na história. E acredite quando digo que, para isso, não é necessário ter esboçado nada da história. Exemplos:

  • Ajudar o protagonista.
  • Causar dúvida ao leitor.
  • Atrair a atenção do leitor para uma revelação ou uma reviravolta.
  • Fazer o leitor rir.
  • Fazer o leitor se revoltar, ou ter raiva.
Aquele vilão modafoka que te gela o sangue

Aquele vilão modafoka que te gela o sangue

Os propósitos que um personagem pode desempenhar em uma história são infinitos, pois só são limitados pela sua imaginação. Mas é muito importante definir os papéis. Ou seja: os propósitos. Do contrário, não se tem um agente norteador que guie você a como aproveitar o seu personagem da melhor forma na história.

Enfim. Chega de falar de personagens. Vamos falar de cenário!

Como disse anteriormente: Cenário é um personagem por si só. A ambientação é tão importante ou mais, do que um belo personagem bem construído ou uma boa trama bem amarrada. Na verdade, tudo funciona como um tripé. Temos a história, que se trata de alguma questão. Sem um bom personagem e uma boa ambientação, não há como trabalhar uma história de forma a deixa-la realmente boa, por melhor que a proposta inicial dela seja.

Lembre-se: os personagens são o fio condutor da história. Mas então o que isso faz do cenário?

Simples. Se podemos dizer que os personagens são o fio condutor da história, ou aqueles que conduzem o “trem” que é a história, o cenário é exatamente “os trilhos”. É exatamente por onde a história é conduzida. Quando ouvimos uma história de alguém, ficamos apenas nos atentando aos fatos narrados, de forma abstrata, apenas logicamente, ou automaticamente contextualizamos o que ouvimos em imagens dentro da nossa cachola? Imaginando como esta acontecendo, como se estivéssemos vendo um filme?

Quando você esta fazendo uma viajem empolgante, ansioso pelo motivo que você esta viajando, e esta sentado na janela de algum trem, ou mesmo um ônibus de viajem, não esta pensando onde você está e para onde esta indo (além de outras coisas, é lógico)? Ou fica parado sem pensar em nada?

Amigo, se você não esta apreciando o que você esta fazendo, ou aonde você esta ou porque esta ali, se você numa situação dessas não sente nada, tenho péssimas notícias para você: Você ainda não achou o que você precisa para contar uma boa história. Porque para se contar uma boa história é preciso senti-la. É como dizem sobre namoros, conquistas e autoconfiança: “Se você não gosta de você mesmo, como espera fazer alguém gostar de você?”.

Criar histórias segue esse mesmo princípio. E no caso, o cenário, é muito importante, pois é ele quem vai temperar as situações e os personagens das suas histórias.

Vamos dizer que temos um bom personagem para protagonizar uma boa história de amor e drama. Vamos pegar o exemplo do filme Charlotte Gray, uma francesa solitária atravessando a Segunda Guerra Mundial. Só a abertura do filme, mostrando os campos floridos, e ela no trem, pensando, já vale o ingresso, e o filme inteiro. O papel do cenário é ajudar o leitor a se inserir e se identificar com a história. É marcar o leitor com todo o resto que você criou.

Imagine como seria se a clássica frase “Eu jamais passarei fome novamente!” de Scarlett O’Hara em O vento levou tivesse sido declarada solitariamente dentro do sótão da mansão do filme. Teria o mesmo impacto? Nem em sonho.

Sem um bom protagonista assim como sem uma boa trama, bem armada e amarrada, um cenário é só um lugar bonito. Aliás, por falar em lugar bonito: cenário não precisa ser um lugar bonito. Muitos cenários tétricos, sujos e feios, acabam sendo a opção perfeita para contextualizar uma boa história. O importante é ele servir para a história. Ser coerente com a proposta da história.

Muitos dizem que “Não é o cenário que deve se adequar ao personagem, mas sim o personagem que deve se adequar ao cenário”, é uma regra. Mas isso não é totalmente verdade. Há somente dois motivos para essa citação recorrente entre textos de construção de roteiros e histórias, que é um mito:

  • Não importa o que você toma como ponto de partida: história, personagens, ou cenário: tudo o que você desenvolver e elaborar deve se manter em equilíbrio e ser compatível e coerente com o que você criou antes e depois.
  • É mais fácil reformular, refazer, ou reelaborar um personagem, do que um cenário inteiro. E essa talvez seja uma verdade imutável. Mas mesmo assim eu não apostaria nisso.

Como podemos ver, criar boas histórias, é como um tripé: História, personagens e cenário, devem ser criados em harmonia. Uma boa história pode começar de qualquer ponto, contanto que se mantenha em mente, o objetivo dela. Sua mensagem e filosofia.

Para criar boas histórias, não se apresse. Vá anotando suas ideias, e refletindo sobre elas. Não importa sobre o que você queira abordar em uma história. Não existe história ruim, mas sim história mal contada. O melhor é ir anotando as ideias e refletindo sobre elas. Isso invariavelmente te levará a descobrir novos caminhos melhores de conduzir a mensagem que você tem a dizer ao público, e por consequência, lhe ajudar a melhorar o que você já tinha pensando para sua historia.

Anotando TUTO!!!

Anotando TUTO!!!

Depois disso, quando você já tiver uma boa estrutura da sua história elaborada e fechada, uma boa é considerar escrever um enredo disso. Enredo é diferente de plot. No plot você resumia muito suscintamente, do que sua história se tratava. O enredo se trata mais de fazer um texto extenso, sem limite, descrevendo detalhadamente sua história, como alguém que conta um filme inteiro com detalhes para alguém. Isso é muito bom para manter em mente a forma que sua história esta tomando, e assim ir percebendo como, melhorar, aonde melhorar, e porque deve melhorar o que perceber.

Dito isso, a última dica que eu posso dar, nesse espaço que ainda tenho é: evite maniqueísmos. Eles sempre quebram qualquer história por mais potencial que ela tenha. Esse negócio de que “É mau por que é!” ou “É bom, por que sim!” é o caminho mais rápido para se criar uma história ruim. E isso sim é uma regra. Uma verdade imutável.

Procure propósito em tudo que existe em sua história. Desde os detalhes do cenário às motivações dos seus personagens.

Espero que tenha ajudado!

Ate uma próxima vez, e abraços!

Post powered by Mr. Goose

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Um pensamento sobre “Elaboração e desenvolvimento de roteiro

  1. Opa! Ótimas dicas! Fazer um bom roteiro é realmente um dos principais fatores que deixam a história de uma HQ/Mangá valorizadas. Os autores capricham nos desenhos e sempre esquecem de fazer uma história bem trabalhada.

    Abraços!

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