Dicas Tensas

A “Simplicidade Mainstream”

Sempre que posso gosto de discutir mangás, filmes, HQs utilizando pontos de vista diferentes, que não costumo ver as pessoas discutindo normalmente.  Estas discussões sempre acabaram em estudos pessoais interessantes e um deles resolvi publicar aqui no blog. Este pequeno estudo tem como base idealizar conceitos utilizados em obras mainstream dos últimos tempos analisando-os com base em vários preceitos da comunicação moderna. Por se tratar de uma discussão empírica, na qual discuti conceitos de comunicação com leitores de obras mainstreams e conceitos de obras mainstreams com estudiosos de comunicação, não possuo o registro completo do processo, até porque não esperava publicar este estudo em lugar algum (mesmo que em um blog). A conclusão, por outro lado, consegui resgatar de algumas anotações (quase criptografadas por conta da minha letra quase hieroglífica).

Palavras que definem Mainstream

Em minha busca por respostas, uma palavra uniu os dois grupos em 100% das discussões: simplicidade. Mas no sentido decomposto da palavra, pois a palavra simplicidade muitas vezes é mal interpretada por muitos, remetendo geralmente a algo simples, que é imaginado como superficial, raso, as vezes até mesmo infantil, e não é bem esse o significado real da palavra. Utilizei o livro “As leis da Simplicidade”, de John Maeda para criar uma formula com pontos comuns das discussões, a qual denominei “Simplicidade Mainstream“, supondo que este tipo de obra seja previamente planejada .

  • Redução: Para alcançar esta Simplicidade Mainstream, é necessário realizar uma redução conscienciosa dos pontos exibidos na estória. Quanto maior o número de pontos confusos, não relevantes ou sem clareza, maior a dificuldade e complexidade de seu entendimento. Baseado em algumas informações que obtive com meu parceiro de projeto Igor Damini, atualmente é indicado para roteiristas determinar uma mensagem, uma base, sobre o que você deseja passar em sua estória e a partir dai iniciar a construção desta. Pensando nos conceitos de simplicidade em comunicação, é possível que uma obra mainstream planejada:
  1. determine uma mensagem, uma base;
  2. encontre quais são as informações necessárias para validar essa mensagem;
  3. construa o mínimo necessário para agregar estas informações com beleza e certeza.

Uma forma fácil de entender este processo é realizar uma engenharia reversa aplicando este conceito com filmes da Disney, Pixar ou da Dreamworks (adicionalmente segue um link interessante sobre as 22 regras para roteiro da Pixar), experimente.

Formulinha maneira.

  • Organização: A exibição dos eventos da estória, assim como os personagens, deve ser organizada para que o leitor/expectador possa processar cada informação exibida sem se perder.
  • Tempo: A quantidade de informação deve ser proporcional ao tamanho/duração de cada evento apresentado, mantendo um fluxo periodico de entendimento.
  • Aprendizado: As explicações devem ser diretas e fáceis de assimilar. O leitor/expectador deve conseguir aprender e acompanhar a ambientação, principalmente utilizando alegorias ou referencias entre itens inéditos do universo da obra VS explicações presentes em nosso universo real. O aprendizado também serve para as mensagens e morais que o autor deseja passar aos seus leitores, mesmo que de forma indireta ou subliminar, ainda sim, de fácil absorção.
  • Fracasso: Deve-se aceitar que há coisas que nunca poderão ser simples. Cabe ao autor avaliar se essa complexidade em sua obra pode ou não afetá-la de forma positiva ou negativa.
  • Diferenciação: Os pontos positivos, vantagens, coisas boas da obra, pensando na “Simplicidade Mainstream”, devem ser visualizados e entendidos rapidamente pelo leitor/expectador. Deve ser simples entender que aquela obra é mais atraente que as demais do mesmo nicho, tema ou gênero.
  • Contexto: O termo contexto neste caso se refere à organização das cenas. Parece meio óbvio mas cada cena ou quadro deve ter um contexto visivel, seja para exibir a opinião de um personagem, uma expressão, um golpe em uma luta. A angulação, conteúdo, número de camadas de informação exibidas ao mesmo tempo e elementos usados para destacar estas informações devem estar claros.
  • Emoção: O conceito de emoção para a “Simplicidade Mainstream” refere-se ao fator empático de uma obra, ou seja, sobre como o leitor se identifica com os personagens e situações ou até mesmo se projeta na obra.
  • Confiança: O autor deve confiar que os conceitos de simplicidade podem ser utilizados ao longo de sua obra mesmo que ela perdure por anos.
  • Conceito: Citando a frase utilizada no livro, “A simplicidade consiste em subtrair o obvio e acrescentar o significativo”.
Simplicidade é tudo, até demais

Simplicidade é tudo, até demais

Vale ressaltar que este estudo não confere em 100% das obras hoje consideradas mainstreams, porém pelo menos alguns pontos abordados são comuns para todas as que elencamos, sejam mangás, animes, filmes, séries de TV… Finalizo esta análise citando uma frase do escritor Antoine de Saint-Exupery que remete o que concluímos com as discussões:  “A perfeição é atingida, não quando não há mais nada a acrescentar, mas quando não há nada mais para ser removido”.

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