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Crônicas de Szaksia – Capítulo 1 (Prólogo)

Antes de começar, para saber sobre o projeto, acesse a página do projeto Crônicas de Szaksia https://kairasensui.wordpress.com/cronicas-de-szaksia/

– Enfim vitorioso. Anos severos serão recompensados com sangue e morte de meus inimigos. Encanta-me este poder. Seu brilho esverdeado chega a cegar-me ao vislumbra-lo por tanto tempo. A era dos Dragões acaba aqui.

O ex-gran-mago do Império Azul, Luzan Shwitchin, banido por suas pesquisas duvidosas perante o imperador e sucedido por Astor Misdraus, a última pessoa que ele esperava lhe substituir, conseguiu terminar seu maior encantamento. Isolado nas catacumbas das ilhas perdidas de Siran, milhas distantes de seus antigos companheiros, Luzan tentou por pacientes dez anos finalizar um encantamento proibido das eras antigas: o Gigantus.

Imbuir uma estrela inteira dentro de armaduras gigantes para lhes dar vida foi uma prática utilizada nas maiores guerras do passado, mas apagada dos registros por ter resultado na extinção de continentes. Milhares de trabalhadores foram sacrificados na construção destas armaduras gigantes, que ficaram esquecidas no fundo do Grande Oceano, protegidas por criaturas que nem mesmo são de conhecimento dos sábios dragões anciãos.

O Gigantus, assim como os protótipos para armaduras ainda mais resistentes e estáveis, foi escondido nas ilhas perdidas de Siran, o único local encontrado por seu criador, o arrogante Dromar Caskas, para abrigar seu último suspiro antes de ser condenado por inúmeras atrocidades cometidas em favor da guerra. Dromar perdura por milênios como um dos exemplos para as escolas de magia sobre abuso de poder e as motivações para regulamentação e controle da magia. Para Luzan, todos os mitos por trás de Dromar eram invenções baseadas no medo das outras raças e classes para com os magos.

– Dromar estava certo. O poder desta criação pesará no amanhecer de uma nova era. – Recita Luzan, andando de uma ponta a outra na ponte de pedra, logo a frente da primeira armadura.

O brilho da caldeira que iluminava as catacumbas foi ofuscado pelo verde vivo emanado de dentro da armadura, pela abertura do capacete que revelava o interior vazio do peitoril. As ombreiras proeminentes de pedra negra, polidas como o aço de uma espada, reluziam diante da estrela que dava vida ao ser oco construído na época de Dromar e abandonado na escuridão. Em seu primeiro movimento, a armadura parecia saudar seu criador, ao se ajoelhar, deixando seu rosto vazio na altura da ponte de pedra. O tilintar da corrente que prendia as duas ombreiras ecoava por cada canto silencioso do local.

Crônicas de Szaksia - Capitulo 1 - Luzan e Gigantus

A aura emanada da armadura era forte, a ponto de quase fazer Luzan ceder e leva-lo ao chão, diante de tanta pressão. Um sorriso quebrou a expressão decaída de sua barba por fazer e os olhos vermelhos. O Gigantus abria um leque de possibilidades tão grande para Luzan que ele ficou paralisado por alguns minutos extasiado com o feito. Um encantamento sem contrasselo, um poder esquecido pela sociedade acomodada debaixo das asas dos dragões, das leis dos homens e dos limites das ordens.

A ideia de dominar os Nove Impérios com a ponta de seu cajado de Lapis Lazulli distanciava sua vingança para com somente o pequeno Império Azul, do continente gélido de Antartus. Os Nove Impérios compunham as potências que unificaram cada um dos nove continentes da região de Szaksia em uma grande aliança. O Império Azul era apenas uma pequena parcela de terra fria em relação aos demais. Astor Misdraus, o imperador Azul e os milênios de história “mal contada” se tornavam pequenos grão de areia nos pensamentos do ex-gran-mago.

Subindo na cabeça da armadura, Luzan vislumbrou mais três armaduras, diferentes da primeira e então utilizou o encantamento Gigantus mais três vezes. Sem forças para continuar em frente, ele apenas descansou realizado, entre seus quatro gigantes, com seus dentes amarelados aparecendo em gargalhadas que acordariam as almas das estrelas que se esvaíram para dar vida a suas armas. Seus pensamentos, por outro lado, continuaram viajando nas possibilidades de uma vida de glória, de grandes conquistas e controle total. Em uma terra onde somente os grandes guerreiros puderam se tornar reis, ao derrotar os grandes Dragões anciãos e fazer um pacto de dependência, um poder esquecido de Dromar elevaria a um novo nível de poder. A nova era dos Magos, ou pelo menos, a era de Luzan. O fim da opressão dos magos, que se submeteram a meros lacaios dos governos dos reis-Dragões, que outrora governavam poderosos, até que Standiga Avis, o grande guerreiro humano, atravessou o grande mar e trouxe dos continentes distantes as bestas, os dragões e os áureos, mudando o curso dos nove continentes da região de Szaksia.

Como muitos magos que nasceram na era dos Dragões, Luzan nutria ódio por esta suposta opressão e sonhava com a ordem mundial de um passado longínquo, com mais de 10.000 luas brancas. Este sonho recorrente fez mais parte de mais uma noite de sono, desta vez, tranquilo, do ex-gran-mago do Império Azul. Luzan dormiu por doze horas ininterruptas e então se levantou, acordando seus quatro gigantes, para o inicio de sua guerra. Ele, com a cabeça levantada e o cajado erguido aos céus, bradou as primeiras palavras do começo de um pandemônio que não ocorria em milhares de luas brancas.

– Não haverá homem, dragão ou nação de Szaksia com poder suficiente para derrubar um, quiçá os quatro gigantes de Dromar. Os Nove Impérios haverão de se deitar com a face virada para o solo, com seus narizes cheirando à terra que me pertencerá e banhados com o sangue daqueles que me desafiarem. Os erros de Dromar não serão cometidos por mim, pois não preciso que o Gigantus seja de domínio de outro mago, só preciso ferir os mais fortes, para os mais fracos cederem e enxergarem o fim da vida acomodada para o inicio de uma era de glória. O deus Wagner reinará soberano, e ao seu lado, Luzan, o conquistador das estrelas.

 

…continua

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