Diário de Bordo

Diário de Bordo: Reflex 1 – A necessidade do consumo imediato

Eis que aqui está uma nova edição especial do Diário de Bordo. Resolvi iniciar esta série de pequenos artigos no Diário de Bordo para extrair um pouco de alguns fatos que ocorrem no dia a dia, ligados não só ao cenário de mangá, mas mídia em geral, que pode ter algum sentido ou pelo menos levantar algum interesse. Lendo os blogs do gênero não é muito comum se deparar com estas reflexões e pretendo colocar este conteúdo por aqui. Para começar, abro uma discussão a vocês sobre um ponto que sempre sou criticado (e fui criticado severamente recentemente): o “não consumo imediato“.

Imediatismo

O consumo imediato é bom, mas as consequências para as novas gerações é preocupante

Com o advento e a popularização da Internet, a forma como as pessoas consomem conteúdo mudou e isso é um fato que atualmente não está mais tão óbvio, ou pelo menos se tornou algo banal. Nascido em 1989, posso ser considerado como uma das milhares de pessoas que nasceram no final da geração Y, como se costuma categorizar aqueles que nasceram após 1980, até mais ou menos 1990, precedendo a geração Z e precedidos pela geração X. Essas categorias, para que não conhece, foram criadas como conceitos de sociologia para que fosse possível categorizar as pessoas em gerações baseadas em seu nascimento VS as características da cultura e sociedade de sua época. O marco desta geração em que nasci, a Y, é justamente a Internet, além dos grandes saltos tecnológicos, e no Brasil, o final da Ditadura, o plano Color, o advento do Real, a queda e valorização da economia. Tá, mas o que isso tem a ver com mangá e consumo?

Recentemente recebi uma critica muito dura por ter comprado o livro “Death Note – Another Note: O Caso dos Assassinatos em Los Angeles” no final de 2011 e o lido ontem, dia 17/11/2013, praticamente 2 anos após tê-lo adquirido. Papo vai papo vem e uma sentença mais ou menos assim foi colocada: “Se não você ia ler naquela época, porque comprou?“. Se você tem menos de 25 anos, há uma grande chance de você concordar com esta frase, mas antes, vamos rapidamente voltar no tempo “obscuro” onde não “existia” a Internet, antes dos saltos tecnológicos… Mesmo que você não entenda inglês, assista ao vídeo a seguir (é curtinho, não chega há 2 minutos).

Se você assistiu a este vídeo e teve uma sensação de nostalgia, é provável que fique mais fácil entender o meu ponto. Se você assistiu a este vídeo e teve uma sensação de ter enxergado um “mundo” estranho, no qual você não conseguiria viver, talvez não seja tão fácil. Para esta discussão, o ponto mais importante deste “mundo” em relação ao consumo é o imediatismo versus o valor que se dava ao que era consumido. Hoje se você quer um livro, se ele for novo, vai ser fácil encontrar uma loja, seja especializada como a Comix ou grande como a Saraiva. Se ele for antigo, basta você “googlar” o suficiente para encontrar um sebo, buscar por sebos em sites como Estante Virtual ou no Livronauta, alguém no Mercado Livre que está querendo passar pra frente, até mesmo postar no Facebook para pedir ajuda à sua rede de contatos, que pode compartilhar sua postagem e atingir cada vez mais pessoas. Se for um livro internacional, você pode pesquisar em um Ebay, Amazon, ou sites especializados, muitos mandam para o Brasil, com frete acessível e nem param na alfandega. Para quem busca por uma alternativa “pirata”, é bem possível que alguma “alma bondosa” tenha “scaneado” o livro e o hospedou em algum dos milhares de sites de hospedagem de arquivos, ou colocado um Torrent no PirateBay.

Informação excessiva

Quanta informação e quão rápido você consome e descarta todo dia?

Agora imagine no “outro mundo”, o “mundo antigo”, no qual não existia o Google para você buscar praticamente qualquer informação rapidamente sem muito esforço, sem Lojas Virtuais, sem Facebook, sem Mercado Livre, sem compras internacionais a poucos cliques, sem e-mail, sem Torrent, sem livros digitais… Para comprar um livro no lançamento, você precisava procurar pelo telefone de uma livraria, que provavelmente para ter o telefone ou você tinha o cartão dela pois já foi até ela (fisicamente) ou buscaria em uma revista ou lista telefônica e ligaria para perguntar se tinha o livro, se você não quisesse ir direto até o local, não ter o livro e quebrar a cara. Sim, praticamente sempre que você precisasse comprar algo, você se dirigia a loja e comprava. Já um livro antigo era como procurar uma agulha no palheiro. Imagine ter uma lista de telefones de diversos sebos e você teria que ligar um a um, pedir para o vendedor ter a boa vontade de anotar seu telefone, verificar seu estoque e te retornar, a menos que o estoque do sebo fosse muito pequeno ou a memória do vendedor muito grande. Você poderia colocar um anuncio no mural da sua escola, caso fosse possível e se algum infeliz não arrancasse fora ou arranjasse um jeito de te zuar por conta disso, afinal, bullying é coisa moderna, antes era simplesmente zueira. Ainda assim, sua abrangência seria muito pequena e somente regional. Você poderia anunciar num classificado o que você precisa, mas continua sendo alcance somente regional. Comprar algo importado, somente a um custo muito alto ou se você tivesse a oportunidade de sair do pais. Desistindo de compra-lo, com sorte, você conseguiria alugar este livro em uma biblioteca, poderia tirar cópia deste e manter esta “pirataria das antigas” com você. Percebeu a dificuldade para apenas UM LIVRO? Imagine uma coleção de mangás que você perdeu alguns volumes ou mesmo informações genéricas, para as quais você tinha guardado uma coleção imensa de enciclopédias Barsa ou semelhantes, para procurar manualmente alfabeticamente por um termo e obter algumas linhas sobre o assunto.

Jornada

O valor agregado no resultado também era influenciado pela jornada

No final das contas, comprar ou obter uma informação se tornava uma pequena aventura ou uma epopeia, e esta jornada agregava um valor pessoal ao resultado. Este resultado era devidamente aproveitado, apreciado, cuidado. A quantidade de informação, a variedade e a velocidade entre hoje e 15 anos atrás é absurdamente diferente, e com isso, o valor, o apreço pela informação parece ter diminuído drasticamente também. Eu vivi neste “mundo” e este se faz presente na minha boa memória. Eu não sinto este constante ímpeto de consumir e logo descartar tudo o que está em minha frente rapidamente. Para mim, é comum comprar/baixar uma quantidade grande de livros, mangás, filmes, vídeos, musicas e ir consumindo aos poucos ou mesmo em grandes lotes quando me é permitido. Eu não preciso comprar um livro hoje e em uma semana já ter engolido só por ler. Eu tive uma oportunidade e aproveitei para apreciar tranquilamente o livro “Death Note – Another Note”, que comprei há dois anos. Seria realmente isso realmente um absurdo? Não seria na verdade um absurdo a forma como as pessoas consomem a informação hoje? O assunto cresce ainda mais quando falamos de músicas, fotos, pessoas, mas paro por aqui deixando esta pergunta em aberto para você, vencedor que leu este texto até o fim e não simplesmente ignorou esta informação para poder consumir mais coisas em menos tempo, que mesmo se deparando com o tamanho do texto, resolveu tomar seu precioso tempo para entender este ponto. O que você acha?

Apreciar a informação

Apreciar a informação não é mais tão comum, para muitos parece “coisa de velho”…

PS: Eu gostei muito do livro e por isso, vou guarda-lo juntamente com a minha biblioteca pessoal de livros e mangás para um dia, talvez daqui a 5, 10 anos, ler novamente, pois não sei se esta informação estará disponível daqui a 10 anos, afinal, se o mundo mudou tanto nos últimos 10 anos a ponto de ter ficado irreconhecível para seus novos habitantes, o que dirá nos próximos 10. Mas este assunto, fica para um próximo texto. Um abraço!

Fonte das imagens:

http://www.tipsmakemoney.com/wp-content/uploads/2013/07/Make-Money-Online-Writing-High-Quality-Articles

http://www.moodle.ufba.br/file.php/11455/destruicao-ambiental-3

http://img.gawkerassets.com/img/187mvayc97122gif/original

http://rack.1.mshcdn.com/media/ZgkyMDEyLzEwLzE5LzExXzMzXzM0XzQwMl9maWxlCnAJdGh1bWIJMTIwMHg5NjAwPg/24c92a80

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