Falando sobre Mangá

Os mangás que marcaram minha vida

Quando comecei esse blog, a primeira coisa que pensei quanto ao design foi “Vou fazer uma montagem de fundo com uma página dos mangás que mais marcaram a minha vida”.

Novo background

Não foi uma escolha difícil pensar nestes mangás, pois eles fizeram e fazem parte da minha história como pessoa. Como leio mangá desde que me entendo por gente, a lista ultrapassa 3 casas de títulos, mas alguns destes são especiais, e são estes que farão parte desde post repleto de mangás de altíssimo peso e alguns comentários sobre cada um deles.

 

MonsterMonster de Naoki Urasawa

Volumes: 18
Publicação: 1994 – 2001

Monster é meu mangá (e anime) favorito. A genialidade do Urasawa em contar uma história sem muita fantasia mas com muito mistério, tensão e emoção me conquistaram desde o primeiro capítulo. Apesar de gostar de escrever bem mais sobre o que envolve fantasia, quase que como uma antítese o mangá está em meu primeiro lugar. Não é a toa que já o li pelo menos 3 vezes e assisti o nome também umas 3, e em todas elas, sou surpreendido novamente. Pra quem não conhece, a história gira em torno do Dr. Tenma, um médico de alto prestigio que veio do Japão para a Alemanha estudar e acabou com um alto cargo em um grande hospital além de noivo da filha do diretor. Após ser pego em uma reflexão moral sobre o valor da vida de cada pessoa, ele decide ignorar as ordens do diretor de passar um paciente importante na fila de operações e acaba operando um “monstro”. Então, Tenma decide largar tudo para corrigir um erro que terá um “efeito borboleta” sem precedentes.  O mangá ainda está em publicação bimestral aqui no Brasil pela Panini (até o momento deste post, edição 14). Também se tiver oportunidade de ler qualquer obra do Urasawa, o faça.

 

BleachBleach de Tite Kubo

Volumes: 65 até a data deste post
Publicação: 2001 – em andamento

Atualmente é o único mangá que acompanho “fervorosamente” toda semana… Desde 2002, quando descobri Bleach por causa do outro mangá do Tite Kubo, Zombie Powder. Bleach tomou o título de Zombie Powder nos mangás que mais me marcaram pois para mim foi uma evolução. Foram muitos anos de alegria, acompanhando a evolução de Ichigo Kurosaki, um “humano comum” que é salvo por um shinigami recebendo os poderes para derrotar os hollows, espíritos errantes que assolavam a pequena e “não importante” cidade de Karakura. Ele encontra aliados como sua colega de classe Inoue e Sado, um doido com uma força muscular absurda e a história, inicialmente, girava em torno dos personagens, dos hollows e das pequenas histórias de cada um. Em um determinado momento (volume 8) a história dá uma guinada e uma saga animal começa a se deslanchar, típica de um mangá shonen da tradicional Shonen Jump. Depois a história, que antes focava nos shinigamis, passou a focar nos hollows, até ai, tudo muito animal. Até chegar o fatídico volume 41. Dai pra frente e até hoje, o que já tem alguns anos, minha história com Bleach parece uma grande novela mexicana, cheia de altos e baixos de amor e ódio. Enfim, este é o mangá que estou acompanhando por mais tempo e merece um lugarzinho mesmo com severas decepções. O mangá atualmente está na edição 60 em publicação bimestral pela Panini.

 

Dragon BallDragon Ball de Akira Toriyama

Volumes: 42
Publicação: 1984 – 1995

Ah Dragon Ball… Bons tempos de infância. Aquela época em que estudar e acordar/chegar no horário pra assistir meus animes era minha única preocupação. Dragon Ball (juntamente com Saint Seiya) foi meu primeiro anime favorito, e consequentemente, o primeiro mangá que comprei, por volta dos anos 2000 e o bug do Milênio. Publicado pela Conrad pela primeira vez no Brasil, o mangá (juntamente com o Saint Seiya [2]), abriu alas para o mercado atual de mangás que vai de vento em popa. Na época, como não tinha meu próprio dinheiro, tive que escolhi um, e acabei ficando com o Dragon Ball. Apesar da série hoje ter ficado bem mais conhecida por conta do anime de Dragon Ball Z (que no mangá não tem distinção, apesar da edição da Conrad ter feito uma quebra pra aumentar as vendas), minhas lembranças ficam com a história do Goku pequeno, aquele garotinho que buscava pelas esferas do dragão, acaba encontrando com a Bulma, treina com o Mestre Kame, dá seu primeiro Kame Hame Ha (NÃO É KAME KAME HA). Tenho altos fanzines que fiz na época, contando uma história que vinha depois do Dragon Ball, mas ai eu comecei a ler Rurouni Kenshin e a coisa começou a misturar com samurai, ficou meio esquisita haha. O mangá atualmente está sendo publicado em uma versão tankohon pela Panini e está longe de acabar.

 

Rurouni KenshinRurouni Kenshin (Samurai X) de Nobuhiro Watsuki

Volumes: 28
Publicação: 1994 – 1999

Da época que eu não tinha TV a cabo e um amigo meu gravava em fita cassete os episódios que passavam na Cartoon Network, Rurouni Kenshin é mais um dos mangás da geração 2000 que comecei a acompanhar, naquelas edições meio-tanko com as capas das edições pares produzidas aqui no Brasil. Battousai Himura fará eternamente parte dos meus personagens favoritos em mangá, por sua dualidade de guerreiro tentando ser uma pessoa diferente daquela que ele tenta deixar em seu passado, mas que continua o atormentando de tempos em tempos. O primeiro contato com a série foi logo no primeiro volume, no qual Kenshin Himura, um andarilho que carrega uma espada em tempos onde esta está sendo abandonada pelas mudanças no governo japonês, ajuda Kaoru Kamiya a limpar o dojo da barra de homens que usavam seu nome para causar na cidade. Ele acaba ficando no dojo e altas aventuras acontecem. A história começou a esquentar para mim no volume 13 meio-tanko, no qual o passado de Battousai Retalhador começa a entrar em evidência e a história só vai melhorando, com tretas animais e personagens ainda mais. O traço do Watsuki, sinceramente, evoluiu a um patamar brutal próximo aos volumes 35-36 meio-tanko e próximo ao final acaba se tornando simplificado demais, arredondado demais, perdeu o charme, e isso se reflete em Buso Renkin, uma de suas obras seguintes, que não teve nem 1/10 do destaque de Rurouni. Atualmente, Watsuki voltou a insistir na obra, e os filmes de sua obra foram as melhores adaptações de mangá para o cinema já feitas na história. Atualmente o mangá está sendo republicado mensalmente em edição tankohon pela JBC, a mesma que publicou a edição original.

 

Yu Yu HakushoYu Yu Hakusho de Yoshihiro Togashi

Volumes: 19
Publicação: 1990 – 1994

Com o anime digno da melhor dublagem brasileira, da finada e saudossíma Manchete, não tem como esquecer Yu Yu. Frases como “Tô na área, se derrubar é pênalti!” ou “Você é grande, mas não é dois, eu sou pequeno, mas não sou metade!” ficaram para a história daqueles que tiveram a oportunidade de acompanhar. A história é sobre Yusuke Urameshi, o cara da zueragem, quase Hu3BR, que numa tentativa de fazer a coisa certa, “salva” um garoto de ser atropelado e morre, mas ao chegar no mundo Espiritual, descobre que não era pra ele ter morrido, pois ninguém jamais imaginou que ele faria isso (sim, o lugar dele teoricamente seria com o bicho ruim). Pra tentar voltar a vida, ele deve realizar uma série de boas ações com espíritos que precisam de ajuda. Pra quem assistiu o anime primeiro (como eu), o mangá já começa com um choque. Nos primeiros volumes do mangá, o foco fica totalmente nestas missões, diferente do anime, que praticamente pula boa parte delas. Sinceramente, eu gosto mais do mangá neste ponto. A história se deslancha até que, perto do último volume, as coisas ficam muito corridas e acabam abruptamente. Isso aconteceu porque na época o autor estava ficando doente direto, cansado, bem nervoso com a editora e acabou dessa forma. Togashi é um cara que não está muito aí para os fãs, e isso é refletido em seu mangá mais longo, Hunter x Hunter, que está em publicação em uma revista SEMANAL de forma irregular desde 1998 e até hoje está com 32 volumes (perceba que de 90 a 94, com Yu Yu foram 19). O mangá está para ser republicado pela JBC em uma edição tankohon, diferente da primeira vez que foi publicado, em meio-tanko.

 

BerserkBerserk de Kentaro Miura

Volumes: 37 até a data deste post
Publicação: 1990 – em andamento

Desde criança, nas revistas que lia na época, como Herói, Ultra-Jovem e Animax, Berserk era sinonimo de medo, violência absurda, tipo “proibido para menores de 40 anos, grávidas e pessoas que se impressionam facilmente”. Berserk se tornou uma lenda para mim, visto que na época o acesso à informação não era muito fácil. Em meados de 2002, eu instalava vírus nos laboratórios de informática da escola na tentativa de baixar de sites gringos mangás como Zombie Powder, sem muitos conhecimentos de informática, e ai que, numa mistura de medo e curiosidade, eu li o primeiro capítulo de Berserk. Aquilo foi um boom na época, foi um negócio muito doido, pois o mangá era realmente violento e muito tenso. A curiosidade não me deixou parar e desde então, 12 anos depois, acompanho irregularmente a publicação de Berserk de acordo com a vontade de seu criador, mestre Miura. Infelizmente Miura é um mangaká de um único mangá, já beirando a casa dos 50 anos, com pelo menos metade dedicados ao Berserk, então, só ele sabe quando o mangá vai acabar. Temos exemplos como Golgo 13 que estão no mercado há mais de 50 anos, então é bem medonho pensar que vou chegar à idade de Miura ainda esperando pelo final de Berserk. A história gira em torno de Gattsu (ou Guts), um guerreiro andarilho maluco que caça demônios como se não houvesse amanha. Lógico que seus motivos e porque ele ficou maluco são explicados depois, na saga que acabou virando anime, mas a coisa pega fogo mesmo depois disso, quando os bichos maiores vão aparecendo. Esta saga foi refeita em anime recentemente, em 3 filmes animais, produzidos na supervisão do próprio Miura, diferente do anime que na época tinha uma animação bem feinha e pouco violenta. O mangá está em publicação meio-tanko e tankohon recentemente pela Panini.

 

Full Metal AlchemistFullmetal Alchemist de Hiromu Arakawa

Volumes: 27
Publicação: 2001 – 2010

Da categoria “assisti o anime primeiro, depois li o mangá”, Fullmetal Alchemist me impressionou logo de cara como uma série produzida pela Square-Enix, a fusão das duas empresas responsáveis pelos melhores jogos que já joguei. Lembro-me que o oitavo episódio foi impressionante e um pouco traumático, pois o apelo emocional dele era um pouco forte e até hoje só tive contato com ele novamente no mangá. Apesar das diferenças entre o anime e mangá, gosto de ambos, cada um com seus respectivos pesos, principalmente quando chega na metade do anime, onde a história corre por outra vertende, bem diferente do mangá. O começo não muda, a história dos dois garotos, Ed e Al, que se utilizam da alquimia para tentar ressuscitar sua mãe em um ato proibido e acabam gravemente afetados pela ação, a busca dos irmãos por conhecimento para reverter a situação viajando pelo país. Detaque ao meu personagem favorito, Hughes, o qual, no anime pelo menos, teve um significado muito importante para a trama. Faz quase 10 anos que tive contato com o anime e o mangá não faz muito tempo. O mangá foi publicado como meio-tanko pela JBC, que por enquanto, não deu sinal de intenção para publicar uma nova versão refinada.

 

Death NoteDeath Note de Takeshi Obata/Tsugumi Ohba

Volumes: 12 +1
Publicação: 2003 – 2006

Mais um dos mangás da época em que eu baixava mangás de sites gringos, com um traço extremamente detalhado e bonito, sombreamento único e uma trama sensacional, de não ficar muito atrás de um Urasawa, Death Note rapidamente se tornou uma pequena obsessão. Ao longo de seus 12 volumes, cada vez mais ansioso pelo próximo capítulo, o mangá conquistou uma cadeira cativa nos meus tops. A metade do mangá perfeitamente tem um clímax tão abrupto que chegou a chocar muitos na época, pois quem acompanhava acabou ficando sem rumo. A história delineia os passos de Raito Yagami, um estudante comum que encontra um caderno cujo nome de quem é escrito resulta na morte do mesmo. Raito aproveita o poder para livrar a Terra dos criminosos e começa a ser visto como a salvação, mas não por muitos, pois logo os caras mais parrudos começam a correr atrás para prende-lo. Os livros derivados da série também são muito interessantes e a história até poderia ser mais longa que eu não iria reclamar. O final do mangá e do anime são ligeiramente diferentes. Enquanto o do mangá é cru e bruto, o do anime é teatral e floreado (prefiro o do mangá). O mangá foi publicado duas vezes pela JBC, uma em edição tankohon semelhante a japonesa e uma versão Black Edition, com o dobro de páginas. Até fiquei tentando em comprar a Black, mas as capas da original são 32487% melhores.

 

GantzGantz de Hiroya Oku

Volumes: 37
Publicação: 2000 – 2013

Um mangá polêmico, até mais do que o Berserk foi nos seus primeiros anos, Gantz é um bem bolado de violência extrema, fanservice e desapego pelos personagens. Mangás como Shingeki no Kyojin simplesmente absorveram o espírito de roteiro Gantz em suas obras e agora isso virou moda. Gantz é um bem bolado tão esquisito que tem extraterrestres, dinossauros (YEAH!), demônios, vampiros, seres mitológicos e mais uma cacetada de bizarrices. O final decepciona muito, especificamente a segunda metade do último volume, mas até então, o mangá foi muito bom. O cara da vez é Kurono, um maluco que mal começa o mangá e ele simplesmente morre. Só que não. Ele e seu camarada Katou aparecem em um apartamento estranho, com uma esfera negra que lhes dão armas e missões. Daí, o mangá vai aumentando o nível de dificuldade das missões, joga mais personagens no apartamento até a coisa virar uma maçaroca e deslanchar de vez. O mangá foi publicado pela Panini até ano passado e levou um bom tempo para acabar aqui por conta de problemas da editora.

 

RG VedaRG Veda de CLAMP

Volumes: 10
Publicação: 1989 – 1996

Falar de mangá e não falar da CLAMP é um sacrilégio. Entre títulos como Card Captors Sakura, Tokyo Babilon, Chobits e X, preferi colocar o primeiro mangá da CLAMP que tive contato e um dos mais tensos e violentos das autoras. Apesar de se enquadrarem quase 100% das obras no gênero Shojo, podemos considerar RG Veda um Shonen com uma pitada de “shojisse”, pra não falar outra coisa. O mangá conta a história de Yasha-o, o líder de um clã fodão que resolve fazer merda e acordar o Ashura, um mano que parece uma mina, que é o chamariz da destruição. Depois de tudo dar errado, Yasha-o resolve seguir em frente em uma profecia, que pra variar sempre tem nos roteiros da CLAMP. Meu primeiro contato com RG veda foi numa revista Herói, em um único quadro, que mostrava dois personagens do mangá em batalha. Eu achei o design muito loko e no final das contas acabei comprando o mangá, na edição tankohon publicada pela JBC.

 

Shaman KingShaman King de Hiroyuki Takei

Volumes: “32”
Publicação: 1998 – 2004

Um dos discípulos de mestre Watsuki que acabou como ele, Hiroyuki Takei é um mangaká de um mangá, Shaman King e seus derivados. A série original tinha uma premissa sensacional, designs extremamente elaborados e personagens carismáticos. O tema shaman foi utilizado com maestria pelo autor, o que foi um atrativo que me fez inclusive comprar a obra completa. A história começa legal, com Manta, um moleque que sofre bullying na escola e acaba encontrando com Yoh Asakura, um doido que conversa com espíritos e sonha ser o rei dos shamans. Manta, que acha aquilo doidera demais, resolve acompanhar Yoh em sua busca por ser o shaman-top. Tem até um mega-torneio com batalhas épicas, poderes doidos e coisas do tipo, um vilão animal (Hao, que não é o Hao123) e aquela coisa toda de mangá shonen. MAS, entretanto, embora, porém, o mangá simplesmente acaba NO NADA com uma carta do autor, que dá umas desculpas e simplesmente FIM. Não obstante, o anime acaba no nada também, com um clipe musical nada conclusivo. Enfim, lembro-me que a raiva foi tão grande que cheguei a passar mal no dia (vide vomitar a janta) e algum tempo depois, saiu o Shaman King Kanzenban edition from hell com o verdadeiro final da série e ai eu pude dormir tranquilo e feliz. Foi QUASE uma decepção (o anime foi uma decepção completa), mas no final deu tudo certo. O mangá foi publicado na edição original (sem o final) aqui no Brasil pela JBC em edição meio-tanko.

 

Shin Seiki EvangelionShin Seiki Evangelion de Hideaki Anno/Yoshiyuki Sadamoto

Volumes: 14
Publicação: 1994 – 2014

Sabe quando dizem que um mangá nunca vai acabar? Então, eu achava que Evangelion ia ser um desses. Já começando pelo fato de que o anime tem um final, o filme mostra outro e depois tem um monte de reboots e spin-offs bizarros, levou 20 anos para que 14 volumes desse maledeto mangá fosse terminado. A série de Evangelion foi um tapa na cara e uma evolução dos animes de sua época, influenciando uma cacetada de autores e elevando o nível dos roteiros mais complexos em obra de mangá. As discussões geradas pela série eram quase que como discutir religião ou futebol. A coisa ia longe com teorias, explicações malucas e suposições sobre o background da série. Eu defendia o final com o filme “The End of Evangelion”, ignorando o último episódio do anime (como bem fez “Death and Rebirth of Evangelion”, olha a bagunça). A sinopse da série? Sussa. A Terra estava tranquila depois de ter sido atingida mais de uma vez por uma mega catástrofe quando surge uma nova-velha ameaça, os Apóstolos, ou Anjos, como queira. Pra lutar com esses bixos overpowers, era preciso que garotos adolescentes fossem colocados dentro de robôs gigantes que sincronizavam com seus organismos e ai a porrada comia solta. Os anjos falam? Não, ninguém sabe qualé a deles. E a mulecada, curte uma treta? Nada, o time conta com um depressivo, uma doida e uma leite-com-pera cheia de mimimi. E porque essa coisa é tão boa? Porque o roteiro é desenvolvido justamente em cima destes entraves absurdamente complexos de se desenvolver. O mangá ainda está em publicação no Brasil, sendo que ainda este ano haverá o lançamento do último volume tankohon da edição da JBC e os dois últimos meio-tankos da edição ex-Conrad, atual JBC.

 

Tenjou TengeTenjou Tenge de Oh Great!

Volumes: 22
Publicação: 1997 – 2010

Se eu pudesse ter o traço de um mangaká, eu escolheria Oh Great! O cara tem a moral de desenhar a etiqueta do boné do personagem com detalhes absurdos. Sou da época do Himiko Den, o primeiro mangá não-hentai do cara, e, apesar do roteiro morno, tinha belíssimos desenhos. Em Air Gear e Tenjou Tenge, Oh Great! fez o possível para construir uma obra top de linha, mas confesso que seus roteiros ainda pecam muito pela criatividade e organização. Tenjou é meu favorito e digno de estar aqui. A história é uma bagunça, mas basicamente você tem Nagi, um moleque de escola que curte uma treta, e seu truta Bob, que curte treta e mulheres. A coisa começa com tretas na escola, uma trás da outra, vira um torneio, entra magia e a coisa vai ficando cada vez mais maluca. Destaque para meu personagem preferido Bunshichi, o fumante porradeiro mais tenso dos mangás. O mangá foi publicado pela JBC e diferente dos EUA, sem cortes.

 

Hokuto no KenHokuto no Ken de Buronson/Tetsuo Hara

Volumes: 27
Publicação: 1983 – 1988

Pra que gosta de uma porradaria absurda sem limites, Hokuto no Ken é o mangá, a origem das tretas fortes e sanguinolentas dos mangás. Me surpreende saber que esse mangá foi originalmente publicado na Shonen Jump, uma revista hoje conservadora e bem “politicamente correta”, enquanto Hokuto não mede esforços pra jorrar sangue e voar pedaços. A história gira em torno de Kenshiro, um lutador porradeiro master que roda por ai num mundo pós apocalíptico estilo Mad Max (sim, o mangá tem MUITAS referências a filmes dos anos 80, que inclusive rendeu um ótimo artigo aqui no blog, clique aqui para ler)  em busca de treta e auto-conhecimento (tá ai ó, quase a mesma coisa). A coisa fica tensa quando os caras mexem com a mina dele, Julia, a moça que mamãe passou mel demais, porque TODO MUNDO a quer. O mangá tem um fluxo bem tranquilo de acompanhar e o sangue sem limites é bem legal. Digno de uma publicação aqui no Brasil (a qual rezo para o papai do céu todo dia pra que aconteça).

 

Vagabond

Vagabond de Takehiko Inoue

Volumes: 37 até a data deste post
Publicação: 1998 – em andamento

Agradeço meu irmão por ter comprado esse mangá na banca, na época, porque eu já estava comprando outros (e esperando pelo Blade of the Immortal que levou um bom tempo desde seu anúncio até o lançamento). Para mim, Takehiko Inoue é o mangaká com o traço mais bonito e bem feito da história dos mangás. Uma combinação de leveza, detalhes e perfeição que chega a dar medo. Pena que ele (assim como eu) não consegue focar muito bem nas coisas, o que rende muito, mas muita coisa incompleta. Após a finalização de Slam Dunk!, Vagabond foi sua próxima obra, que tem o dobro do tempo e quase a mesma quantidade de volumes, numa periodicidade bem irregular. Aficionado por basquete, ele ainda resolveu serializar mais um mangá do assunto, mas um desafio sem tamanho: basquete com paraatletas. Sou suspeito em falar das obras do Inoue pois todas são peças de arte inestimáveis. A história de Musashi em mangá é uma delas, que atualmente está sendo continuada pela Nova Sampa, herdando a versão de luxo da falecida Conrad. Recomendo qualquer obra dele, incluindo Slam Dunk!

 

Menções honrosas:

 

Saint SeiyaSaint Seiya de Masami Kurumada

Volumes: 28
Publicação: 1986 – 1991

O mangaká mais cancelado e brasileiro-que-não-desiste-nunca da história, Kurumada conseguiu acertar no Ocidente com Saint Seiya. Nunca li o mangá completo, somente assisti o anime na Manchete, li a saga de Hades no mangá e depois assisti. O traço do Kurumada é medonho, o que me manteve distante do mangá, e como na época optei por comprar Dragon Ball, coloco este como menção honrosa pois Saint Seiya (ou Cavaleiros do Zodíaco) fez parte da minha, da sua e da infância de meio mundo por aqui. Destaque para o Shaka de Virgem, o cavaleiro mais forte de todos (invejosos dirão que é o Saga de Gêmeos ou qualquer outro) e a dublagem original cheia de bizarrices. O mangá foi publicado originalmente em meio-tanko pela Conrad e um relançamento em tankohon foi feito pela JBC.

 

One PieceOne Piece de Eiichiro Oda

Volumes: 75 até a data deste post
Publicação: 1997 – em andamento

Falar de mangá e não falar de One Piece também é um sacrilégio (principalmente para um odiador de Naruto e Naruteiros, como eu). Este foi o discipulo de Nobuhiro Watsuki que conseguiu zerar a vida, ganhando mais do que seu mestre e todos os seus discípulos e mestres. Com uma obra extremamente adaptável e planejada nos mínimos detalhes, One Piece é uma nova formula de sucesso que merece um tremendo destaque. Fui ler o mangá faz pouquíssimo tempo e acabei engolindo 715 capítulos em uma semana (com os quais criei o artigo mais acessado aqui do blog, para ler, clique aqui). Vale a pena conferir a história de Luffy e sua tripulação doidera. A versão original meio-tanko publicada aqui no Brasil parou com a Conrad, mas a Panini atualmente está lançando o mangá em formato tankohon que partiu de onde parou e uma outra vertente do inicio, porque é volume demais pra lançar um por um.

 

Blade of the ImmortalBlade of the Immortal de Hiroaki Samura

Volumes: 30
Publicação: 1993 – 2012

Um mangá violento, difícil de digerir e bem rabiscado, Blade of the Immortal (ou Mugen no Juunin) era uma antítese aos mangás que estavam sendo publicados na época aqui no Brasil. Rapidamente fui atraído por uma amostra que veio com algum mangá da Conrad que acompanhava na época e acabei ficando longos anos esperando pelo lançamento, para o mangá afundar aqui juntamente com a Conrad. O mangá nunca acabou aqui e nem nos EUA, forçando-me a buscar a versão japonesa traduzida pela galera da Internets. Uma pena não ter terminado aqui, pois é um mangá premiado no mundo todo e sem dúvidas sensacional.

 

Bastard!Bastard! de Kazushi Hagiwara

Volumes: 27 até a data deste post
Publicação: 1988 – em andamento

Mais um das série “Mangaká de um mangá só”, esse daqueles que tem medo de terminar e fica relançando, redesenhando e enrolando. Sim, tenho um ódio pessoal pelo senhor Kazushi Hagiwara, pois sei que do jeito que as coisas estão, ele vai enrolar esse mangá por longooooos anos. Seria uma pena para pessoas como eu, que comprou essa porcaria desde o começo, que anseia por essa joça desde criança, se a JBC desistisse do mangá, ou hiatos de 5, 10 anos, continuem a ocorrer. O mangá é muito bonito, muito legal, vale a menção, mas me emputeceu demais esta situação.

Holy AvengerHoly Avenger de Marcelo Cassaro/Erica Awano

Volumes: 42 (versão original), Edição definitiva nº 3 até a data deste post
Publicação: 1999 – 2003 (versão original)

Para um antigo comprador das revistas Dragão Brasil, não falar de Holy Avenger seria heresia. O que começou com algumas zoeiras na revista tomou uma proporção jamais vista para algo que pode ser considerado como um mangá brasileiro. Com 42 edições, as quais podemos considerar capítulos, Holy Avenger rodou as bancas do Brasil inteiro e foi um marco no mercado nacional. Ainda esperamos que novas obras consigam esse destaque e essa longevidade, pois sinto muita falta deste tipo de produção no país, mas isso fica para um outro post.

 

Bom galera, espero que tenham gostado da minha seleção mais do que pessoal de mangás que marcaram minha vida. E quanto a sua? Coloca ai nos comentários qual seria a sua seleção! Um abrazz!

Todas as capas deste post, exceto a do Holy Avenger, foram retiradas do site: http://manga.joentjuh.nl

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